Pacote com seis longas nacionais chega às locadoras

Uma inédita parceria entre a Warner Home Vídeo e a distribuidora Riofilme coloca seis títulos nacionais nas prateleiras das locadoras: Kenoma, de Eliane Caffé, Tiradentes, de Oswaldo Caldeira, O Primeiro Dia, de Daniela Thomas e Walter Salles, Um Copo de Cólera, de Aluísio Abranches, Até Que a Vida nos Separe, de José Zaragoza, e o Cineasta da Selva, de Aurélio Michiles. Filmes recentes que, para bem ou mal, fornecem um retrato compreensivo do que se faz em cinema no País. Verdade: não se trata de um retrato completo, porque na seleção de títulos, com uma ou duas exceções, buscou-se o caminho do meio, descartando-se o que havia de mais original ou transgressor.Em todo caso, não se trata de um pacote que provoque indiferença. Kenoma, por exemplo, foi uma bonita estréia de Eliane Caffé no longa-metragem. Não tanto pela realização, meio fria, mas pelo tema: a tentativa de invenção do moto-contínuo, velho sonho da humanidade, reambientado no Vale do Jequitinhonha. Destaque para a bela atuação de José Dumont. Tiradentes, de Oswaldo Teixeira, procura reconstituir de maneira criativa a trajetória de um herói nacional, mas fracassa na medida do distanciamento buscado.O Primeiro Dia comenta um tema recorrente do País, e mais ainda no Rio, onde o apartheid social é mais visível e, em geral, se resolve em sangue. Assim, uma moça de classe média e um marginal passam juntos o réveillon do ano 2000, na ilusória aparência de que diferenças possam ser atenuadas por uma festa ou pelo destino. Mas nem passa pela cabeça dos cineastas propor esse final feliz e bobinho. Um filme de tutano.Como é, também, Um Copo de Cólera, adaptação radical da novela de Raduan Nassar. Trata-se de uma história de amor e poder, em que o desejo aparece mais como manipulação e menos como prazer. A ousadia de Abranches foi ensaiar uma versão literal, que no fundo se tornou literária, sem por isso perder sua força, ou pelo menos parte dela.Até Que a Vida nos Separe é obra do publicitário José Zaragoza, e, como os vinhos, leva a marca de sua origem. Os cacoetes e clichês desse muito bem remunerado ramo de atividade estão todos generosamente contemplados nessa história de um grupo de amigos, que ama e desama, encontra-se e perde-se na vida, sem, claro, chegar a lugar nenhum. Estéril.Cineasta da Selva recupera, em forma de docudrama, um dos pioneiros do cinema nacional, o diretor Silvino Santos, que registrou em belas imagens a Amazônia e o Rio. Uma visão épica do cinema, em seu tempo heróico, vertida em tom correto.Até que a Vida nos Separe, Cineasta da Selva, Kenoma, O Primeiro Dia, Tiradentes e Um Copo de Cólera. Pacote de cinema brasileiro lançado em parceria entre a distribuidora Riofilme e a Warner Home Video

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