Chris Pizzello/AP
Chris Pizzello/AP

Polêmicas e surpresas no Globo de Ouro

Premiação é criticada por colocar drama e comédia em categorias separadas

Luiz Carlos Merten/ Los Angeles, O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2014 | 23h15

Bérénice Bejo e Ashgar Farhadi estão sentados no restaurante de um hotel em Beverly Hills. Ambos estão em Los Angeles como indicados para o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, neste domingo. Farhadi admite que está menos confiante do que no ano em que levou o prêmio por Uma Separação, mas… E ele sorri, como quem diz que neste tipo de disputa existem sempre surpresas. O Globo de Ouro, que será entregue neste domingo - a cerimônia terá transmissão direta para o Brasil a partir das 23 horas -, virou o tititi da cidade.

The talk of the town. The Los Angeles Times tem publicado matérias diárias, mas o foco está sempre no Oscar. Não faz muito tempo, as indicações e vitórias no prêmio dos correspondentes estrangeiros de Hollywood eram indicações certeiras para o prêmio da Academia de Hollywood. Hoje, as coisas não são assim tão seguras, ou simples, mas o Globo de Ouro é sempre um sintoma do que está para vir - e virá, na quinta-feira, quando a Academia vai divulgar sua lista de indicados.

Segundo o site de apostas Bovada, Breaking Bad é favorito na categoria drama para TV, batendo fácil o segundo colocado dos apostadores - House of Cards. Mas a verdade é que a mídia não está ligando muito para os indicados de televisão. Você ouve a toda hora essa história de que a TV hoje é a última fronteira da criatividade no audiovisual dos EUA. Quem criou o mito deve ser um grande marqueteiro. A TV pode estar descortinando novos horizontes, mas o cinema continua sendo o sonho dourado. Martin Scorsese pode fazer TV - a série Boardwalk Empire -, mas só empresta o nome e assina um episódio. Sua energia, ele a dirige para o cinema e, este ano, todo mundo aposta que vai para o Oscar com O Lobo de Wall Street, com Leonardo DiCaprio. Quem ganha o Globo de Ouro? Homenageado da noite, com um prêmio especial, Woody Allen, já avisou que não vai.

A ausência do grande homenageado da noite não será a menor das decepções do Globo de Ouro de 2014. O prêmio está sendo contestado, e com razão. The Los Angeles Times lançou uma campanha para acabar com a divisão em categorias - melhor filme dramático, melhor comédia ou musical. O crítico de teatro do jornal, Charles McNulty, lembrou que a divisão remonta à Franca do século 17, em que a tragédia não podia ser comparada ao teatro picaresco. E ele propõe que o anúncio seja feito usando as velhas máscaras de teatro para comédia e drama, de forma a selar a diferença. Pois as categorias estão muito misturadas, realmente.

Quem foi o maluco que indicou Meryl Streep para melhor atriz de comédia ou musical por Álbum de Família? Ah, mas ela canta numa breve cena, embora de ponta a ponta o filme seja uma exposição dramática, eventualmente divertida - como na vida -, da miséria humana. Há muito mais humor na Filomena de Judi Dench e Stephen Frears, que concorre na categoria drama. E vá alguém dormir com uma serenata dessas. Como Breaking Bad, barbada na categoria drama de TV, a única categoria de cinema que beira a unanimidade é a de animação. A Disney pode ir liberando a prateleira para abrigar o Globo de Ouro destinado a Frozen. O filme é um fenômeno. Segunda maior bilheteria de todos os tempos do estúdio, atrás somente de O Rei Leão, conseguiu o prodígio de colocar sua trilha no topo das mais vendidas. Bye-bye Beyoncé.

Quem serão os vencedores desta noite? Há grande expectativa para que Robert Redford leve o prêmio de melhor ator de dramas por Até o Fim, em que ele passa o tempo todo sozinho em cena, enfrentando os efeitos de uma tempestade no mar. Se isso ocorrer, as mesmas vozes temem que Redford fique fora do Oscar no anúncio da próxima quinta-feira. O filme de J.C. Chandor é o menos visto entre aqueles com atores com possibilidades de indicação para o troféu da Academia. 12 Anos de Escravidão é o favorito na categoria drama, e o favorito para ganhar o maior número de indicações para o Oscar. O diretor Steve McQueen, o ator Chiwetel Ejioofor, o coadjuvante Michael Fassbender. Na categoria comédia ou musical está o outro filme que todo mundo jura que vai competir pelo maior número de indicações ao Oscar - Trapaça, de David O. Russell. Mas não será uma vitória tranquila, basta lembrar que ele compete na categoria (no Globo de Ouro) com o Scorsese de O Lobo de Wall Street.

Meryl Streep concorre a melhor atriz de comédia, Cate Blanchett é favorita na disputa pelo prêmio de melhor atriz de drama por Blue Jasmine. Independentemente de categoria, Cate é favorita para o Oscar e a primeira etapa para isso será ganhar a indicação, na quinta que vem. Azarão, na categoria melhor comédia ou musical, Inside Llewyn Davis, dos irmãos Coen, está sendo alvo de uma campanha milionária, com anúncios diários de página inteira e, às vezes, de páginas duplas, nos principais jornais do país.

O Oscar não é só uma questão de arte ou de prestígio. Envolve também dinheiro e, em 2014, o Globo de Ouro volta a ser um indicador para a Academia, ou pelo menos assim aposta a grande imprensa dos EUA. Sobre o espetáculo propriamente dito, o Globo de Ouro terá Tina Fey e Amy Poehler como apresentadoras. E década e meia depois de serem premiados pelo roteiro de Gênio Indomável, Ben Affleck e Matt Damon vão se encontrar no palco como apresentadores de prêmios. A questão é se vão se apresentar juntos ou se vão entregar prêmios separadamente.

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