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Greg é o primeiro protagonista LBGT+ em uma produção da Pixar Divulgação/Pixar

Pixar lança primeiro curta-metragem com protagonista homossexual; veja

‘Out’, transmitido pela Disney+, conta a história de Greg, que ainda não teve coragem de revelar aos pais que é gay

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2020 | 11h30

Um rapaz alto, forte e barbudo que enfrenta o dilema de contar aos pais ou não que é gay. Este é o tema da primeira produção da Pixar com temática LBGT+ lançada na sexta-feira, 22. Trata-se de Out, a história de Greg, que enfrenta todas as dificuldades de um jovem que teme o preconceito e a não aceitação da família diante da homossexualidade.

O curta-metragem é dirigido pelo animador Steven Clay Hunter, que atuou em Procurando Nemo. O personagem principal de Out não se sente à vontade com os pais e pretende se mudar para a cidade grande e morar com o namorado, Manuel. 

Quando o pai e a mãe decidem ajudá-lo na mudança, Greg se desdobra para tentar esconder as evidências de sua orientação sexual, como um calendário de bombeiros sexy e um porta-retrato com o namorado, por exemplo. Até o cachorro dele tenta auxiliar o tutor a esconder as ‘pistas’. 

Em uma das cenas do curta, Greg e Manuel aparecem se beijando. Além da primeira produção com personagem principal LGBT+ da Pixar, chama atenção o fato de o curta ser exibido pelo serviço de streaming Disney+, considerado familiar. A proposta é um primeiro passo para a normalização de personagens gays em filmes de animação. 

Antes, Disney e Pixar já tiveram a presença de personagens homossexuais secundários, como em Procurando Dory, ou em Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica, onde há uma citação de um namoro entre pessoas do mesmo sexo. 

Assista ao trailer de Out:

 

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Marco Nanini conta como encarou o enfermeiro gay de ‘Greta’

No filme de Armando Praça, o ator interpreta Pedro, personagem que tem como fetiche ser chamado de Greta Garbo por seus amantes

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2019 | 06h00

Para o espectador que guarda Lineu no imaginário – e que podia, até há pouco, matar a saudade da Grande Família nas tardes da Globo –, pode vir a ser um choque essa nova imagem que Marco Nanini propõe de si mesmo. Estreia na quinta, 10, o longa que Armando Praça adaptou da peça Greta Garbo, Quem Diria, Acabou no Irajá, de Fernando Mello. No filme, Greta Garbo acaba em Fortaleza e o título foi reduzido. Ficou só Greta. Na ficção, Nanini faz um velho enfermeiro gay – Pedro – cujo fetiche, na hora do sexo, é ser chamado de Greta Garbo, como a lendária estrela da Metro nos anos 1930 e 40. Greta quem? O amante da vez, que ele cata no próprio hospital em que trabalha e leva para casa – Jean (Démick Lopes) se envolveu num assassinato e é sua chance de fugir –, não faz ideia de quem seja essa Greta Garbo, mas cumpre sua parte no pacto.

Greta Garbo! Para encurtar assunto e ir diretamente ao ponto, o filme tem beijo gay e essa talvez seja a parte mais light da história. Tem sexo, palavrão, mas calma – não deu a louca em Nanini, nem ele está jogando no ralo a credibilidade que alcançou como artista e cidadão, ao longo de uma extraordinária carreira no teatro, cinema e televisão. Acontece, e é o xis da questão, que Nanini tem plena consciência de ter 71 anos, de ser gay e viver numa união estável com outro homem. Vive discretamente, aliás, mas nem é esse o ponto. Há tempos, Nanini buscava um texto que lhe permitisse assumir a idade e mostrar seu corpo. “A vida como ela é, tudo caído”, ele brinca. A proposta de Praça para fazer o filme chegou na hora certa. Ele leu o roteiro e não vacilou. “Faço!”

A cena mais ‘difícil’ é a final, que evoca o desfecho do clássico Rainha Cristina, que Rouben Mamoulián realizou em 1933 com a atriz que era chamada de ‘divina’ e de ‘esfinge’. Sueca, Greta Garbo sempre quis fazer um filme sobre a mítica rainha Cristina, que renuncia por amor ao trono da Suécia, mas a História lhe prega uma peça. O homem amado morre e Cristina, sem amor e sem trono, a bordo do navio que a leva – para lugar nenhum –, olha o infinito, sem nada ver. A cena é uma longa tomada desse rosto que não significa nada. Ou tudo. Conta a lenda que Mamoulián pedia a Garbo que não pensasse em nada, não tentasse expressar nada. O vazio. Nanini também olha para a câmera. Um plano longo, lento. “Disse para o Armando: Vamos logo com isso. E vamos fazer de uma vez, porque, se não der certo de primeira, não vai ser na centésima vez que vou acertar. Ensaiamos. Merda! Na hora de filmar eu pisquei.” Uma história de gente solitária, sofrida, marginalizada.

 

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‘Há um público que quer essas histórias’, diz o diretor Armando Praça

Em entrevista, ele fala das dificuldades de realizar 'Greta', filme que narra a solidão e o preconceito enfrentados por Pedro, um homem velho e gay

Entrevista com

Armando Praça

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2019 | 06h00

Cearense (de Aracati), com extenso currículo como diretor de curtas e assistente, Armando Praça demorou dez anos para concretizar sua estreia no longa. Em fevereiro, ele mostrou Greta no Panorama, em Berlim. Em setembro, venceu o Cine Ceará – melhor filme, direção e ator, para Marco Nanini.

L.C.M.: Por que a peça de Fernando Mello?

Armando Praça: Procurei durante muito tempo o que seria meu primeiro longa. Além de cinema, estudei dramaturgia e conhecia a peça, que é considerada precursora do besteirol e de autores como Mauro Rasi. Mas isso foi há mais de dez anos. Assisti a uma montagem, que foi um sucesso de público, mas abordava a solidão desse universo gay e marginal com preconceito, como motivo de chacota e para rir do ‘viado’. Quando encarei seriamente a adaptação, dei-me conta de que seria necessário todo um trabalho de resgate da essência desses personagens. Sem forçar o humor, o que ressalta é o drama e eu pautei minha adaptação pela chave do melodrama à maneira do alemão Rainer Werner Fassbinder, que é um grande diretor, a quem admiro muito.

Nanini?

Confesso que eu precisava de um plano B, caso ele não aceitasse, mas desde o início ele era a minha opção número um. Para mim, era absolutamente necessário evitar a caricatura e eu tinha certeza de que com Nanini conseguiria. Tive a sorte de conseguir montar esse grande elenco. Além do Nanini, que queria esse personagem e foi de uma entrega, de uma verdade muito grande, a Denise (Weinberg), o Démick (Lopes), a Gretta Starr, que foi maravilhosa.

Se você começou a trabalhar no projeto há dez anos, era outro mundo, outro Brasil. Como foi chegar até aqui?

Foi sofrido. Há dez anos o Brasil era um, quando filmei era outro e agora, na estreia, um muito pior. Apesar do ranço moralista e do conservadorismo, o que sinto é que há um público que quer essas histórias, e nós vamos contá-las.

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