Poeta da cidade é tema de documentário

Já estão em andamento as 26 produções selecionadas no Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro (DocTV), do Ministério da Cultura e da Fundação Padre Anchieta. O concurso DocTV recebeu 628 projetos de todo o País e premiou 26 com R$ 90 mil ? que serão usados na realização dos filmes. Depois de prontos, os documentários serão transmitidos na TV Cultura e nas redes públicas regionais. Somente em São Paulo foram inscritos 133 projetos. Dois saíram vencedores: Assombração Urbana com Roberto Piva, de Valesca Canabarro Dios (SP Filmes), e Preto Contra Branco, de Wagner Morales (Pólo de Imagem).O primeiro conta a trajetória do poeta Roberto Piva, um projeto que a Diretora-geral do documentário, Valesca Dios, alimenta desde 2001. ?Roberto Piva é um poeta presente em minha adolescência?, fala Valesca, que conta com o auxílio de Fábio Camarneiro (co-direção) e Manuela Ziggiatti (montagem). Valesca já possui algumas imagens gravadas e pretende concluir seu filme em março. Para ela, que dirige seu primeiro documentário, a intenção maior é fazer com que as pessoas conheçam Roberto Piva. ?Ele é considerado um surrealista, um beatnick. É e sempre foi marginalizado?, diz. ?Numa época (década de 60) em que todos os poetas eram concretistas ou engajados, ele seguia outro rumo.?Já Preto Contra Branco apresenta um jogo de futebol diferente, que é realizado todos os anos em Heliópolis. A partida reúne dois times: um de negros e outro de brancos. O problema é que a miscigenação causa casos engraçados. Há mulatos que podem jogar nos dois times. ?Cada um escolhe em que lado quer jogar?, fala o roteirista Ivan Marsiglia. ?Ás vezes, os filhos de casamentos interraciais disputam um ano no time dos pretos e outro ano no time dos brancos.?Na partida, a rivalidade é uma brincadeira. ?Os brancos levam bananas para atirarem nos negros e os negros falam sobre a virilidade da raça para importunar os brancos?, conta o diretor Wagner Morales.Incentivo - Valesca acredita que o grande trunfo do DocTV é ser nacional. ?O maior mérito é ver produções fora do eixo Rio-São Paulo. Eu poderei assistir a um documentário de um cara do Amazonas, do Mato Grosso...? Wagner concorda: ?Muitos documentários sobre a Amazônia ou sobre o Nordeste, por exemplo, são feitos por paulistas, cariocas ou mineiros. É uma forma interessante de descentralização.? Os filmes estão previstos para irem ao ar em julho de 2004.

Agencia Estado,

22 de dezembro de 2003 | 14h52

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