Personagens de "Casa de Areia e Névoa" emocionam

Casa de Areia e Névoa marca a estréia na direção do ucraniano Vadim Perelman. Ele recusa o que seria o caminho fácil, o desenho de personagens chapados, de dimensão única. No filme, que entra em cartaz hoje, há uma personagem em aparência frágil, Kathy (Jenfifer Connely), que mora na casa herdada do pai. O marido a abandonou, ela é uma ex-alcoólatra, não bebe há algum tempo mas nem por isso se sente melhor. Anda tão deprimida que nem recolhe a correspondência depositada na porta. Por desleixo, deixa de pagar impostos, e a casa é confiscada pelo município. Do outro lado, há um imigrante iraniano, Massoud Behrani (Ben Kingsley), de passado sombrio (foi coronel da polícia secreta do Xá), e que está nos Estados Unidos disposto a fazer a América. Isso inclui comprar uma casa penhorada, a preço de ocasião, e depois revendê-la por quatro vezes o que pagou. Claro, é a tal da casa de areia e névoa.Massoud não é apenas um tosco explorador de mulheres fragilizadas, que vem de fora para ganhar dinheiro nos Estados Unidos, o que o transformaria em peça fácil para a presente xenofobia lá vigente. Nem Kathy é tão inocente. E mesmo o policial que a ajuda também parece um tipo de caráter sujeito a certos desvios. Enfim, convivendo por quase duas horas com eles, saímos com a impressão de que estivemos com seres humanos críveis, com seus conflitos, seus dramas e inseguranças. E, sobretudo, com sua capacidade de destruir e arrasar tudo aquilo que sonharam um dia construir.

Agencia Estado,

29 de outubro de 2004 | 13h04

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