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Pai e filha competem em diferentes seções com obras afins no Festival É Tudo Verdade

Não faltam atrações neste primeiro fim de semana do 20.º Festival Internacional de Documentários

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2015 | 16h00

Atrações não faltam neste primeiro fim de semana do 20.º Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade em São Paulo. Entre elas está o famoso documentário inacabado de Orson Welles – It’s All True, de 1942 – que deu nome ao evento criado por Amir Labaki e integra a programação especial comemorativa do centenário de nascimento do grande diretor. Mas existem também os filmes de José Joffily e Isabel Joffily que participam da competição brasileira. São pai e filha. José dirige (com o genro Pedro Rossi) e Isabel produz Caminho de Volta, que participa da mostra competitiva brasileira de longa-metragem. Isabel dirige e José produz Retrato de Carmem D, que também participa da competição brasileira, mas na seção de curtas.

José Joffily tem alternado documentários e ficções desde o começo de sua carreira, ainda nos anos 1970. Em ficções como Dois Perdidos Numa Noite Suja e Olhos Azuis, já abordou o tema da imigração, ao qual volta agora em chave documentária. Caminho de Volta acompanha, no exterior, dois brasileiros que sonham com a volta para o Brasil. André Câmara, de 45 anos, filho de um amigo do cineasta, vive há 20 anos em Londres. Ele próprio tem filhos que nasceram no exterior. Maria do Socorro Monteiro, de 87 anos, sogra do diretor, vive há 25 com o filho em New Jersey, nos EUA. Ambos sonham voltar a viver no país de origem, mas o Brasil que deixaram não é mais o mesmo. Até que ponto isso favorece ou cria empecilhos ao retorno? Assim como não é fácil se adaptar no exterior, também não é fácil renunciar à vida que se construiu para tentar o retorno. Um novo recomeço? 

Joffily abre mão de entrevistas. Faz um cinema de observação, acompanhando o cotidiano dos personagens que selecionou após longa pesquisa. Incorpora material que eles próprios produziram – filmes domésticos – ao longo desses 20 e 25 anos. É um cinema que o próprio Joffily define como ‘direto’. Sua filha, Isabel, apresenta o retrato de Carmen Dametto, psiquiatra gaúcha que se radicou no Rio de Janeiro, onde criou clínicas que ofereciam tratamento diferenciado a seus pacientes. O problema é que, numa dessas clínicas, morreu um paciente nos anos 1980. Carmem foi suspensa pelo Conselho Regional de Medicina do Rio. O caso estendeu-se por oito anos nos tribunais e terminou com a comprovação de sua inocência. Só que, a essa altura, sua reputação já havia sido atingida.

Durante quatro anos, Isabel filmou a rotina de Carmem e da filha que mora com ela. Fez outro documentário de observação, reduzindo o extenso material para a enxuta duração de 22 minutos. E o curioso é que, por caminhos cruzados, os dois filmes discutem o tempo e seus efeitos sobre as pessoas. O Brasil mudou para os que partiram (no filme do pai) mas também para os que ficaram (no da filha). Os sonhos e expectativas de André, de Maria do Socorro e de Carmem foram afetados. O que resta de tudo isso? Há um diálogo muito rico entre os filmes, como há, Joffily garante, entre a filha e ele. O próprio Amir Labaki diz que as estreias de filmes brasileiros são as que mais atraem o público no É Tudo Verdade. Pai e filha, isso é raro. Mas não é só a raridade. É também a intensidade dos filmes. A forma como iluminam o Brasil e os brasileiros.

PÉROLAS DO DOMINGO

‘País de São Saruê’

A retrospectiva de Vladimir Carvalho contempla um filme do começo da carreira do grande diretor que completa 80 anos. É um de seus melhores, sobre os sertanejos que habitam as terras secas do Nordeste

‘Verdades e Mentiras’

O último longa de Orson Welles integra a retrospectiva dedicada ao centenário de nascimento do grande diretor. Um falso documentário sobre um falsificador. O que é verdadeiro na arte? E na vida?

‘Cidade Vazia’

Cristiano Burlan já venceu o É Tudo Verdade com o longa Mataram Meu Irmão. Agora concorre com curta sobre São Paulo

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