MARCIO FERNANDES|ESTADAO
MARCIO FERNANDES|ESTADAO

Paolla Oliveira estreia com força no filme 'Em Nome da Lei'

Atriz soma força dramática à beleza no longa de Sergio Rezende

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2016 | 06h00

Félix demorou todo aquele tempo para dar o primeiro beijo gay da história (da Globo) em Amor à Vida, a novela de Walcyr Carrasco. O juiz de Em Nome da Lei, o longa de Sergio Rezende que estreia na quinta, 21, em salas de todo o Brasil, tem pressa. Toma vinho com a procuradora e, ao deixá-la na porta do quarto do hotel, vai logo perguntando – “Me convida para entrar?” Mateus Solano revela uma nova faceta de seu talento no filme de Rezende. Mais tarde, tem um pega bem bom com a procuradora. Solano adora a definição – “Pega bom? Você sabe como essas cenas são feitas. Tem sempre um monte de gente no set e tem a luz, o ângulo, a coreografia da perna, da mão. Se há uma coisa que não existe no sexo na tela é tesão.”

E o sexo, de qualquer maneira, nunca é o que mais importa no cinema de Sergio Rezende. Ele pode até estar lá, mas as histórias retraçam a História (a maiúscula), falam de política, de direitos, de comprometimento. Em Nome da Lei passa-se na fronteira entre Brasil e Paraguai. Mateus Solano é o juiz que chega e descobre que aquela terra tem dono. Assim como quer ir logo para a cama com a procuradora, quer prender o bambambã que manda no lugar. Corrupção, violência. A procuradora pede calma, e não porque seja conivente. Toma um balaço. Paolla Oliveira, de 34 anos, é quem faz o papel. Olhe aí as fotos. É assombrosamente bela, uma das mulheres mais lindas do Brasil. Na TV, já ensaiou uma prostituta. No cinema, só faz mulheres positivas. A procuradora de Em Nome da Lei, a mestra de A Professora Maluquinha, adaptado de Ziraldo. A professora fugia com o padre, sem perder a virtude. E o filme, infantojuvenil, não tinha nem sombra das ousadias gráficas do sexo atual. Paolla não acha que um papel seja mais intenso que o outro. “Procuro fazer com a mesma entrega. Como atriz, sinto sempre que tenho de defender minhas personagens, dar tudo de mim para que o espectador viaje nas emoções das histórias que estou ajudando a contar.”

Como atriz, é assim que Paolla se sente – uma contadora de histórias. As de A Professora Maluquinha e Em Nome da Lei são histórias que precisam ser contadas. “Estamos vivendo um momento delicado, mas tenho a impressão de que, independentemente disso, o conflito ético que está na essência do filme de Sergio (Rezende) é muito importante.” A procuradora foi para esse lugar no fim do mundo porque é arrimo de família, precisa ajudar a mãe e essa era a oportunidade à mão. A personagem tem uma motivação, um conflito interno. E existe o fator externo – a fronteira.

“Na preparação do filme, o Sergio não falava só da vida interior dos personagens e das situações em que se envolvem. Por exemplo, até que ponto Vítor (juiz) está certo agindo daquele jeito? Tem uma cena em que minha personagem, Alice, o acusa de estar colocando em risco todo um trabalho que já vinha sendo feito.” A paisagem é decisiva. A fronteira de Em Nome da Lei não é só um lugar geográfico. Numa cena tem uma perseguição, o bandido corre, atravessa uma rua e está a salvo, em outro país. “A fronteira é um conceito muito mais amplo. Entre o bem e o mal, o certo e o errado, a Justiça e a corrupção, a ética e a violência. Foi um filme que a gente fez com muita consciência de todos esses detalhes porque Sergio é um cara que pensa, conceitua. Não faz filmes por fazer. Foi uma experiência muito rica, muito bacana.”

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Para o espectador que vai assistir a Em Nome da Lei, é muito provável que exista um elo muito forte entre o juiz da ficção e o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. Sergio Rezende descarta. “Em Nome da Lei inspira-se no juiz federal Odilon Oliveira, que se tornou referência ao combater o crime organizado no Mato Grosso do Sul, quase fronteira com o Paraguai. Quando escrevi o roteiro, o homem era Joaquim Barbosa, no Supremo. A Lava Jato surgiu muito depois”, avalia o diretor. Paolla diz que, mesmo não sendo inspirado no juiz Moro, o filme tem seu tempo e, inevitavelmente, vai se inscrever nessa discussão de valores que agita o País. “A gente chegou a discutir uma questão que, espero, não passe despercebida. O filme não idealiza seus personagens positivos. No final, o juiz se olha no espelho e a gente percebe como ele é vaidoso. É muito fácil radicalizar, criar verdades absolutas. Mesmo defendendo minhas personagens, quero que sejam reais, não fantasias.”

Paolla roda, a seguir, em São Paulo, um longa sobre o confisco de dinheiro no governo de Fernando Collor de Mello. “É um roteiro muito forte, sobre personagens cujas histórias são costuradas por aquela outra crise que atingiu tanta gente.” E a TV? O próximo papel será mesmo na novela de Glória Perez que vai se seguir à de Maria Adelaide Amaral, depois de Velho Chico? “É muito louco porque ninguém me falou nada na Globo e eu fico sabendo, através da imprensa e das redes sociais, que estou sendo reservada para fazer a novela da Glória (Perez). Já ouvi até dizer que os trabalhos começam no fim do ano. Estou na expectativa, porque a ideia me agrada. A Glória é, assumidamente, uma autora de folhetins, mas cria mulheres maravilhosas. Mesmo quando são frágeis, as personagens dela são verdadeiras. Será uma oportunidade e tanto de poder trabalhar com uma autora que respeito.”

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