"Papai Noel às Avessas" critica sociedade americana

Pelo título é fácil perceber que Papai Noel às Avessas, longa de Terry Zwigoff que estréia hoje no Brasil, é um filme de Natal que não reza exatamente pelo espírito natalino. Zwigoff, com certeza, viu filmes como Gremlins, de Joe Dante, que também subverte o espírito de fraternidade do Natal, por meio da história dos monstrinhos que arrasam com a pequena cidade do interior dos EUA, em pleno dezembro.O Papai Noel de Zwigoff, interpretado por Billy Bob Thornton, é um lixo humano que o cineasta filma para investir contra um dos mitos da civilização ocidental, atacando-o em toda a sua complexidade, já que se refere à economia, à família e à religião. A primeira constatação, e a mais necessária, é que, se o diretor não acredita no mito do Papai Noel, acredita menos ainda no gênero humano. Daí a sua recusa insistente a acreditar no sonho, como fazem outros filmes em cartaz - como O Expresso Polar, de Robert Zemeckis. Cínico e abusado, o Papai Noel de Zwigoff (e Thornton) é um bêbado que não perde nenhuma chance de provar o quanto é abjeto, mas tenta, apesar disso, manter-se simpático para o espectador. Um Papai Noel canalha? Sim e sob medida para expressar o que o diretor pensa da sociedade consumista, onde até as crianças já estão tão corrompidas que se entopem de comida e ficam obesas para compensar a falta de amor e carinho dos pais. É o horror, o horror, mas para o cineasta é só o retrato de uma sociedade hipócrita para a qual até o sentido do Natal não passa de mera aparência.

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