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'Para o Outro Lado' propõe a integração sem traumas dos mundos dos mortos e dos vivos

Longa é dirigido por Kiyoshi Kurosawa

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2015 | 20h10

Há uma longa tradição de fantasmas no cinema japonês. Eles aparecem integrados ao mundo dos vivos em filmes de grandes diretores como Kenji Mizoguchi (Os Contos da Lua Vaga) e Masaki Kobayashi (As Quatro Faces do Medo). Kiyoshi Kurosawa, apesar do nome ele não tem parentesco com Akira, já contou histórias de fantasmas, mas elas se inscreviam, no contexto do cinema de gênero. Eram filmes de horror. Fantasmas que assustavam. Algo agora se passa e é a integração dos fantasmas em Para o Outro Lado.

Eles não assustam mais, e também, ao contrário das obras de Mizoguchi e Kobayashi, a história não é de época, inscrita na tradição, mas contemporânea. Numa entrevista em Cannes, em maio – Para o Outro Lado ganhou o prêmio de direção na mostra Un Certain Regard –, Kurosawa disse que se encantou com o livro de Kazumi Yumoto. Uma mulher não consegue concluir o luto pelo marido que desapareceu no mar. Vive amargurada, triste.

O marido volta. E propõe à mulher que o acompanhe numa viagem. Visitam lugares e personagens dos quais ela mal sabia a existência. No processo, a viúva descobre coisas sobre o companheiro (e sobre si mesma). Neste filme minimalista, seria fácil forçar a emoção. O diretor evita o recurso. Já foi chamado de frio, distanciado. Mas o estranhamento que cria faz sentido no quadro do desfecho que propõe. A química do seu casal de atores (Eri Fukatsu e Tadanobu Asano) é forte. É um belo filme. Exige um olhar especial. Não é para quem só espera susto e medo diante do sobrenatural. O de Kyoshi, desta vez, parece bem natural.

 

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