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Philippe Garrel ganha retrospectiva que vai revelar o essencial de sua obra autoral

Cineasta é herdeiro da nouvelle vague

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2017 | 19h11

Foram-se todos os autores da nouvelle vague - François Truffaut, Eric Rohmer, Jacques Demy, Claude Chabrol. Sobraram Jean-Luc Godard, é verdade, e Philippe Garrel. Quando fez seu primeiro filme, em 1966 - Anémone -, a nova onda, segundo seus críticos, já tinha virado ‘velha’. Philippe, filho de ator/cineasta Maurice Garrel, e pai de Louis Garrel, também ator e diretor, prosseguiu com o legado do movimento. O travelling como questão de moral, cada filme um convite - “É preciso ir ao cinema para flutuar.”

Um cinema de sensações. Philippe mostrou este ano, em Cannes, na Quinzena dos Realizadores, L’Amant d’Un Jour, com Éric Caravaca e Esther Garrel (sua filha). Quando propõe que o cinema flutue, Garrel está falando em flutuações íntimas. Do amor. Quase todo o seu cinema fala do impasse amoroso, mesmo quando o pano de fundo - Maio de 68 - parece dominante, em Os Amantes Constantes. O Amante de Um Dia integra o que muitos críticos consideram uma trilogia. O Ciúme, A Sombra das Mulheres e agora O Amante. Três filmes que passam feito romances, os três em preto e branco e de um ‘pontilhismo’ que evocaria a pintura de um Seurat, se ele não fosse tão colorido. Duas mulheres - uma sobe correndo a escada da escola para encontrar o amante no banheiro.

A outra, de mala e cuia, é enxotada de casa pelo ex-amante. Gozo, e lágrimas. A garota expulsa vai bater à porta do pai professor, e ele tem uma amante jovem como ela. Houve, este ano, poucos grandes filmes em Cannes. O Amante de Um Dia foi um. Visages Villages, de Agnès Varda, foi outro. O Indie 2017 promove a retrospectiva de Philippe Garrel, desde La Cicatrice Interièure até J’ Entends Plus la Gitare, responsável por sua consagração em Veneza, em 1991, Os Amantes Constantes, A Fronteira da Aurora, etc. Vai ficar devendo O Amante de Um Dia. Nem por isso será menos necessário descobrir esse autor visceral.

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