Petrobras Cinema anuncia apoio a nove curtas

Sensações extremadas,personalidades radicais na vida e na obra, a opressão da solidãoe da loucura. Sentimentos carregados e figuras polêmicas marcamo conteúdo dos nove projetos que foram escolhidos na terceiraseleção do programa Petrobras Cinema, destinado à produção decurtas-metragens em 35 milímetros. Cada um receberá R$ 50 mil,que deverão ser investidos num filme com duração máxima de 15minutos, destinado a salas de exibição.Como se tornou habitual no processo de seleção, além dosescolhidos, um cineasta é homenageado e receberá a mesma quantiapara realizar um curta. Nessa etapa, o escolhido é CarlosReichenbach, que dirigirá o filme Equilíbrio & Graça(Quando Tenho Fome, Como; Quando Tenho Sede, Durmo).Trata-se de uma viagem ao imaginário das sensações. O cineastapartiu da tese de que Oriente e Ocidente revelam identidadesfilosóficas no culto revolucionário do silêncio. Assim, eleconcentra a ação no encontro de um pensador católico com o paido zen-budismo. A história baseia-se na reunião verídica queuniu, em 1964, Thomas Merton, pensador da ordem trapista (então,com 50 anos) com T. D. Suzuki, teórico e introdutor do zen noOcidente (na época, com 90 anos)."Foram momentos iluminados de simplicidade", escreveuReichenbach no projeto, que pretende mapear uma viagem aossentidos. O cineasta escolheu a seguinte frase de Merton comofio condutor do curta-metragem: "A harmonia só é possívelquando encontrada entre Deus e os homens, entre Lao-tsé e Cristo entre a contemplação e a ação, entre tudo que vive e tudo quemorre, entre a renúncia e a conquista de si mesmo."Documentários - Equilíbrio & Graça foi classificado,pela comissão de seleção, como de um gênero conceitual, único emrelação aos nove projetos escolhidos. Desses, o documentário foio gênero que predominou. Em A Degola Fatal - Glauber Morto,Ricardo de Barros Favilla pretende fazer uma reflexão sobre osacontecimentos dos últimos 20 anos do cinema brasileiro a partirde imagens inéditas, captadas em Super-8, de um fato que marcou23 de agosto de 1981: a morte do cineasta Glauber Rocha.O antigo processo de Super-8 também inspirou o cineastaIvan Cardoso (O Segredo da Múmia) a elaborar o projetoHeliorama. Trata-se de uma colcha de retalhos, em que o diretordeve unir cenas que ele mesmo captou do artista plástico HélioOiticica. "Fomos muito amigos e consegui filmar diversosencontros que tivemos", conta Cardoso. "Deixei tudo guardadona casa da minha mãe, que se revelou melhor que qualquercinemateca brasileira, pois a conservação está quaseperfeita."Oiticica aparece em diversos momentos, todos inusitados.Num deles, por exemplo, o artista é flagrado com o cano de umapistola na boca. Como legenda, Cardoso usará o cartaz criado porOiticica, em que aparece escrito: "Eu e o três-oitão."Heliorama terá a estrutura de um filme mudo, comcenas montadas de cinejornais, clipes e outros fragmentosinéditos e visionários. Cardoso usará também cenas daparticipação de Oiticica em O Segredo da Múmia que forameliminadas na edição final. "Uma delas, que chamamos deFolias em Bagdá, mostra o momento em que Hélio dava um beijoem outro ator. Na época, ficamos com receio da censura eacabamos cortando", explica o cineasta, que conserva todo omaterial rejeitado dos filmes, o que lhe permitirá, com outrosmomentos rodados em Super-8, formatar novos e inéditosdocumentários.Momentos de loucura também surgirão em Tempo de Ira,curta com que a atriz Marcélia Cartaxo estreará na direção.Trata-se da história de Cícera Cadoia, mulher que vive em umacasa miúda com a mãe, uma velha reumática que enlouqueceu depoisque um dos filhos matou o marido dela. "Adaptei a históriaescrita por Ronaldo de Brito, cujos diálogos são precisos",conta a atriz, que contará com o auxílio de Gisela Melo nadireção. A filmagem deve ocorrer em Pernambuco ou na Paraíba, emabril.Os outras propostas aprovadas são A Delicadeza doAmor, de Eder José dos Santos Júnior, Carolina, deJéferson De, Da Terra, de Janaína Diniz Guerra, HansenBahia, de Joel de Almeida, O Resto É Silêncio, de PauloHalm, e Seu Pai já Disse Que Isso não É Brinquedo, de CarlosHenrique Mollica Vidigal.

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