EFE/Kiko Huesca
EFE/Kiko Huesca

Para Hugh Jackman, Mandela é um grande exemplo para abordar o assédio sexual

Ator está promovendo o filme 'O Rei do Show', sua nova incursão no campo dos musicais

EFE

04 Dezembro 2017 | 12h11

MADRI – Em uma visita relâmpago a Madri para promover o filme The Greatest Showman (O Rei do Show), sua nova incursão no campo dos musicais, o ator australiano Hugh Jackman citou Nelson Mandela como uma referência quando abordamos a avalanche de denúncias de assédio sexual que surgiram em decorrência do escândalo envolvendo Harvey Weinstein em Hollywood

“Quando Mandela saiu da prisão, depois de 27 anos, e viver sob o Apartheid, a primeira medida que adotou foi criar uma comissão de da verdade e reconciliação, gerando um ambiente em que vítimas e agressores tiveram oportunidade de falar abertamente a respeito, e deixar que o veneno ventilasse, disse o ator em um encontro com a imprensa espanhola.

“Graças a isto a África do Sul fez sua transição e evitou uma guerra civil. Creio que este é um grande exemplo de como podemos tratar este problema”, acrescentou o ator, que disse estar muito impressionado com a coragem das pessoas que tomaram a iniciativa e se manifestaram”.

Em sua opinião esse ajuste de contas que vem ocorrendo tinha de acontecer e é uma oportunidade para se levar a sério o problema do assédio sexual, não apenas em Hollywood, mas no país inteiro. 

Hugh Jackman, que neste ano despediu-se do seu personagem Lobezno em X-Men, vem promovendo o filme The Greatest Showman, musical baseado na vida de P.T. Barnum, um pioneiro da indústria do espetáculo nos Estados Unidos e em especial no campo do chamado “show de aberrações”, ao reunir em cena anões, mulheres barbudas, equilibristas e todo tipo de personagens pouco convencionais com o fim de impactar o público. A história real se desenrola no final do século 19, mas a cenografia do filme é contemporânea, com músicas pop, compostas pelos autores da trilha sonora de La La Land, com a direção de Michael Gracey e Michelle Williams e Zac Efron no elenco.

Jackman, que conseguiu sua primeira indicação ao Oscar por outro musical, Os Miseráveis, e durante cinco anos não saiu dos palcos da Broadway cantando e dançando, disse que começou a trabalhar no projeto há sete anos. Na época a idéia era narrar uma “história sobre o setor de entretenimento e um personagem que acreditava na imaginação, no talento e no trabalho duro”. 

Em sua opinião, contudo, o atual clima político exige que a mensagem sobre a tolerância e aceitação do que é diferente fique em primeiro plano.

“Barnum foi o primeiro a afirmar que o que o faz diferente o torna especial. E com o ambiente político que vivemos hoje, não apenas nos EUA, mas na Austrália e na Europa, quando decisões são motivadas pelo medo, a mensagem do filme é que não coloquemos nossa energia na construção de muros, mas em nos compreendermos”, afirmou. 

Mais além das conexões políticas, Jackman insistiu na idéia de que as pessoas empregam “energia demais” tentando se ajustar a um estereótipo,  do que é “cool”, faz sucesso ou é aceito socialmente, em vez de serem fiéis a si mesmas.

Embora tenha passado somente algumas horas em Madri, o ator afirmou que é um admirador da Espanha, que visitou pela primeira com 18 anos de idade, em pleno verão e sem dinheiro.

“Eu me apaixonei pelas pessoas, a música, a comida e o estilo de vida. Tive a impressão de que aqui as pessoas trabalham para viver e não vivem para trabalhar. O museu do Prado é o meu favorito, gosto de tudo, até do leitãozinho”, gracejou.

Pessoalmente, suas prioridades são claras. “Minha prioridade é minha família, meu pai sacrificou-se pelos filhos, e quando me casei minha mulher e eu colocamos o casamento estava em primeiro lugar e quando tivemos filhos, a prioridade passou a ser a família, embora nem sempre fazemos o certo, às vezes nos equivocamos”, declarou.

Sorridente e sedutor, Hugh Jackman é a imagem do homem perfeito, mas, respondendo a um jornalista, disse que tem alguns defeitos.

“Sou péssimo em trabalhos manuais. Posso trocar uma lâmpada, mas não muita coisa mais. Mas sou bom na cozinha. Lamento."

Tradução de Terezinha Martino 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.