Padilha classifica crítica a 'Tropa' de 'ignorante' e 'estúpida'

Respaldado pela conquista do Urso de Ouro, cineasta atacou a imprensa que considerou o filme fascista

Pedro Fonseca, REUTERS

08 Fevereiro 2018 | 19h26

As duras críticas que Tropa de Elite recebeu da mídia internacional foram rebatidas nesta segunda-feira, 18, pelo diretor José Padilha, com uma rispidez digna de capitão Nascimento, policial protagonista do longa.     Veja Também Sem 'Cidade de Deus', não haveria 'Tropa' O que significa o Urso na vida de um cineasta? Jornais reagem com surpresa à premiaçãoObrigado, Constantin! Respaldado pela conquista do Urso de Ouro, prêmio máximo do Festival de Berlim, o cineasta atacou a imprensa que considerou o filme fascista. No festival alemão, Tropa de Elite superou Sangue Negro, filme com oito indicações ao Oscar e apontado como favorito. Esta foi a primeira incursão no exterior do longa brasileiro depois de ser o hit nacional em 2007. Após exibição em Berlim, Tropa de Elite dividiu os críticos. Alguns elogiaram, qualificando o filme de um retrato poderoso das concessões que a polícia faz para sobreviver na luta contra o tráfico no Rio de Janeiro, mas outros disseram que glorifica os métodos duvidosos desses policiais. Um crítico do periódico norte-americano Variety chegou a dizer que se tratava de um "filme de recrutamento de criminosos fascistas". "A crítica da Variety foi particularmente estúpida", disse Padilha em entrevista a jornalistas no Rio de Janeiro, ao lado da estatueta do Urso de Ouro. "Chamar o filme de fascista tem que ignorar o significado da palavra fascista. Tem que ser ignorante", disse. "É só procurar no dicionário." "O meu filme é sobre um grupo de 100 policiais que fazem parte de um grupo de 40 mil policiais corruptos. É uma besteira extraordinária", disse, referindo-se à matéria da Variety.  Outra publicação norte-americana, a Hollywood Reporter, disse que o filme era "pobremente estruturado e às vezes incoerente". O diretor considerou que as críticas negativas foram influenciadas por uma falha do festival na primeira exibição do filme para jornalistas. Segundo ele, a cópia com legendas em inglês foi trocada por outra com legendas em alemão. E para quem não entendia o alemão e o português, havia tradução simultânea por uma única voz feminina, sem áudio ambiente do longa-metragem. "Na Alemanha, em momento nenhum eu tive a sensação de uma crítica negativa do filme. As críticas ruins aconteceram após a primeira exibição. A nossa sensação era que o filme estava indo super bem, mas quando entrávamos na Internet, víamos o contrário", disse o diretor.   Críticas para 'embrulhar peixe' Tropa de Elite vem sendo comparado a Cidade de Deus, não só por retratar a violência no Rio, mas também pelas chances de poder ter a mesma carreira em Hollywood. Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, também ficou de fora da corrida do Oscar de filme estrangeiro, em 2003, e conseguiu quatro indicações no ano seguinte em categorias importantes da premiação. Tropa de Elite perdeu para o O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, escolhido pelo Brasil para tentar em vão a vaga no Oscar de filme estrangeiro deste ano. Modesto, Padilha minimizou as chances de Tropa de Elite ter o mesmo sucesso. "É muito difícil fazer isso, o filme estaria concorrendo com filmes americanos. É quase impossível conseguir o que o Fernando conseguiu com o filme dele." Meirelles, em entrevista à Reuters por email, também respondeu às críticas recebidas por Tropa de Elite, afirmando que o filme ficará para a história, e as críticas, não. "A verdadeira revanche dos cineastas é que o filme vai poder ser visto daqui a 40 anos, enquanto a crítica vai embrulhar algum peixe numa feira ou forrar o chão de uma casa que vai ser pintada e depois estará esquecida. Assim é a vida", escreveu Meirelles. Tropa de Elite, cujo DVD já tem pré-venda na Internet para 27 de fevereiro, voltará aos cinemas de Rio, São Paulo e Brasília em 50 cópias a partir de sexta-feira. (Colaborou Fernanda Ezabella)  

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