Palma de Ouro pode ficar com cineastas ibero-americanos

Na reta final do 59.º Festival de Cinema de Cannes, Volver, do espanhol Pedro Almodóvar, e Babel, do mexicano Alejandro González Iñarritu, aparecem como favoritos para ganhar a Palma de Ouro no próximo domingo.O troféu não vai para um filme falado em espanhol desde 1961, quando o espanhol Luis Buñuel foi o vencedor com Viridiana.Almodóvar e as atrizes Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Donas e Blanca Portillo estão na boca de todos os analistas desde a exibição do filme no dia 19, que arrancou longos aplausos do público.Em 1999, Almodóvar concorreu à Palma de Ouro por Tudo Sobre Minha Mãe, mas teve que se conformar com o prêmio de melhor diretor. Este ano, parecia ser o vencedor antecipado até que o filme de Iñárritu foi exibido na terça-feira, também arrancando aplausos entusiasmados.Agora Babel divide com Volver as apostas da imprensa especializada. Já Penélope Cruz continua à frente das preferências como possível ganhadora do prêmio de melhor atriz.Só Kate Dickie, estrela de Red Road, a estréia em longas-metragens da britânica Andrea Arnold, ameaça a espanhola.Os críticos destacam que ainda não foi dada a última palavra na competição. Até o seu encerramento, no dia 28, serão exibidos dois pesos pesados: o filme do mexicano Guillermo del Toro, El Labirinto del Fauno, e Crónica de una Fuga, do uruguaio Adrián Caetano.A expectativa é alta. Del Toro é amplamente conhecido pela crítica internacional, que espera o melhor do autor de Hellboy (2004).Caetano também tem muitas chances na disputa, já que as últimas fitas costumam ganhar mais projeção junto aos jurados. O filme ainda conta com uma consideração especial dos organizadores: incluído na mostra Un Certain Regard, a segunda seleção oficial da competição, Crónica de una Fuga foi alçado para a disputa oficial.Outro ibero-americano, o português Pedro Costa, pode levar a língua de Camões a Cannes com Juventude em Marcha. O último filme em português a levar a Palma de Ouro foi o brasileiro O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, no distante ano de 1962.Thierry Frémaux, diretor artístico do festival, disse à EfE que a escolha de cinco cineastas ibero-americanos entre os vinte candidatos mostra que essa presença "é mais forte a cada ano, simplesmente porque há um cinema de qualidade na Espanha e na América Latina".Na terça-feira, Iñárritu concordou. Para ele, Frémaux "soube ter sensibilidade para ver o que está ocorrendo no cinema da América Latina: há grandes diretores e grandes histórias para contar".Já Almodóvar considerou que a concorrência ibero-americana este ano "é uma casualidade, uma conjuntura, uma maravilhosa coincidência".

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