"Planeta dos Macacos" é decepcionante

Era um dos filmes mais aguardados do ano. Afinal, um remake do cult Planeta dos Macacos, ficção científica de Franklin J. Schaffner que foi um dos marcos do gênero nos anos 60, pela ótica do diretor Tim Burton, só podia ser atraente. Não é. Merece uma medalha quem se dispuser a defender a nova versão da história adaptada do livro de Pierre Boulle sobre astronauta que se perde no espaço, chega a planeta dominado por macacos e descobre que... Bem, se você viu o filme antigo sabe que planeta é esse.As primeiras cenas prometem. No original, ao sair da nave avariada, o personagem de Charlton Heston percorria paragens desérticas. (Heston, por sinal, está de volta aqui como macaco.) O primeiro impacto, aqui, é visual. Em vez do deserto, Mark Wahlberg cai numa selva exuberante. A textura da imagem define a assinatura do diretor. Tim Burton está imprimindo a Planeta dos Macacos o estilo visual dark de quem fez Batman (1 e 2) e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça.Há muita coisa impressionante na refilmagem. O diretor torna mais explícito o mundo dos macacos, por meio não apenas da maquiagem, mas também da própria interpretação dos atores mascarados. Há cenas maravilhosas: o beijo transgênero, entre o humano e a macaca; a carga dos primatas, quando Burton solta sua câmera entre macacos a cavalo e outros que correm apoiados nas quatro patas, em louca disparada.Apesar disso, o filme é um horror. Os diálogos, no início, são constrangedores pela mediocridade: um punhado de chavões e frases feitas satirizando tudo, especialmente o politicamente correto. Mas o pior ainda está por vir. Burton poderia ter adaptado o velho roteiro ao seu estilo. Talvez fosse melhor. Tudo o que ele inova para realçar a dimensão política, contida nas denúncias do filme antigo (militarismo, preconceito, intolerância), reverte contra Planeta. Seria cômico se não fosse trágico. O prestígio do diretor não sai incólume dessa experiência desastrada.

Agencia Estado,

02 de agosto de 2001 | 18h09

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