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Polanski deveria ter sido avisado, diz ex-ministro suíço

Para Christoph Blocher, aviso seria mais justo com diretor de 74 anos; para especialistas, chances são pequenas

AP,

02 de outubro de 2009 | 19h17

O cineasta Roman Polanski, mantido sob custódia, deveria ter sido notificado de que recebera um mandado de prisão internacional antes de chegar à Suíça, afirmou nesta sexta, 2, o ex-ministro da Justiça do país.

 

Christoph Blocher disse que um aviso teria sido mais justo com o diretor de 74 anos, que foi preso quando chegava a um festival - financiado pelo governo suíço - no qual receberia um prêmio. De acordo com o ministro, a notificação também teria sido legal.

 

Polanski foi capturado - seguindo um pedido dos Estados Unidos - por ter feito sexo com uma garota de 13 anos em 1977. Autoridades de Los Angeles consideram Polanski um condenado foragido e a Suíça afirma que existe um mandado internacional de prisão desde 2005.

 

"Você não convida alguém quando sabe que essa pessoa será presa", disse Blocher, um dissidente nacionalista expulso do governo no fim de 2007, depois de ajudar o Partido Popular Suíço a se tornar o mais forte no país. "Isso simplesmente não se faz."

 

Blocher, contudo, também se afastou daqueles que desejam a libertação de Polanski e afirmou que suas críticas não representam uma defesa dos atos do cineasta.

 

O diretor foi acusado de oferecer champagne e um antidepressivo à menina de 13 anos, durante um teste de modelos em 1977, e depois estuprá-la. Inicialmente, ele foi considerado culpado de seis acusações criminais, incluindo estupro por meio de drogas, abuso infantil e sodomia.

 

Polanski pediu a mudança da acusação para a de ato sexual ilegal - cuja pena é menor. O juiz concordou em ignorar as outras acusações e sentenciou o diretor a permanecer preso por 90 dias para uma avaliação psiquiátrica.

 

No entanto, ele foi solto 42 dias depois por um avaliador que o considerou mentalmente são e com poucas chances de voltar a cometer os mesmos atos. O juiz decidiu mandá-lo de volta à prisão pelos 48 dias restantes e, depois, Polanski deveria aceitar uma "deportação voluntária". O cineasta fugiu dos Estados Unidos em 2 de fevereiro de 1978, dia em que receberia a nova sentença.

 

O diretor de "Chinatown", "O Bebê de Rosemary" e "O Pianista" atualmente luta contra a extradição para os EUA. Seus advogados na Suíça moveram uma ação pedindo sua libertação. Especialistas dizem que suas chances são pequenas.

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