Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

'Planeta dos Macacos - A Guerra' faz uma reflexão sobre os heróis, a guerra e os tempos de paz

Filme se resolve em trocas de olhares

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2017 | 06h01

O que faz de Planeta dos Macacos - A Guerra algo mais que um bom divertimento é a maneira como trabalha com temas, emoções profundas e muitas referências. César conduz seu povo pela floresta como Moisés levou o dele pelo deserto. O antagonista será um coronel enlouquecido pelo ódio (Woody Harrelson) que, claro, remete ao Kurtz de O Coração das Trevas, e ao de Apocalypse Now, de Coppola. 

O sonho do coronel louco é a construção de um muro. A referência a Trump provoca risos no público. É que o delírio do muro entre EUA e México extrapolou a fronteira da política e avançou sobre o domínio do nonsense, ou do ridículo. Está lá, no filme. 

Como está o conflito interno de César (Andy Serkis), movido pelo ressentimento de suas perdas pessoais, mas lúcido o suficiente para ver que o ódio não leva a nada. Apenas a mais destruição. O herói deve cumprir sua missão. Cumprida, precisa imolar-se em nome da comunidade. Churchill venceu a guerra e foi derrotado em tempo de paz. Da guerra, ou do ódio político, sobram apenas escombros. Serve também para nós.

O filme se resolve em trocas de olhares. O olhar humanizado do animal enfrenta o olhar bestializado do homem. E, como todo bom filme de ação, Planeta dos Macacos não tem apenas ação. Esta é mesclada a momentos de repouso e mesmo de reflexão, de modo que a dramaturgia possa funcionar. Por isso, fala mais do que aparentemente diz. 

 

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