Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

Pedro Almodóvar conta ter sofrido tentativa de abuso de padres na infância

Segundo o cineasta espanhol, sua experiência no colégio católico em que estudava foi "atroz", já que na instituição "havia muitos abusos"

Redação, Ansa

08 de maio de 2019 | 14h11

O cineasta Pedro Almodóvar revelou nesta terça-feira, 7, em entrevista à revista Vanity Fair, que sofreu tentativas de abuso sexual por "padres pedófilos" durante a infância.

De acordo com o diretor espanhol, a sua experiência no colégio católico que estudava foi "atroz", já que na instituição "havia muitos abusos".

"Uma experiência atroz. Fizeram de mim uma criança ignorante que passava o tempo cantando, com professores completamente inadequados para a tarefa. No colégio havia muitos abusos, especialmente entre as crianças mais novas. Eu tinha 10 anos e passava 24 horas por dia com meus colegas. No dormitório, à noite, conversávamos sobre nossas experiências, e pelo menos 20 crianças que viviam no colégio foram assediadas", contou Almodóvar.

O espanhol também revelou que sofreu tentativas de assédio, mas que "sempre conseguia escapar".

"Também tentaram comigo, mas eu sempre conseguia escapar. Havia um padre que sempre me dava a mão no pátio para beijá-la, mas nunca beijei aquela mão. Sempre fugi pelas arcadas do claustro. Quando eu estava sozinho, não andava, mas corria", disse Almodóvar.

O premiado cineasta também revelou que os rumores dos abusos ultrapassaram as paredes do colégio, mas nenhum dos religiosos foi punido. Segundo o espanhol, os sacerdotes foram enviados a um internato para adolescentes.

Almodóvar contou que os padres ajudavam uns aos outros e na única vez que falou sobre o assunto, durante uma confissão na igreja, o padre pediu ao espanhol "entender" e "não falar com ninguém" sobre as tentativas de abuso.

"Eu não sei se o papa está realizando uma revolução ou se ele não está fazendo nada. O que eu sei, é que ele não está fazendo o suficiente. Não apenas contra o abuso, mas também com tudo o que tem a ver com a sexualidade dos padres", criticou o diretor.

Com quase 70 anos de idade, o filme Pain and Glory, dirigido pelo cineasta espanhol, está concorrendo ao principal prêmio do 72.º Festival Internacional de Cinema de Cannes, a Palma de Ouro. O festival será realizado de 14 a 25 de maio.

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