Pequena Sereia II vira nova mania

Ariel ressurge do fundo do mar. A pequena sereia da Disney fez tanto sucesso que deu origem a uma seqüência. A Pequena Sereia 2 - O Retorno para o Mar invadiu as locadoras e lojas especializadas na semana passada. Virou a nova mania da garotada. As meninas adoram. Depois de Ariel, sua filha, Melody. Na história, Ariel tem de esconder da filha que é sereia, para fugir à ameaça representada por Morgana, a vingativa irmã de Ursula, vilã do primeiro filme. Só que Melody é atraída pelos mistérios do mar. Sonha transformar-se numa sereia. E por isso vira uma presa fácil para Morgana, o que força Ariel a buscar a ajuda dos amigos Sebastião, Linguado e Sabidão para encontrar a garota e restaurar a paz na família.Não é só uma seqüência, afirma o animador Myke Sutherland, numa entrevista por e-mail. Ele vive na Austrália, a entrevista estava difícil de marcar por telefone. Foi feita pela rede. Sutherland conta que, em muitos aspectos, é uma história muito similar à primeira, exceto pelo fato decisivo de que, desta vez, o espectador olha a situação de outro ângulo. "De repente, nossa heroína, a pequena sereia de ontem, assume a maternidade com toda a carga de responsabilidade (e as dores de cabeça) que ela acarreta; Ariel começa a sentir-se exatamente como seu pai, quando tinha de proteger a filha impetuosa e inocente demais para perceber os perigos do mundo à sua volta." Reprodução"De repente, nossa heroína, a pequena sereia de ontem, assume a maternidade"A nova história, conta Sutherland, foi criada na divisão de roteiros da Disney, em Los Angeles. "Os roteiristas não criaram apenas uma trama que permitisse retomar personagens do primeiro filme, mas também novos personagens, além de colocar toda a história nessa nova perspectiva." Ele acrescenta que, desta maneira, A Pequena Sereia 2 não deixa de ter uma finalidade pedagógica. "É a história de uma família que aprende a ver as coisas em uma nova perspectiva, do ângulo do outro; isso motiva o comportamento de todos e define o compromisso dos personagens, que é compreender e aprimorar uma situação que tem de levar ao bem-estar de todos."Como toda produção da Disney, Sutherland diz que A Pequena Sereia 2 dirige-se para platéias familiares. Nos EUA, também foi diretamente para o vídeo, sem passar nos cinemas. "É um produto que se propõe abrangente para toda a família." Mas ele sabe que, pelas próprias características da história, sendo Melody quem é, o filme termina sendo atraente para platéias pré-adolescentes, que podem se identificar com o mundo de sonhos da protagonista. Graficamente, ele acha que o filme parte das cores e desenhos do original para, com a ajuda do computador, propor um mundo submarino que seja ainda mais vibrante e cheio de credibilidade que o anterior.Sutherland esclarece o que lhe parece um equívoco generalizado. "As pessoas tendem a acreditar que o computador está substituindo a animação tradicional." Não é verdade, ele esclarece. O uso do computador permite um enriquecimento da perspectiva e dos movimentos de câmera, mas tudo continua sendo feito, previamente, à mão. "Não aposentamos o papel e a tinta; o que ocorre é que hoje esse material é escaneado no computador, enquanto no passado tínhamos de usar acetato, celulóide, aquela coisa toda." Para deixar bem claro, ele enumera as imagens que foram geradas em computadores nos recentes desenhos da Disney. ReproduçãoLarissa Cardoso é a dubladora da pequena sereia em portuguêsO tigre em Aladdin, os barcos em Pocahontas, os sinos em O Corcunda de Notre-Dame, a hidra com 33 cabeças em Hércules - essas imagens são todas digitalizadas. Em A Pequena Sereia 2, foram produzidas no computador as imagens em que Melody é envolvida no tubo das ondas, por exemplo. Sutherland acha que o computador também ajuda porque a presença dos objetos torna-se menos ostensiva. O espectador distrai-se menos com as cores e a disposição cênica. Mas ele espera que o desenvolvimento tecnológico, a nova era digitalizada, nunca afaste o público do prazer fornecido por um belo desenho tradicional.Seus desenhos preferidos são Tarzan e O Rei Leão. Jane, o jovem Simba e Scar representam, para ele, o supra-sumo da animação. Avaliando a evolução dos primeiros desenhos da Disney até hoje, ele acha que é impossível ignorar que a animação trilha novos rumos, propõe novos desafios. O que lhe agrada nos clássicos da Disney é o tempo da animação. Sutherland diz que há hoje uma tendência a editar não só os desenhos, mas os filmes de maneira geral, com cortes rápidos. Ele se lembra com saudade do tempo em que os personagens e situações permaneciam mais tempo em cena, não precisavam ser submetidos a um ritmo frenético. Mas aponta também o que considera mais positivo na evolução tecnológica - os movimentos e a anatomia perderam, ou estão perdendo, qualquer traço caricatural, o desenho torna-se mais preciso e verossímil.Nascido na Nova Zelândia, Sutherland acha o máximo os novos estúdios de animação que a Disney instalou na Austrália. E fala, claro, sobre a Olimpíada. "Preparamo-nos muito para ser sede desses jogos", diz. Lamenta que, no seu caso, a realização da Olimpíada esteja coincidindo com um tour promocional de A Pequena Sereia 2 que, esta semana, o levou à Espanha. Mas promete - "Vou estar ligado o tempo todo na TV para ver o máximo que puder."A Pequena Sereia 2 - O Retorno para o Mar. EUA, 2000. Em vídeo e DVD nas lojas especializadas. Preço médio do vídeo - R$ 19,90

Agencia Estado,

26 de setembro de 2000 | 19h14

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.