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'Peter Pan' em 3D traz Hugh Jackman como o egocêntrico pirata Barba Negra

Filme explora as origens de todos os personagens

Elaine Guerini - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

11 Outubro 2015 | 20h22

LONDRES  - Antes mesmo de Hugh Jackman chegar ao Ballroom do hotel Claridges, em Londres, dá para ouvir a risada sonora do australiano que caminha pelo corredor. O ator com cachê na casa dos US$ 20 milhões nunca passa despercebido. Não só pelo físico avantajado (1,90 m de altura e músculos definidos), mas pela simpatia, pelo carisma e pelo senso de humor. “Quando ouve que sou o cara mais bacana de Hollywood, minha mãe sempre rebate, dizendo: ‘Nós costumávamos chamar isso de boas maneiras’”, contou Jackman, rindo.

Ainda que o título de Mr. Nice Guy sempre o acompanhe, o astro anda fugindo dos personagens que reforçam a reputação de bonzinho nos sets de filmagem. Mais conhecido por encarnar o soturno e esquentado Wolverine, o mutante com poder de autocura da Marvel, o ator nascido em Sydney ataca de vilão em Peter Pan, atualmente em cartaz nos cinemas. “A Bruxa Má do Oeste, de O Mágico de Oz (1939), é a minha primeira lembrança cinematográfica. Na minha infância, deve ter sido o personagem que mais me aterrorizou e fascinou ao mesmo tempo”, disse Jackman, escolhido pelo inglês Joe Wright para interpretar aqui o pirata Barba Negra. “Ou como o meu filho carinhosamente prefere chamar de Barba Negra e Branca”, brincou o ator de 46 anos.

Como o novo Peter Pan foi concebido como ‘prequela’ do clássico criado pelo escocês James Matthew Barrie (1860-1937), explorando as origens do protagonista no formato 3D, coube ao personagem Barba Negra a missão de antagonizar o pequeno herói. Aqui o garoto que não queria crescer (vivido pelo estreante Levi Miller) soma forças com Gancho (Garret Hedlund), muito antes deste se tornar o capitão inimigo mortal de Peter, depois que menino corta a sua mão esquerda em combate, dando-a para um crocodilo comer. 

No roteiro original assinado por Jason Fuchs, Peter e Gancho se conhecem na Terra do Nunca, para onde o garoto é levado após ser raptado de um orfanato de Londres, durante a Segunda Guerra Mundial. Com a ajuda princesa Tiger Lily (Rooney Mara), os dois acabam liderando um motim contra o exército de piratas comandado por Barba Negra, que escraviza todos os habitantes da ilha. O pirata põe todo mundo para trabalhar nas minas de pó de fada, substância que o vilão usa para não envelhecer. Seu ponto fraco é mesmo a vaidade.

“Ao pesquisar a coleção da revista National Geographic Júnior de meu filho, encontrei uma seção dedicada a Barba Negra (lendário pirata inglês do século 18). Descobri que ele costumava colocar incenso na barba para atear fogo nela antes de uma batalha. Assim, conforme ele invadia outros navios, parecia que sua cabeça estava pegando fogo”, contou Jackman, que tentou vender a ideia ao diretor. “Mas Joe não topou, preferindo que eu usasse maquiagem branca no rosto, uma peruca à la Maria Antonieta, uma roupa de Luís XIV e muitos anéis extravagantes.”

Antes de iniciar as filmagens, Jackman raspou a cabeça para melhor adesão da peruca. “Foi mais por preguiça. Do contrário, eu teria de chegar ao set 45 minutos mais cedo, todas as manhãs, para que a equipe de maquiagem escondesse a minha linha capilar frontal por baixo da peruca. Preferi então ser um careca feliz, dormindo um pouquinho mais”, afirmou.

Ao abraçar o papel com irresistível sarcasmo - um pouco como Johnny Depp faz com Jack Sparrow na franquia Piratas do Caribe -, Jackman rouba a cena em Peter Pan. “Como a Terra do Nunca aqui é produto da imaginação das crianças, todos os adultos precisam ser representados como os garotos os veem: assustadores e ridículos. Essa foi a desculpa que eu precisava para brincar na minha atuação.” 

A entrada do personagem no filme já dá a dimensão do egocentrismo e da loucura de Barba Negra. Para agradá-lo, seus capangas obrigam centenas de meninos a cantarem Smells Like Teen Spirit, música do Nirvana. “Foi o meu dia favorito no set. Um momento que nunca vou esquecer. Como Joe costuma dizer, Kurt Cobain foi o Menino Perdido definitivo’’, afirmou Jackman.

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