Selmy Yassuda
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Paulo Betti fala de 'Chatô', filme sobre Assis Chateaubriand

Produção arrastada durante anos, ela deve chegar aos cinemas em novembro

Por Amilton Pinheiro, Especial para O Estado de São Paulo

18 Outubro 2015 | 18h53

O diretor e ator Guilherme Fontes fez recentemente uma exibição privada do seu polêmico filme Chatô, o Rei do Brasil, no Rio de Janeiro. Estiveram presentes na projeção, além do diretor, os atores Paulo Betti e Gabriel Braga Nunes e pessoas ligadas à produção. O diretor, em entrevista ao Estado, publicada em maio, tinha garantido que o filme estava pronto e que ia lançá-lo entre junho e julho. “Estamos fechando as negociações para o lançamento. O plano é dispor de 150 a 300 cópias nos principais mercados já no primeiro semestre”, o que não aconteceu.

Um dos personagens mais importantes do filme é Getúlio Vargas, interpretado pelo ator Paulo Betti, que falou, por telefone, com exclusividade para o Estado. Disse que gostou do que viu. “Chatô, o Rei do Brasil é bem filmado, tem uma produção impecável, os atores estão bem e lindamente vestidos, tem uma bela fotografia, sem parecer um filme de época e as marcações do Guilherme [Fontes] são ousadas”.

Entramos novamente em contato com Guilherme Fontes, depois da conversa com Paulo Betti e ele respondeu, por e-mail que “agora vai. Lançaremos [o filme] em novembro. Estou fechando com a assessoria para organizar tudo”. Enfim, Paulo Betti, que acabou de rodar o seu novo longa A Fera da Selva, inspirado no livro homônimo de Henry James, onde atua ao lado de Eliane Giardini, fala sobre o filme de Guilherme Fontes, a produção que durou 20 anos para chegar nos cinemas.

Quem estava nessa sessão privada do filme Chatô, o Rei do Brasil, que o Guilherme Fontes fez no Rio de Janeiro há alguns dias?

Eu, Gabriel [Braga Nunes], Guilherme Fontes e duas ou três pessoas do making off, que não conhecia. Mas de conhecido éramos nós três.

Teve alguma cena do filme que lhe marcou?

Foram várias, mas a cena da morte do Getúlio Vargas ( papel vivido pelo ator) é muito bonita. Outro ponto forte do filme são as interpretações, todas meio farsescas. As atrizes Andrea Beltrão e Eliane Gardini estão lindas. Tem a Leandra Leal bem novinha.

Você ainda estava casado com Eliane Giardini?

Sim. Ela de fato está linda no filme.

Quais os sacrifícios que você teve que fazer por conta da demora da produção, que teve que parar algumas vezes?

Fiquei com o corte do cabelo do personagem durante dois anos. Tive que raspar o cabelo na testa por dois anos. Nessa época fiz uma novela e para manter o mesmo o corte, tive que usar peruca para o meu personagem. Ia raspando o cabelo para o personagem do Getúlio e para usar a peruca para o meu personagem da novela, foi uma loucura.

Que outras loucuras você teve que passar nesse período?

Como tive que ficar com a cabeça raspada como um índio tapajó, fui cortando o cabelo durante esse tempo. Um problema foi quando tive que correr atrás de patrocínio para o meu filme que ia fazer, Cafundó (que Paulo dirigiu com Clóvis Bueno). Fiquei meio que estigmatizado por conta daquele corte, tudo por sacrifício ao meu Getúlio Vargas (risos).

Esse ano você teve que voltar ao personagem Getúlio Vargas para fazer uma cena. Que cena foi essa?

Fiz o discurso da carta-testamento do Getúlio. O Gabriel Braga Nunes teve que refazer cenas há uns dois, três meses (Gabriel faz o personagem Rosenberg, amigo do Chatô).

Você aparece ou foi a cena do discurso em off

A cena é feita em off, mas eu apareço de silhueta.

Como o filme é narrado?

O personagem do Chatô tem um AVC, aí ele começa a lembrar de episódios marcantes da vida dele, contadas de forma surrealista num programa de tevê, apresentado por um personagem meio Silvio Santos, meio Chacrinha. Tem esse programa de tevê e mostrado depois como um julgamento. O filme é farsesco e tropicalista. Tudo é muito convulso, porque as coisas saem da cabeça do (Assis) Chateaubrind.

O que você achou do filme?

Não sou crítico de cinema, nem nada, mas um crítico verdadeiro pode achar o filme maravilhoso, outro, claro, pode dizer que é uma merda. Chatô, o Rei do Brasil é bem filmado, tem uma produção impecável, os atores estão bem e lindamente vestidos, tem uma bela fotografia, sem parecer um filme de época e as marcações do Guilherme (Fontes) são ousadas.

E a vinda de Francis Ford Coppola para participar do filme, que depois virou um dos pontos mais polêmicos da tumultuada produção, o que você achou?

Quando o Guilherme trouxe o Coppola, todo mundo adorou, teve muita gente aproveitou para se encontrar com o diretor ([durante a passagem dele pelo Rio de Janeiro), etc. Ele ficou no Copacabana Palace, lindo, e isso, custou para produção de filme uns US$ 100 mil dólares. Depois essas mesmas pessoas acharam que estava errado ter trazido o diretor Coppola, quando já tinham curtido com o diretor.

O que você acha da polêmica que envolveu o filme e a cobertura da imprensa nesses anos todos?

O que sei é que Guilherme foi massacrado, crucificado, pela crítica, por todo mundo. Ele foi tratado como se fosse um ladrão, um escroque. O interessante é que o filme mostra dinheiro gasto, mostra produção, ou seja, se investiu dinheiro na produção.

O montante do dinheiro levantado pela produção (8,6 milhões de reais)?

Não sei, o que sei é que tinha muito dinheiro na produção, é uma bela produção. Para você ter uma ideia, têm cenas com mais de dez carros de época, com uma multidão de figurantes, cenas grandiosas. Aqui (no Brasil) é assim, acusam para depois saber se você tem culpa ou não, é uma merda.

Por conta desses 20 anos, desde a compra dos direitos do livro homônimo de Fernando Morais, as filmagens e interrupções da produção, você acha que o filme ficou datado?

Não, estou falando sério, o filme é bacana, muito legal, nada de datado. Se ele tivesse sido lançado na época seria a mesma coisa de lançá-lo hoje. O filme cobre a vida de Chatô e tudo é tratado de uma forma tropicalista, trazendo passagens marcantes da vida dele.

Quando você vai trazer a peça Autobiografia Autorizada para São Paulo, capital? (a peça foi escrita pelo próprio ator)

Vai chegar aqui em breve, já apresentei em algumas cidades do estado de São Paulo.

Fale um pouco do filme A Fera da Selva, seu segundo longa como diretor, que rodou recentemente no interior de São Paulo. O filme é baseado na novela homônima do escritor Henry James?

Acabei de rodar em duas cidades do interior, Salto, onde nasceu Anselmo Duarte e Sorocaba. Filmei um mês e meio nessas duas cidades. O filme ficou lindo. Eu dirijo e atuo ao lado da Eliane Giardini. O filme é baseado nessa novela do Henry James. Interessante que o diretor Walter Lima Júnior, fez um filme baseado em outra obra do escritor (o filme se chama Através da Sombra, e é baseado no livro A Volta do Parafuso, que passou recentemente no Fest Rio)., Muita coincidência dois diretores brasileiros se basearem em dois livros do escritor Henry James.

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