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Para encerrar Cannes 2009, o estilo de Coco Chanel

'Coco Chanel & Igor Stravinsky' será exibido para o público no domingo, após a premiacao do Festival de Cannes

Flávia Guerra, de O Estado de S. Paulo,

23 de maio de 2009 | 12h30

2009 parece ser mesmo o ano de reviver Coco Chanel no cinema. Depois de Coco Avant Chanel (Coco Antes de Chanel), que ja está em cartaz na Europa e chega em outubro ao Brasil, ‘e a vez de Coco Chanel & Igor Stravinsky contar mais um ponto da vida da estilista francesa. Baseado no romance de Chris Greenhalgh, Coco & Igor (2002), o longa-metragem, dirigido por Jan Kounen, fecha no domingo, 24, a cerimônia de encerramento do Festival de Cannes 2009 e foi exibido na manhã deste sábado, 25, para a imprensa mundial.

 

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Ainda que omita passagens cruciais da juventude de Gabrielle  ‘Coco’ Chanel, o filme narra o romance entre a estilista e o compositor russo Igor Stravinsky (interpretado pelo ator dinamarquês Mads Mikkelsen). Se em Coco Avant Chanel, Chanel é vivida por Audrey Tatou (de O Fabuloso Destino de Amelie Poulin), desta vez é a também francesa Ana Mouglalis quem entra literalmente nas roupas da estilista mais controversa da historia.

 

Como não poderia deixar de ser, o figurino e a composição de época saltam aos olhos do espectador. Alem de uma minuciosa pesquisa do guarda-roupa de Coco, o que dá ao filme um rigor fashion de encher os olhos, o estilista Karl Lagerfeld, que hoje está à frente da grife Chanel, cuidou pessoalmente do figurino da atriz Ana Mouglalis. O resultado se vê na tela. Além do clássico tailleur tricolor, camisas, cardigans, pantalonas e tricôs, casaquetos, entre outras peças, roubam a cena.

 

Já quanto à trama, como manda a historia de fato, Coco se apaixona não só por Igor, mas também por sua arte. Tudo começa quando ela vai assistir a uma apresentação de A Sagração da Primavera, no Teatro Champs-Elysées, em 1913. Com criação musical de Stravinsky e coreografia de Nijinsky, a apresentação histórica foi um tumulto. Em vez de aprovar o espírito ‘avant garde’ de Stravinsky, o publico da época condenou a quebra de padrões e literalmente vaiou os artistas que se apresentavam.

 

Chanel, em vez de fazer coro, aplaudiu e fez questão de ir ate o camarim de Igor para cumprimentá-lo. Anos depois, eles voltaram a se encontrar, quando Boy (o primeiro amor da vida da estilista) já havia morrido e Coco passava por uma fase de tristeza profunda. Coco, ao saber que Stravinsky, um dos maiores compositores do século passado, passava por uma fase financeira complicada, acaba se oferecendo para ser uma espécie de mecenas dele. E o músico vai morar com a família, em uma casa de campo da estilista. É então que uma relação de difícil equilíbrio se inicia. Ao mesmo tempo em que se torna a benfeitora da família Stravinsky, Coco também se torna amante do músico.

 

Não é preciso dizer que o caso é descoberto pela mulher de Stranvinsky e que, quando se vê diante da duvida entre optar por sua família ou pela paixão por Coco, o musico entra em produnda crise.

 

Tudo isso poderia parecer puro folhetim não fosse Coco a protagonista. Em vez de imoral, ela era amoral. É incapaz de sentir culpa pelo affair, como bem responde quando Catherine, mulher de Stravinsky, diz que sabe do caso. Independente, apaixonada por seu trabalho e, obviamente, avant garde, Chanel é por vezes tomada como impiedosa e cruel. Mas há que se saber mais de sua vida e seus métodos para entender melhor sua persona. Não só dois, mas talvez dezenas de filmes seriam necessários para retratar de fato esta que é uma das maiores personalidades femininas do século 20.

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