HBO Max
HBO Max

‘Pacificador’ faz sucesso com um herói em processo de aprendizado

Com a 2.ª temporada confirmada, série traz John Cena como personagem racista, machista, mas liberal em termos de sexo

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

19 de fevereiro de 2022 | 10h00

Christopher Smith, mais conhecido como Pacificador, é um idiota. O lema do personagem de O Esquadrão Suicida (2021) é “Eu defendo a paz, não importa quantas pessoas eu precise matar para isso”. Mas foi exatamente essa a razão pela qual o diretor James Gunn achou que ele daria um bom protagonista de série de TV. 

E Gunn estava certo: Pacificador, cujos oito episódios da primeira temporada estão disponíveis na HBO Max, é um sucesso, movimentando o Twitter. Tanto que a série, que passa a ser exibida também aos sábados às 22h no TNT Séries e às segundas às 23h no Warner Channel, já teve sua segunda temporada confirmada. “O Pacificador tem muito a aprender”, disse James Gunn, que escreveu e dirigiu a série, em evento por videoconferência da Associação de Críticos de Televisão. “Uma temporada apenas não bastaria.”

Na primeira, Pacificador (John Cena) é recrutado para a operação secreta Projeto Borboleta, ao lado de Leota Adebayo (Danielle Brooks), Clemson Murn (Chukwudi Iwuji), Emilia Harcourt (Jennifer Holland) e John Ecomos (Steve Agee). Seu melhor amigo, Adrian Chase, ou Vigilante (Freddie Stroma), também acaba se juntando à trupe, encarregada de combater uma raça alienígena em forma de insetos voadores que toma conta de corpos humanos. 

Além da trama cheia de ação (e sangue), James Gunn utilizou algumas de suas marcas para conquistar público e crítica, como o humor, a música (aqui, hair metal) e a dança, que aparece já na abertura, uma das melhores do ano. 

Mas os personagens são a chave do sucesso, e a idiotia do Pacificador, um ponto de partida dos mais ricos. Para Gunn, é sua capacidade de aprendizado que o torna irresistível. “Seus pontos cegos são vários, mas eu acho que vêm mais de ignorância. E essa é uma distinção importante. O Pacificador é basicamente todos os caras com quem cresci no Missouri. Ele não é tão diferente assim de muitas pessoas que eu conheço. Por mais terrível que seja, é também comum.” 

Para o diretor, é importante mostrar essas falhas graves, porque na TV os personagens tendem a ser ou perfeitos ou totalmente do mal. “Acho divertido mostrar um super-herói – ou supervilão, não sei – cheio de nuances.” 

Dá para entender suas origens: o pai de Christopher/Pacificador, Auggie (Robert Patrick), é um gênio da tecnologia, mas também um defensor da supremacia branca. E não se dá com o filho. Em uma cena, acusa Christopher de dormir com prostitutas e homens, confirmando a bissexualidade do personagem – uma raridade em se tratando de produção de super-heróis. Em entrevista à revista Empire, James Gunn disse que isso veio das improvisações de cena, que tornaram o Pacificador aberto a quase toda experiência sexual.

Então dá para entender perfeitamente por que, ao ser indagado pela DC e pela WarnerMedia se tinha interesse em fazer uma série de TV com algum dos personagens do Esquadrão Suicida, James Gunn logo pensou no Pacificador. “Primeiro porque amei trabalhar com John Cena, que não teve oportunidade de mostrar todos os seus talentos no filme”, disse Gunn sobre o ator. “E eu também achei que é um personagem pertinente ao mundo de hoje, porque traz esse olhar ultrapassado de algumas pessoas.” A série confronta o Pacificador com essa visão atrasada em vários momentos. Um dos focos, por exemplo, é sua relação com Leota Adebayo (Danielle Brooks), uma mulher lésbica e negra. “Eles representam partes diferentes dos Estados Unidos de hoje”, completou Gunn. 

Em ‘La Fortuna’, a briga pela posse de um tesouro

Diretor de Os Outros (2001) e Mar Adentro (2004), Alejandro Amenábar estava procurando algo mais leve depois de Enquanto a Guerra Durar (2019), sobre o escritor Miguel de Unamuno e a ascensão do general Franco. Topou com a graphic novel O Tesouro do Cisne Negro, de Paco Roca e Guillermo Corral. 

“Fiquei empolgado desde a primeira página, tinha algo de Tintin ali”, disse Amenábar em entrevista ao Estadão por videoconferência. “Eu tinha feito um filme muito político, sério, e estava precisando de algo que fosse puramente entretenimento.”

Assim surgiu sua primeira incursão na televisão, a minissérie La Fortuna, que exibe seu sexto e último episódio neste domingo, 20, às 22 h (Brasília), no AMC – os capítulos anteriores têm reprises na programação e estão disponíveis nas operadoras de VoD que oferecem o canal em seu pacote. 

Em La Fortuna, Stanley Tucci é Frank Wild, um caçador de tesouros americano que usa tecnologia de ponta para descobrir uma fragata afundada, cheia de moedas e outras preciosidades. Enquanto isso, um jovem funcionário do Ministério da Cultura da Espanha tenta provar que o navio pertencia à Coroa Espanhola e carregava valores vindos das colônias da América. 

“Ele compreende que recuperar o tesouro é importante não por razões econômicas, mas de identidade cultural”, explicou o diretor. “Não dá para alguém vir do outro lado do mundo e, com a vantagem da tecnologia, tirar tudo o que achar do fundo do mar.” 

Para ele, foi bom explorar as culturas dos dois lados do Oceano Atlântico: a cultura mediterrânea e a norte-americana – e não ficar apenas na trama em si. “É muito raro ter uma série em espanhol e inglês. Mas eu me senti confortável porque já tinha feito filmes em ambas as línguas.”

Claro que La Fortuna levanta a questão: se o navio estava carregando riquezas das colônias americanas, quem estava pirateando quem? “Eu pensei muito nisso, mas vamos precisar de outra série para falar do assunto”, disse Amenábar. 

Para o diretor, a experiência de fazer algo para a televisão foi uma coisa que ele gostaria de repetir. A única diferença, é claro, foi a duração das filmagens. Para fazer seis episódios, ele levou cinco meses, mais do que qualquer de seus longas anteriores. 

 

Tudo o que sabemos sobre:
HBO MaxcinemaJohn CenaJames Gunn

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.