REUTERS/Christian Hartmann
REUTERS/Christian Hartmann

Polônia avalia pedido de extradição do diretor Roman Polanski

Tribunal dá sua sentença até o fim de outubro, mas crime prescreveu no país e decisão será exclusiva do Ministro da Justiça

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

28 de setembro de 2015 | 05h00

Se dependesse de Samantha Geimer, todo o imbróglio estaria resolvido – e encerrado. Em 1977, ela tinha 13 anos – e um corpo de mulher – quando fez sexo com Roman Polanski. Na época, ele tinha 43 anos, 30 a mais que ela. Tudo ocorreu numa festa regada a álcool e drogas na casa de Jack Nicholson (o ator estava ausente, segundo seu biógrafo), com quem o diretor havia feito o clássico Chinatown, em 1974. Polanski chegou a admitir que era culpado de assédio sexual contra a garota menor de idade. Passou algumas noites na cadeia, mas conseguiu evitar o julgamento. Colocado em liberdade, abandonou os EUA no ano seguinte. Fugiu, com medo de receber uma condenação dura.

O episódio permanece como o nó górdio na biografia de Rajmund Roman Liebling, que o mundo conhece como Roman Polanski. Sua vida, como se diz, daria um romance. E que romance! Menino, foi enviado para um campo nazista e sobreviveu para contar a história (em O Pianista). Em 1967, nova tragédia. Sua mulher (grávida), Sharon Tate, foi morta pelos integrantes de uma seita de adoradores do diabo. Tudo isso esculpiu a aura de ‘maldito’ sobre ele.

Passaram-se quase 40 anos do sexo proibido – Polanski está com 81 anos – e Samantha, de 51, chegou a escrever um livro em que perdoa o cineasta. Ela lembra que o clima, na época, era de permissividade e que o sexo foi consensual. Não houve estupro. Chega a dizer que, mais devastador que o sexo com Polanski, foi o uso que a imprensa e a Justiça fizeram do caso. No imaginário das pessoas, ela foi sempre a pequena p... de Polanski. Se o objetivo era preservá-la, o efeito foi contrário.

É claro que a imprensa e a Justiça estão em seus papéis. Apesar do perdão de Samantha, houve crime, admitido por Polanski. Ele se radicou na Europa. Seguiu dirigindo e muitos de seus filmes nesses anos todos são grandes – Tess, O Escritor Fantasma, A Pele de Vênus. O processo seguiu seu curso.

Em 2009, uma ordem de prisão contra o diretor foi emitida por um juiz nos EUA. Detido na Suíça, passou nove meses em prisão domiciliar. Como tem dupla cidadania, francesa e polonesa, circula livremente nos dois países, enquanto corre na Justiça o processo para sua extradição. Em janeiro, os EUA formalizaram o pedido junto ao governo polonês, invocando um acordo bilateral. Em fevereiro, o caso começou a ser julgado, a portas fechadas, num tribunal da cidade de Cracóvia. O próprio Polanski, a seu pedido, foi ouvido como testemunha. 

No ano passado, agentes norte-americanos tentaram prendê-lo em Varsóvia, quando participava da inauguração de um museu de história judaica. Numa manobra para ganhar tempo, seus advogados conseguiram incluir nas atas do julgamento os autos do pedido de extradição anterior. O tribunal que avalia o mérito da questão promete entregar seu veredicto em 30 de outubro próximo. Mesmo que o pedido seja aceito, a extradição depende de uma decisão pessoal do Ministro da Justiça da Polônia. E, no país, o crime de Polanski já prescreveu.

Tudo o que sabemos sobre:
CinemaPolanski

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.