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Pesquisador registra 103 westerns filmados no Brasil

Rodrigo Pereira vai lançar em 2015 o livro 'Faroeste Caboclo: Filmes de Cangaço e Westerns Made in Brazil'

Marcelo Miranda, Especial para o Estado - Belo Horizonte

22 Abril 2014 | 15h39

O filme Faroeste, de Abelardo de Carvalho pode até parecer uma raridade, mas bangue-bangues brasileiros são mais tradicionais do que boa parte do público sabe. É o que o pesquisador Rodrigo Pereira vai mostrar no livro Faroeste Caboclo: Filmes de Cangaço e Westerns Made in Brazil, previsto para 2015. Há mais de uma década, Rodrigo radiografa a historiografia do cinema brasileiro em busca de filmes do gênero, chamados por ele de "westerns feijoada". Conseguiu levantar 103 títulos exibidos em circuito comercial a partir de 1917, quando o primeiro bangue-bangue tupiniquim, Dioguinho, de Guelfo Andaló, chegou às telas. O número deve aumentar para 104 se Faroeste for lançado ainda este ano, juntando-se a clássicos como Rogo a Deus e Mando Bala (1972), Gringo, o Último Matador (1972) e Da Terra Nasce o Ódio (1954).

"O ápice da produção se deu entre 1953 e 1983. Nesse tempo, em todos os anos, pelo menos um western feijoada foi exibido nos cinemas, sendo que tivemos dez em 1972 e oito em 1969", conta Rodrigo. O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto, é o grande marco do gênero no país e já reunia as características que permeiam as buscas do pesquisador. "Defini o faroeste como o Bem contra o Mal numa terra em vias de se tornar civilizada, num mundo quase moderno, com estradas em construção, linhas férreas e a presença de armas de fogo. Ser ambientado nos EUA não é um critério, até porque sempre houve filmes do gênero que se passavam em outros países", comenta. "Nossos filmes de cangaço, por exemplo, têm a ação no Nordeste e se enquadram na categoria de faroestes."

O autor identifica no filme de Abelardo de Carvalho a essência de um western autêntico e brasileiro. "Estão lá os conflitos do personagem com a autoridade estabelecida, num outro tempo e sob outras leis." Para Rodrigo, Faroeste, ao abordar a vida e a morte de Luís Garcia com atmosfera de lenda, soma-se a dramas biográficos de grandes bandidos do imaginário rural brasileiro, como foram Dioguinho (1917), Lampião Rei do Cangaço (1964) e Corisco & Dadá (1996), entre outros.

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