Oscar endurece jogo contra lobby dos estúdios

Membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, aqueles que escolhem os vencedores do Oscar, poderão ser expulsos se violarem as novas regras que regulam as campanhas de filmes na corrida pelo prêmio máximo do cinema americano. A expulsão pode ser aplicada tanto a executivos de estúdios que exageram na propaganda de seus filmes quanto aos próprios indicados, incluindo aí atores, diretores e roteiristas. A Academia anunciou as regras ontem à noite em Los Angeles.A Academia não informou em detalhes que atitudes poderiam levar à expulsão de alguém de seus quadros, mas mandou o recado diretamente para quem faz "campanha imprópria", nas palavras do presidente Frank Pierson. "Agora haverá conseqüências pessoais para estes", disse ele.Por campanha imprópria, a Academia entende casos como o de Gangues de Nova York este ano, que usou declarações do diretor Robert Wise, que vota para o Oscar, em seus anúncios na campanha. Wise havia elogiado o filme de Martin Scorsese em um jornal, mas viu suas opiniões reproduzidas em propaganda para Gangues. "Ficou evidente que esta era uma nova técnica de campanha que, se permitida, poderia fugir do controle", disse Robert Kahn, líder do comitê que elaborou as novas regras.Outros casos de propaganda exagerada incomodaram a Academia. Um deles aconteceu com o filme Uma Mente Brilhante, que venceu o Oscar de melhor filme em 2002. Segundo a Academia, o filme foi objeto de difamação feita por estúdios concorrentes. Além disso, a excessiva distribuição de cópias de DVD e vídeo dos filmes candidatos, assim como de anúncios e projeções especiais, parecem ter vulgarizado a campanha pelo Oscar.Até agora, as normas de boa conduta para as campanhas pelo Oscar restringiam-se à punição de diminuir o número de ingressos a que os estúdios tinham direito na noite da premiação. Perder ingressos "não detinha ninguém efetivamente, mas ser expulso da Academia é uma ameaça real para qualquer membro", disse Frank Pierson.

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