Política e amor convivem mal em "Bens Confiscados"

Em princípio a idéia seria de articular uma trama política de fundo (com toques de corrupção) a uma situação de sentimentos entre um adolescente e uma mulher madura, que funciona como foco central do filme. No entanto, algumas inconsistências debilitam esse novo longa-metragem do diretor Carlos Reichenbach.A história é a de um político acusado de corrupção que manda o filho sumir do mapa antes que a imprensa o encontre. Para cuidar dele, pede auxílio a sua antiga amante, a enfermeira Serena (Betty Faria). A trama de fundo é nebulosa. Não se sabe o que o senador Américo Baldani fez (de resto, ele nunca aparece no filme). Só o que importa é o relacionamento entre Serena e Luis Roberto. Talvez ela veja nele um resto do pai, que passou por sua vida na juventude. Ele talvez a veja como uma rival, ou como figura materna. Essa dubiedade acompanhará a história. Mas é pena que, por exemplo, a atuação do personagem Luis Roberto (Renan Augusto) nunca chegue a convencer. Uma seqüência na praia, com duas amigas estudantes de pedagogia (uma delas é Marina Person), tampouco ajuda, de tão artificial. O personagem de Werner Schünemann, um gauchão caricato que esconde Serena e Luís Roberto, é tão estereotipado que perde toda a credibilidade. E assim a sua função dramática fica prejudicada. Por sorte, o filme resgata a si mesmo no desfecho. Diz o bom senso que não se deve falar do final para não estragar a surpresa do espectador. Por isso, basta dizer que, nele, Betty Faria tem o seu melhor momento. Aquele em que a fragilidade da sua personagem realmente aflora, junto com sua grande humanidade. Se ficar valendo aquela história de que a última impressão é a que fica, pode-se dizer que então Bens Confiscados se justifica. Mas fica difícil esquecer os equívocos que comprometeram todo o seu andamento até esse magnífico ponto final.

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