Policiais formam o novo filão do cinema brasileiro

Fernando Meirelles e Nando Olival são sócios no O2. É uma agência de publicidade diferenciada das demais. Quando Domésticas estreou nos cinemas, Meirelles já havia dito ao Estado que quem quer uma publicidade bonitinha não procura a agência deles. A 02 ganhou prêmios importantes no Festival do Filme Publicitário de Cannes. O público também premiou a dupla. Domésticas não foi um estouro de bilheteria, mas andou bem. Os críticos é que detestaram. Acharam Domésticas preconceituoso. Olival e Meirelles sabiam que se arriscavam a esse tipo de crítica. Meirelles já anunciava, na época, que ia partir para um cinema mais denso e impactante. De novo em parceria, agora com Kátia Lund, ele começou na semana passada, no Rio, a rodagem de Cidade de Deus. O livro de Paulo Lins foi saudado como uma das maiores revelações recentes da literatura brasileira. O roteiro leva a assinatura de Bráulio Mantovani. E o tema, do filme como livro, é o áspero cotidiano de um dos conjuntos mais pobres e violentos do Rio. Cidade de Deus é um dos vários policiais que estão surgindo no cinema brasileiro. Bufo & Spallanzani, de Flávio Tambellini, deve estrear nos próximos meses, O Invasor, de Beto Brant, já foi rodado e está em montagem. Bellini e a Esfinge, também. O livro de Tony Bellotto foi adaptado por Roberto Santucci. E há filmes como Xangô de Baker Street, que Miguel Faria Jr. adaptou do livro de Jô Soares, e Carandiru, que Hector Babenco começa a rodar em breve baseado em Drauzio Varella. Todos esses filmes se inscrevem na vertente do cinema policial, mas são diferentes. O de Miguel Faria Jr. brinca com o mito de Sherlock Holmes. E há os que tentam colocar na tela a urgência da questão social brasileira, aquilo que Beto Brant gosta de dizer que está debaixo do nosso nariz e a gente finge não ver. Com seu filme anterior, Meirelles deu a primeira chance a um punhado de gente jovem e talentosa. O resultado foi que Domésticas ganhou o prêmio coletivo de interpretação feminina no Festival do Recife, somando a esse troféu Passista o de melhor fotografia, assinada por Lauro Escorel. O irmão do diretor Eduardo Escorel, e também ele diretor (Sonho em Fim), já havia dito ao Estado que não entende a acusação de filme publicitário que se faz a Domésticas. "Eu faço publicidade e sei que poderia ter feito uma fotografia publicitária naquele filme, mas não fiz." Matheus Nachtergaele é o único ator conhecido no elenco. Como em Domésticas, Meirelles e agora Kátia Lund investem em jovens talentos: Jeffchander Suplino, Jonathan Haagensen, Daniel Zettel, Alexandre Rodrigues, Leandro da Hora e Babu Santana, que sai do set de Uma Onda no Ar, de Helvécio Ratton, para o de Cidade de Deus. A produção é da O2 e da Videofilmes, em parceria com quatro grandes distribuidoras.

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