Papa ataca ´matrimônio à italiana´ proposto no cinema

O clássico Matrimônio à Italiana, de 1964, em que Marcello Mastroianni é ludibriado e forçado a se casar com sua amante, Sophia Loren, já era um bom indicativo de que o sacramento estava longe do ideal da Igreja Católica na Itália. Mas, enquanto o papa Bento XVI criticava os planos "subversivos" para o reconhecimento de uniões estáveis e homossexuais, novos dados mostram uma queda constante no número de italianos que sobem ao altar. Houve apenas 250 mil casamentos na Itália em 2005. No início dos anos 1970, o número chegou a 400 mil. Já a quantidade de casais "de facto" que se beneficiariam com a nova lei mais que dobrou em uma década, atingindo meio milhão. "A incidência de crianças nascidas fora do casamento é hoje de 15 por cento, ou quase 80 mil nascimentos ao ano, quase o dobro da taxa de uma década atrás", disse a agência nacional de estatísticas. Isso deve irritar ainda mais a Igreja, que exerce grande influência sobre a sociedade e a política italiana. Só se vai saber a exata extensão da fúria da Igreja quando o Parlamento começar a debater as novas regras para a união estável propostas pela esquerda. Críticas do papa "Nenhuma lei feita pelo homem pode subverter a lei feita pelo Criador sem que a sociedade tenha suas fundações drasticamente danificadas", disse o papa a acadêmicos católicos que se reuniram para um seminário sobre "lei natural". A Igreja acredita que o casamento só pode ser composto por um homem e uma mulher, e qualquer outra coisa "puniria as crianças, enfraqueceria a família e minaria o futuro da sociedade com leis que contrastam claramente com a lei natural". A lei proposta pelo governo esquerdista da Itália reconheceria as uniões entre gays e casais heterossexuais não casados, garantindo-lhes direitos como os de herança e de seguridade social. Mas não chegaria a permitir o casamento gay. Aqueles que são contra a proposta afirmam que ela não passa de um "cavalo de Tróia" para introduzir o casamento gay na Itália, e prometem combatê-la no Senado, onde o governo só tem maioria por uma cadeira.

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