Ryan Pfluger/The New York Times
Ryan Pfluger/The New York Times

Pharrell Williams batalha por filme sobre preconceito

Cantor compôs músicas para o filme 'Estrelas Além do Tempo', que narra a história de três mulheres negras que trabalharam na Nasa

Dave Itzkoff  / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

15 Janeiro 2017 | 23h25

Não importa o que Pharrell Williams esteja fazendo, ele sempre chama a atenção. No início de dezembro, o músico e produtor estava desfilando para a Chanel em Paris. Na sequência, ele estava em NY no progrma The Tonight Show de Jimmy Fallon, cantando I See a Victory, uma das músicas do filme Estrelas Além do Tempo – que deve estrear no Brasil em 2 de fevereiro –, com a cantora de gospel Kim Burrell. Em 9 de dezembro, ele e Kim apresentaram a música no programa Today e naquela tarde eu o encontrei em uma suíte de um hotel de luxo em Midtown Manhattan.

Mas o que Williams queria, acima de tudo, era chamar a atenção para o filme Estrelas Além do Tempo. Dirigido por Theodore Melfi, ele narra a história das matemáticas Katherine Johnson (vivida por Taraji P. Henson), Dorothy Vaughan (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monáe), três mulheres negras que trabalharam na Nasa durante a corrida espacial dos anos 60, período de segregação racial e muito preconceito.

É uma história pela qual Pharrell, de 43 anos, tem profundo carinho e na qual está extremamente envolvido. Além de compor e cantar músicas novas para o filme, ele é também responsável pela trilha junto com Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch, além de produtor do filme.

Pharrel é muito solicitado – e agora mais ainda depois dos sucessos Blurred Lines (que compôs e produziu para Robin Thicke); Get Lucky (que ajudou a compor para o grupo Daft Punk); e Happy, que agrada a todo mundo e que compôs para Meu Malvado Favorito 2. 

O roteiro de Estrelas Além do Tempo, adaptado do livro de Margot Lee Shetterly, chegou a Williams e seu sócio na produção, Mimi Valdés, logo no começo do projeto, mesmo antes de Melfi ser contratado para a direção. Williams foi atraído por uma história sobre as contribuições dos afro-americanos. “Tem de ser um discurso compartilhado por homens e mulheres. A contribuição feminina não pode mais ser ocultada.”

O projeto também é relevante para Williams, que cresceu em Virginia Beach, próximo do Langley Research Center da Nasa, em Hampton, cenário do filme. “A ideia de que há algo além da Terra me deixava alucinado quando criança.” A trilha de Williams inclui Runnin, música que acompanha a personagem de Taraji Henson, e I See a Victory. “A perspectiva da lua a partir de onde você está mostra de quão longe você vem e até onde deve ir. Você enxerga a vitória se conseguir ver além desse momento.”

Apesar dessa conversa esotérica, Williams também entra numa briga quando é preciso. No fim de dezembro, diante da notícia de que Kim Burrell havia chamado os gays de pervertidos, ele postou no Twitter: “Condeno o discurso de ódio. Não há espaço neste mundo para qualquer tipo de preconceito.

Tenho grande esperança na inclusão e no amor por toda humanidade em 2017 e mais além”.

As músicas de Farrell para Estrelas Além do Tempo têm uma estrutura pop simples e poderiam ser dos anos 1960, mas a produção e instrumentação são muito atuais. É um estilo que ele tem há vários anos, como em trilhas como “Freedom”.

Empenhado em pôr as mulheres e as afro-americanas na frente de um setor cinematográfico com frequência acusado de ignorar a diversidade, Williams disse estar otimista de que as recentes mudanças políticas não vão comprometer seus objetivos. “Há muitas pessoas poderosas e quando as incitamos conseguimos mudar as coisas.”

Nas fases turbulentas, “a música é algo incrível, assim como pintura, moda. É o que fazemos como seres humanos – como respondemos à pressão”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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