Peça ?Monstros Peludos? vira filme

Se à noite o músico Guga Stroeter se dedica exclusivamente aos ensaios das novas versões dos Heartbreakers, durante o dia aproveita o tempo para um trabalho completamente diferente: a negociação para levar ao cinema uma versão de Monstros Peludos, uma peça infantil que, em seguida, resultou em uma versão em livro.O músico deverá encontrar-se com Paula Lavigne, mulher de Caetano Veloso, que pretende produzir a versão cinematográfica. "Eles leram a história do livro para seu filho Zeca, e gostaram muito. Como já havia uma versão para o teatro, decidiram investir no cinema", explica Guga, que jantou com Paula e Caetano, em Salvador, no início do ano, quando trataram das preliminares da adaptação.Foi o primeiro contato e agora o músico deverá ter outra reunião com Paula Levigne, no Rio de Janeiro, para assinar um contrato que vai viabilizar a primeira versão do roteiro. "Eu vou escrever esse primeiro texto, que depois deverá ser apreciado pelos produtores", conta Guga.Monstros Peludos ganhou o Prêmio Coca-Cola de incentivo ao teatro, no ano passado, e cumpriu temporada no Teatro Brasileiro de Comédia. Em dezembro, o texto foi adaptado para um livro, editado pela Nova Fronteira, com ilustrações de Gisela Moreau.Trata-se da história de um reino em que, toda vez que há festa, uma moça bonita é transformada em monstro. O problema cresce quando a filha do rei é a escolhida no dia de seu casamento. Para evitar a transformação, o rei e seu noivo armam diversas confusões até um desfecho surpreendente. "Procurei falar dos sentimentos que atrapalham o convívio dos homens, como o egoísmo e a ganância pelo poder, em uma história complexa e cheia de transformações", explica o músico.Guga pretende incluir uma trilha sonora com diversas canções no filme. "Como é um conto de fadas, pode ser adaptado de várias maneiras", acredita ele, que já dispõe de uma série de alternativas - enquanto Caetano e Paula pretendem ambientar o reino em uma cidade do Nordeste, Guga é aconselhado também, por amigos, a não definir a localização. "Mas ainda não defini minha escolha".O músico acumula um relativa experiência com teatro, em que foi responsável pela trilha sonora do musical Emoções Baratas. Atuou também em Nijinsky e foi músico de uma banda que tocou nos espetáculos de Patrício Bisso. A decisão de escrever um texto para teatro infantil, porém, partiu de um motivo totalmente prático: "Como se trata de uma atividade que normalmente ocorre à tarde, foi mais fácil para mim, pois à noite estou envolvido com o trabalho da banda". (U.B.)

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