"Porcos e Diamantes": estilo Tarantino

Assim como o diretor italiano Michelangelo Antonioni fez sem querer um grande mal a uma geração de fotógrafos, o americano Quentin Tarantino anda colhendo os frutos verdes do que semeou. Quase todo lambe-lambe dos anos 60 passou a se imaginar como David Hemmings em Blow-Up e muitos candidatos a cineasta sentiram-se capazes de criar novos exemplares de Pulp Fiction. O diretor inglês Guy Ritchie é um deles. Seu segundo filme, Snatch - Porcos e Diamantes, é um carbono de Tarantino, mas desbotado e sem vida. O roteiro, também de Ritchie, mal pode ser descrito em palavras. Numa tentativa, pode-se dizer que trata do roubo frustrado de um diamante, envolvendo lutas combinadas de boxe, gângsteres ingleses e americanos (Benicio Del Toro é um deles), um cigano irlandês (Brad Pitt) que sonha comprar um trailer novo para a mãe, um russo (Rade Sherbedgia) de corpo fechado, um cachorro mal humorado e muitos porcos sedentos de sangue. Pode-se fazer maravilhas mesmo com esses ingredientes, principalmente com bons atores interpretando marginais rudes e caricatos, como é o caso aqui, mas as imagens engendradas por Ritchie raramente escapam da banalidade. A narrativa é "desconstruída", como se chama elegantemente as coisas desconexas, e assim o diretor faz sua aposta: filmando cenas que não se ligam entre si, pode dar sorte e acertar algumas. Isto realmente acontece de vez em quando, mas o tom geral acaba sendo de dar dó e por um motivo que surpreende num cineasta que, além de inglês, é também marido de Madonna: a total falta de senso de humor.

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