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Pai e filho, Kirk e Michael Douglas são astros com pouco em comum

O ator Kirk completa 100 anos nesta sexta-feira, 9

EFE

09 Dezembro 2016 | 10h37

Kirk Douglas nasceu como "o filho de um trapeiro", e Michael Douglas sempre foi o filho de uma estrela de cinema. Dois mitos unidos por um famoso furo no queixo e separados pela mudança de geração da era dourada de Hollywood dos grandes estúdios para o cinema explícito e globalizado.

"Sempre disse a meus filhos que eles não tiveram a vantagem que eu tive de nascer em uma pobreza miserável", afirmou em várias ocasiões Kirk Douglas, que completa nesta sexta-feira 100 anos.

Nascido como Issur Danielovitch Demsky em Nova York, filho de imigrantes russos, o patriarca dos Douglas teve que suar sangue para ser um destaque do cinema, lutar em uma guerra e, mesmo assim, ficar sem um Oscar após três indicações por interpretações lendárias.

Seu famoso filho, por outro lado, nasceu em Nova Jersey como Michael Kirk Douglas, cercado de atenções e com o caminho livre para iniciar sua carreira em Hollywood, que lhe rendeu dois Oscars em duas indicações.

Uma delas como produtor por Um Estranho no Ninho, pelos direitos de adaptação que lhe foram cedidos por seu pai (que, além disso, recusou o papel de protagonista), e outro como ator no personagem de sua vida, o tubarão de Wall Street: Poder e Cobiça.

Seus problemas chegaram depois da fama, quando sua condição de mito do "thriller" erótico de filmes como Atração Fatal e "Instinto Selvagem" - em cuja estreia foi acompanhado por seu pai - passou também a fazer parte de sua vida real e o ator teve que entrar em uma clínica de desintoxicação por sua dependência de sexo, drogas e álcool.

Por esses e outros motivos, Kirk Douglas era contrário, a princípio, que seu filho Michael desenvolvesse uma carreira de ator, alegando que era uma vida muito instável.

"Quando você se transforma em uma estrela, você não muda, mas todos os demais sim", disse Kirk uma vez. Afinal de contas, um de seus melhores filmes, Assim Estava Escrito, de Vincent Minnelli, era uma crítica ácida aos magnatas de Hollywood, e ele mesmo manifestou arrependimento por não ter prestado atenção a sua família.

"Durante muitos anos, ele foi consumido pela culpa e passou muito tempo até que pudesse aceitar. Mas agora nos damos muito bem", garantiu Michael Douglas, que conseguiu estabilidade, limitada a algumas crises, ao lado de outra estrela, a atriz Catherine Zeta-Jones.

No entanto, no momento em que seu filho insistia em ser ator e acabou sendo dispensado da obra de teatro Árvore da Solidão, Kirk comprou os direitos da mesma para o cinema e o fraquíssimo filme foi protagonizado por Michael Douglas, arruinando a reputação de seu pai como produtor, conseguida através de títulos como Spartacus.

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