Andrew Medichini/ AP
Andrew Medichini/ AP

Panorama do Cinema Suíço começa hoje com homenagens a Bruno Ganz e Alain Tanner

Ao todo, serão exibidos 14 documentários e ficções que procuram expressar a diversidade da produção suíça contemporânea

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 16h47

Mais um grande evento de cinema ganha versão remota e começa nesta quinta, 27, na plataforma do Sesc Digital. Dessa vez é o oitavo Panorama do Cinema Suíço, que chega cheio de novidades e homenagens a dois grandes - o ator Bruno Ganz, que morreu em fevereiro, e o diretor Alain Tanner, que fará 91 anos em dezembro. Tanner já foi homenageado pela Mostra em 2017. Será possível rever dois de seus filmes mais importantes - Cidade Branca, com Bruno Ganz, e Charles Morto ou Vivo.



A programação, totalmente online, inicia-se às 8 da noite, e de forma gratuita, com Praça Needle Bay, de Pierre Monard. O longa de ficção é totalmente inédito no Brasil, tendo sido – ou sendo, ainda – o maior sucesso de público do cinema suíço neste ano. O tema não poderia ser mais urgente – passa-se em Zurique, em 1995, e aborda a questão da droga e seus efeitos na vida social. A mais de um crítico fez lembrar Panic in Needle Park/Os Viciados, de Jerry Schatzberg, com Al Pacino em seu primeiro grande papel, como dependente de drogas no parque das agulhas do título.

Ao todo, serão exibidos 14 documentários e ficções que procuram expressar a diversidade da produção suíça contemporânea. Outros destaques inéditos da programação – No Meio do Horizonte, drama familiar de Delphinev Lehericey, que venceu o prêmio de melhor ficção na Academia Suíça, A Jornada, de Fanny Brauning, que venceu como melhor documentário e acompanha um casal, ele fotógrafo e ela tetraplégica, numa viagem de descoberta pelo mundo. Duas histórias de superação ganham tratamentos diversos. Um Perfume de Liberdade, de Ruedi Leuhtold e Beat Bieri, aborda como documentário o esforço de Ulrich Gurtner para agrupar as pessoas em torno à criação de uma cooperativa de produtores de café na Guatemala, e A Voz da Floresta, de Niklaus Hilber, dá tratamento ficcional à luta de outro ativista suíço, Bruno Manser, em defesa da tribo Penan, na selva de Borneu.


 

A CIDADE BRANCA, um filme de Alain Tanner from Medeia Filmes on Vimeo.


Mas o top são mesmo as homenagens. Tanner foi um dos fundadores – com Claude Goretta, que já morreu – do ativíssimo Cineclube de Genebra, embrião da Cinemateca e do Groupe 5, que alavancou a produção no país. Estudou cinema na Inglaterra e voltou à Suíça para se converter num dos mais originais autores do país. No Dicionário de Cinema, Jean Tulard diz que se trata de um intelectual engajado, cujo gosto pelo distanciamento faz lembrar Brecht. No fim dos anos 1960, Charles Morto ou Vivo colocou um tema visceral da época – a alienação individual, num período que se pretendia revolucionário – até o limite da loucura. Charles tenta escapar a toda representação social. No prosseguimento dessa tendência, Tanner chegou a Jonas Que Terá 25 Anos no Ano 2000, em 1976. É a sua fábula ecológica sobre a utopia.

A Cidade Branca, de 1982, mostra Bruno Ganz como marinheiro que se estabelece em Lisboa. Da janela de seu quarto, ele vê o movimento das embarcações, faz pequenas filmagens, escreve cartas à mulher. Envolve-se com outra. A representaçãso de Lisboa, as cartas, a duplicidade do amor, tudo evoca uma fantasmagoria à Fernando Pessoa. Uma outra visão de Lisboa é o que oferece Basil da Cunha em O Fim do Mundo, obra crítica e vigorosa. A programação inclui também dez curtas divididos em duas seções, e uma delas destina-se ao público infantil. Todos os filmes estarão disponíveis por períodos que variam de 24 horas a cinco dias.

 

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