People + Artes exibe <i>O Tigre e o Dragão</i>, de Ang Lee

Ang Lee sabe das coisas. O diretor optou por filmar O Tigre e o Dragão (às 22 horas no People + Artes) totalmente em mandarim. Caso raro em Hollywood (o longa é uma co-produção China, EUA, Taiwan e Hong Kong). Pode parecer preciosismo, mas o detalhe faz diferença nesta história de duas guerreiras na China dominada pela dinastia Qing, há mais de 200 anos. O filme é uma homenagem de Lee ao wuxia pian, gênero que está para a China como o western, para os EUA. Em seqüências inacreditáveis, o diretor revela a influência que teve de mestres como King Hu, famoso diretor de wuxia pian em mandarim. A cena da luta sobre a floresta de bambus é referência ao clássico Xia Nu (A Touch of Zen), de 1975. A presença de atrizes como Cheng Pei-pei não é à toa. Cheng é Jade Fox, mestre da guerreira Yu Shu Lien (Michelle Yeoh). A atriz estrelou nos anos 60 vários clássicos do gênero. O título do filme em mandarim (Wo hu cang long) e inglês (Crouching Tiger, Hidden Dragon) faz referência a uma expressão que pede cuidado diante de perigos dissimulados ou pessoas que podem não ser o que parecem. Esta história esconde, entre belas cenas de ação entre duas mulheres que lutam pela honra, o desejo ferino de também lutar por suas liberdades individuais e pelo direito de amar quem bem quiserem.

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