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Pais, mães, filhos, irmãos, todas as outras histórias

Vertente familiar vira tendência forte na programação de hoje

Luis Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2009 | 10h34

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Douglas Sirk, o rei do melodrama que Rainer Werner Fassbinder tanto idolatrava, fez filmes de grande sucesso de Hollywood, mas até hoje ainda existe gente que resiste a considerá-lo o grande autor que é. Sirk trabalhava no registro do cinema de gênero, mas em seus filmes a origem lembrava o próprio cineasta, é a tragédia grega, que ele conhecia tão bem, tendo sido, também, grande diretor de teatro. Basta assistir a Imitação da Vida, que acaba de sair em DVD. O filme tem 50 anos – é de 1959 – e permanece novo em folha. Zero bala.

 

O ideal de Sirk, ele relatava, é a tragédia grega, porque nela ‘tudo ocorre em família, e no mesmo lugar’. A 33ª Mostra está contando várias histórias de famílias. Você, provavelmente, já leu a entrevista acima, com o diretor de O Que Resta do Tempo, Elia Suleiman. Já viu que é possível fazer uma ponte entre o filme dele e o maravilhoso Still Walking (Seguindo em Frente), de Hirokazu Kore-eda.

 

Mas também é possível ligar O Que Resta do Tempo com Amreeka, de Cherlen Dabis. Suleiman, lançado no mundo pela diáspora palestina, sabe que, ao abandonar sua terra, ele é estrangeiro em qualquer lugar do mundo. Esse sentimento é compartilhado pela palestina de Amreeka, uma divorciada que vive com o filho na Cisjordânia e agarra a oportunidade de se juntar à irmã, nos confins do Illinois. Estrangeiros somos todos – a mãe que busca a filha em London River e que teme que ela possa estar implicada nos atentados terroristas, na capital inglesa. O diretor Rachid Bouchareb cria esse personagem de muçulmano – como ele – que também busca o filho e o ator é tão bom que Sotigui Kouyate venceu o prêmio de interpretação masculina em Berlim justamente por London River.

 

Outra história de família também oferece o deslumbrante Distante Nós Vamos, de Sam Mendes, que já assinou um dos maiores filmes do ano – Foi Apenas Um Sonho – e agora renova, reinventa o filme de estrada. A mais inusitada dessas histórias, não a melhor, é a de Ricky, o novo François Ozon. Mais do que sobre um bebê que nasceu com asas, o filme é sobre família, sobre essa mãe sofredora – como a de London River – e de como é possível, e necessário, superar a dor da perda. E não se pode esquecer de outras mães. A de Vencer, de Marco Bellocchio; a de Independência, de Raya Martin; e a de Aconteceu em Woodstock, de Ang Lee. Não importa o gênero nem o estilo, muito menos a procedência. A família dá as cartas na Mostra.

 

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