Oscar honorário vai para Ennio Morricone

O compositor italiano Ennio Morricone, 78 anos, autor de mais de 300 trilhas sonoras de filmes, vai receber o Oscar honorário na cerimônia de fevereiro. Morricone já tinha sido indicado cinco vezes, mas nunca ganhou um Oscar. Ele foi indicado cinco vezes, por Cinzas no Paraíso (de 1978), A Missão (1986), Os Intocáveis (1987), Bugsy (1991) e Malena (2000). Entre suas trilhas estão ainda as dos filmes Por um Punhado de Dólares e Cinema Paradiso. O maestro italiano que fez sonhar várias gerações de cineastas recebe um Oscar por sua carreira, o único em meio século de vida profissional. Emblema do "western spaghetti" por melodias únicas e elogiado pelos coros e oboés do filme sobre os jesuítas na América Latina La Missión (1986), receberá um prêmio cobiçado e pelo qual foi indicado cinco vezes. "Depois de cinco indicações eu não esperava mais nada. Estava convencido que não o ganharia jamais. Me sentia na lista dos ilustres sem Oscar, como Scorsese, Hitchcock e Cary Grant. Recebi muitos prêmios, mas confesso que a estatueta preenche um vazio", admite o músico ao falar a jornalistas estrangeiros. Aos 78 anos, Morricone, como é chamado na Itália, é um senhor afável, que continua compondo em seu velho piano. O autor de 500 partituras de trilhas sonoras para o cinema, cujo talento e criatividade abarcam todos os gêneros da música "Não creio que uma boa música transforme um filme em uma produção boa, mas a música é um elemento decisivo. Creio que devo mais a Sergio Leone pelo espaço e força dada à música, que Leone a mim", sustenta com modéstia desconcertante. A aliança com Leone, uma das de maior sucesso na história do cinema, nasceu nos bancos de escola e se concretizou nos anos 60, quando assinavam com pseudônimos americanizados para seduzir o público dos Estados Unidos. "Nosso trabalho é silencioso. O compositor deve encontrar no filme uma dignidade que vai além do filme", explica Morricone, que diz sentir especial afeição pela música do filme A Missão, um filme que, admite, o emocionou até a alma. "É que consegui juntar a música étnica, a instrumental e a música ´palestriniana´ escrita para coros, um tipo de trindade de Deus, como a comunhão entre jesuítas e índios da América Latina narrada no filme", comenta. "Foi uma das maiores satisfações morais, musicais e técnicas que tive", disse ao recordar a "Ave Maria cantada em Guarani", uma idéia pela qual acredita que merecia o Oscar. Apesar de ter trabalhado com os maiores diretores do cinema e produtores de Hollywood, como John Huston, Roman Polanski, além de Pier Paolo Pasolini, Bernardo Bertolucci e Pedro Almodóvar, entre muitos outros, o compositor, romano de nascimento, nunca se mudou para Los Angeles e continua vivendo em pleno centro histórico de Roma, apesar de ter recebido como oferta uma mansão na Califórnia. Um disco em sua homenagem foi feito com versões de Céline Dion, Bruce Springsteen, Dulce Pontes e Andrea Bocelli, entre otros, com o título We All Love Ennio Morricone (Nós todos amamos Ennio Morricone). Formado no conservatório da Academia Nacionalo de Santa Cecília, autor de mais de cem peças de música clássica, além de trilhas sonoras para cinema, televisão e documentários, faz parte da geração de músicos que começou em 1944 tocando trompete para os soldados norte-americanos em plena 2.ª Guerra Mundial. O compositor italiano Ennio Morricone tem tido toda sua enorme importância reconhecida em vida, o que não é comum. Nascido em Roma, em 1928, o compositor de mais de 400 trilhas sonoras para cinema e TV ganha agora uma bela homenagem do violoncelista francês de origem chinesa Yo-Yo Ma. Lançado no exterior pela Sony Classical, no final do ano passado, Yo-Yo Ma Plays Ennio Morricone traz intérprete e maestro juntos, à frente da Roma Sinfonietta Orchestra, em seis suítes que reúnem um pouco do melhor da obra do autor dos scores de Era Uma Vez no Oeste (1968) e A Missão (1986).

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