Macall Polay/Warner Bros. Pictures
Macall Polay/Warner Bros. Pictures

Análise: Parece difícil que estreie um filme mais vibrante que 'Em um Bairro de Nova York' no ano

O musical de Jon M. Chu baseia-se na peça de Lin-Manuel Miranda, que começou off-Broadway, In the Heights, e terminou virando fenômeno que Chu agora quer repetir na tela

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2021 | 05h00

Há muita expectativa pelo remake de West Side Story, o musical de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, por Steven Spielberg. A primeira versão, em 1961 – Amor, Sublime Amor –, recebeu nada menos de dez Oscars da Academia, incluindo os de filme e direção, este atribuído à dupla Robert Wise e Jerome Robbins. Remake ou reboot? Spielberg pode não ser do ramo, mas o número musical na abertura de Indiana Jones e o Templo da Perdição mostra que ele leva jeito. Está, de qualquer maneira, numa sinuca de bico. 

O lançamento de West Side Story está sendo atropelado pela estreia de Em Um Bairro de Nova York. O musical de Jon M. Chu baseia-se na peça de Lin-Manuel Miranda, que começou off-Broadway, In the Heights, e terminou virando fenômeno que Chu agora quer repetir na tela. Chu, só para lembrar, dirigiu Podres de Ricos, que fez história como raridade, produzido por um grande estúdio e interpretado inteiramente por asiáticos. Talvez não seja despropositado dizer que o filme abriu uma vertente pela qual trafegaram Parasita, Minari e Nomadland nos Oscars de 2020 e 21. 

O bairro de Nova York em que se passa a história é Washington Heights, habitado pela comunidade latina. Começa com o carinha, Usnavi/Anthony Ramos – a origem do nome é engraçada –, que conta sua história para um grupo de crianças. Seu sonho é voltar para a República Dominicana, onde viveu seus momentos mais felizes, com o pai. Usnavi está instalado num quiosque de praia, o que induz o espectador a uma conclusão. Na verdade, a história e seu desenlace são outros. Na comunidade étnica de Washington Heights, todo mundo tem seu sonho. Usnavi ama Vanessa, e o dela é se mudar para Manhattan e cursar a faculdade de design. Vanessa quer ser estilista. 

Nina, na ficção, é filha de Jimmy Smits, o ator de Gringo Velho, com Jane Fonda e Gregory Peck, de 1989. Considerada a cabeça de Washington Heights, por sua excepcional inteligência, a garota não aguenta a pressão, e o racismo estrutural, em Princeton. De volta à casa, reencontra Benny e temos o outro casal. O filme ainda tem a ‘abuela’, que se sente responsável por toda a comunidade. Todos esses personagens afirmam suas etnias com canto, dança e muito ritmo. West Side Story, sem dúvida, mas isso é só parte da história. 

Faltam dois elementos importantes – o calor insuportável desse verão e a ameaça de apagão que promete deixar o bairro às escuras. Só para lembrar, nos anos 1960, a Big Apple sofreu um apagão e o fato originou a comédia Onde Você Estava Quando as Luzes se Apagaram?

Amor, Sublime Amor foi feito por uma dupla de cineastas brancos. Chu leva os embates étnicos da frente para trás das câmeras. Difícil não lembrar Spike Lee. Faça a Coisa Certa – outro dia de calor intenso em Nova York. Os ânimos estão exaltados, os conflitos explodem. E por todo o bairro de Spike, os registros de água são estourados. No de Chu, as ruas molhadas viram palco de coreografias espetaculares, com cada grupo exaltando sua bandeira – México, Cuba, República Dominicana, etc. Feito sob a presidência de Donald Trump, o filme chega aos cinemas sob Joe Biden. Ainda teremos Spielberg, mas parece difícil que surja outro filme mais vibrante neste ano. 

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