Valery Hache / AFP
Valery Hache / AFP

Palma de Ouro de Cannes vai para o filme sueco 'The Square'

Como melhor atriz, foi escolhida Diane Kruger; Joaquin Phoenix é o melhor ator; e o prêmio de direção do festival francês ficou com Sofia Coppola

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2017 | 21h00

CANNES - No ano passado foi a mesma coisa. As equipes dos filmes vencedores são convidadas para a premiação. Os jornalistas ficam anotando quem entra. Em 2017, na hora da Palma de Ouro, faltava só Ken Loach subir ao pódio. Ele ganhou, por Eu, Daniel Blake – sua segunda Palma.

Este ano, o sueco Ruben Ostlund foi dos primeiros a chegar. Todo mundo foi ganhando seus prêmios. Mesmo assim, quando a deslumbrante Monica Bellucci perguntou ao presidente do júri, Pedro Almodóvar, quem levaria o prêmio maior e ele respondeu – The Square –, Ostlund deu um pulo e gritou – “Yes!”

Sim, sim, sim. Havia, talvez, filmes melhores na competição, mas pouca gente duvidava que o sueco e o francês 120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo, seriam premiados. 120 Batimentos ganhou, no dia anterior, o prêmio da crítica. O júri de Almodóvar outorgou-lhe seu Grand Prix.

Na coletiva do júri, Pedro chorou ao falar do filme de Campillo. A Palma foi para o sueco – nem Ingmar Bergman recebeu o prêmio na competição. Venceu uma Palma honorária, no centenário do cinema. Só Alf Sjöberg, em 1951, venceu com Senhorita Júlia, e naquele tempo ainda não havia Palma.

Ostlund tem a fama de enfant terrible. Seu filme envolve um comentário sobre as imposturas da arte moderna. O protagonista é diretor de um museu de arte. O tipo do cara progressista, politicamente correto, mas quando roubam seu celular ele deixa cair a máscara e reage como um troglodita.

Como um jovem Michael Haneke, e na contramão de Loach, Ostlund não põe fé na humanidade. O título vem de uma instalação no museu. Na festa de inauguração, há uma performance – o artista confronta a plateia com seu instinto. Imita um macaco. É o momento divisor de águas de The Square. É pegar ou largar.

Além do prêmio de direção para Sofia Coppola, o júri outorgou prêmio especial do 70º aniversário para Nicole Kidman, que tinha dois filmes na competição (The Beguiled e A Morte do Cervo Real), mais um em apresentação especial (a série Top of the Lake – China Girl).

Joaquin Phoenix recebeu o prêmio de melhor ator pelo poderoso thriller You Were Never Really Hear, e a diretora escocesa Lynne Ramsay dividiu o de roteiro com o grego Yorgos Lanthimos, de A Morte do Cervo Real.

O prêmio de melhor atriz foi para Diane Kruger, por In the Fade, de Fatih Akin. A bela Diane não foi realmente a melhor, mas o júri foi seduzido por sua mãe coragem. O marido e o filho são mortos num ataque do terror (neonazistas). O tema ‘terror’ atravessou o festival, mais no cotidiano (medidas excepcionais de segurança) que na tela.

Os filmes discutiram o estado do mundo – refugiados, crise da classe média, a Rússia de Putin. Se você acha que o Brasil virou um purgatório, a Rússia é o inferno. A prova é Loveless, de Andrey Zvyagintsev, que ganhou o prêmio do júri.

Acompanhe a cobertura completa no Blog do Merten

VENCEDORES

Melhor filme

The Square, de Ruben Ostlund, conquistou a Palma de Ouro

Melhor direção

Sofia Coppola por The Beguiled

Melhor ator

Joaquin Phoenix por You Were Never Really Here

Melhor atriz

Diane Kruger, por In the Fade

Prêmio do Júri

120 Batimentos por Minuto, de Robin Campillo

 

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