Polêmica sobre censura marca festival de NY

Em um sinal de que a cidade tenta voltarao seu ritmo normal, começa hoje a 39ª edição do New York FilmFestival, que vai apresentar cerca de 30 filmes até o dia 14 deoutubro em duas salas de cinema do Lincoln Center.O evento não tem caráter competitivo e vai mostrar váriasproduções apresentadas em outros festivais ao redor do mundo. Deve servir como distração para os fãs do cinema, já que suassessões são abertas ao público. Entre os destaques, estão osfilmes Mulholand Drive, de David Lynch, Va Savoir, deJacques Rivette, Elogio do Amor, de Jean-Luc Godard, eStorytelling, de Todd Solondz.Os atentados terroristas do dia 11 não modificaram a programação do festival: as sessões para a imprensaaconteceram normalmente e a única novidade é que todas as bolsasserão revistadas na entrada dos cinemas. Em entrevista coletiva,depois da apresentação de Storytelling, Solondz recusou-se afalar sobre a tragédia. "Não me sinto confortável para misturara discussão de filme com a dos fatos terríveis que aconteceramnos últimos dias", limitou-se a dizer o diretor de Bem-vindoà Casa de Bonecas e Felicidade.O filme de Solondz, por sinal, é um dos que devem gerarcontrovérsia no festival. Dividido em duas partes, o filme éum exercício de exploração da miséria humana, desta vezcom auto-referências. O filme começa com a cena de sexo entreuma jovem e um rapaz que sofre de uma deficiência mental e seguecom uma série de situações constrangedoras envolvendo tiposvariados de "perdedores".Mas o que deve dar o que falar é o fato de o diretor ter optadopor cobrir com uma imensa barra vermelha uma cena de sexo entreuma garota e seu professor, medida adotada apenas para osEstados Unidos. "Preferi não fazer uma adaptação digital, comoa de De Olhos Bem Fechados, porque quero que o público saiba oque foi proibido", disse o diretor.A Motion Pictures Association of America, que define as faixasetárias a que cada filme é indicado, sugere a remoção de cenasde sexo para não classificar uma produção como "adulta", oque faz com que várias cadeias de cinemas "familiares" recusem exibi-la. O uso de uma "tarja em estilosoviético", de acordo com o diretor, deve reacender a discussãosobre o puritanismo da "censura" americana.Destaques - O filme de abertura é Va Savoir, de Jacques Rivette. Aprodução é ambientada em Paris e conta a história de uma atriz(Jeanne Balibar) que volta à cidade depois deuma temporada na Itália. A produção é baseada em peça de Luigi Pirandello. Encerra a programação o Elogio do Amor de Godard. Outros destaques devem ser Mulholand Drive, que havia sidocriado originalmente por David Lynch para ser um seriado de TVsobre Hollywood, e The Royal Tenenbaums, de Wes Anderson, estrelado por GeneHackman, Anjelica Houston, Ben Stiller e Gwyneth Paltrow.Para os cinéfilos de carteirinha, no entanto, outro filme aguardado é Il Mio Viaggio in Italia, em que o mestre Martin Scorseserelembra sua infância no bairro nova-iorquino de Little Italy efaz uma homenagem aos seus filmes italianos preferidos,analisando produções de Roberto Rossellini e Federico Fellini,entre outros. Com quatro horas de duração, é uma verdadeira aulade cinema.O New York Film Festival vai apresentar ainda filmes do Irã(Baran, de Majid Majidi), Japão (All About LilyChou-Chou), Portugal (Vou Para Casa, de Manoel deOliveira), Argentina (La Libertad, de Lisandro Alonso),Taiwan (What Time Is It There?, de Tsai Ming-Liang) e México(Y Tu Mama Tambien, de Alfonso Cuaron).

Agencia Estado,

28 de setembro de 2001 | 14h06

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