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Oscar: disputas entre grandes filmes e atores devem elevar as temperaturas do prêmio

O Brasil, sempre sedento por um Oscar, entra diretamente na disputa este ano, com O Menino e Mundo, de Alê Abreu

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

27 de fevereiro de 2016 | 16h00

Talvez nem tanto pelos filmes em disputa, mas teremos um Oscar nada banal este ano. Ele ficará marcado pela ausência de negros entre os concorrentes, o que ocasionou protestos e defecções. Spike Lee e Will Smith e sua mulher, Jada Pinkett Smith, disseram que não vão à cerimônia. A própria presidente da Academia de Hollywood, a afrodescendente Cheryl Boone Isaacs, confessou-se frustrada com as indicações. A história toda, como era inevitável, teria de gerar algum comentário infeliz, e a atriz britânica Charlotte Rampling (indicada por 45 Anos) não deixou passar a ocasião. Ponderou que talvez os atores negros não merecessem mesmo ser indicados e ajuntou que no futuro seria preciso criar uma cota para brancos. Como se brancos e bem nascidos precisassem de cotas neste nosso mundo. Bobagens à parte, fica a expectativa: como os apresentadores vão tratar a questão?

Ignorá-la? Ou será possível fazer piada com o tema, sem recair na síndrome Rampling?

Tirando essa questão política, a maior expectativa da festa fica por conta do prêmio de ator, que decidirá se Leonardo DiCaprio sai ou não da fila. Tudo indica que sim. Depois de ser indicado cinco vezes e cinco vezes morrer na praia, parece que este é seu ano, com um papel sob medida para garantir a estatueta. Ele mostra todo o repertório para ganhar o troféu – talento, empenho, espírito de sacrifício, coragem. Sofre como um condenado no papel do caçador de peles dado como morto depois de atacado por uma ursa selvagem e que volta para se vingar dos que o abandonaram.

De resto, O Regresso é o mais cotado para receber a maioria dos principais prêmios. Foi indicado em 12 categorias, entre elas as de melhor filme, direção (Alejandro González Iñárritu) e ator (DiCaprio).

Há outro dado interessante a seu respeito. Se vencer na categoria de melhor direção, dá o bicampeonato a Iñárritu, que ganhou ano passado com Birdman. Nesse caso, como Alfonso Cuáron levou em 2014 com Gravidade, um mexicano venceria o Oscar de melhor diretor três vezes em seguida, deliciosa anomalia num tempo em que o discurso xenófobo de Donald Trump seduz cada vez mais norte-americanos.

O Brasil, sempre sedento por um Oscar, entra diretamente na disputa este ano. Quando se pensou que estava mais uma vez de fora com a exclusão de Que Horas Ela Volta?, de Anna Muylaert, O Menino e Mundo, de Alê Abreu, classificou-se para tentar a estatueta de melhor animação. É um belíssimo trabalho, que teria caminho mais fácil não encontrasse pela frente um peso-pesado da Disney/Pixar, o também muito bom Divertida Mente. É o favorito. Se der zebra, o brasileiro leva.

Aliás, a categoria da qual o Brasil foi excluído, a de filme estrangeiro, chega bem forte este ano. O favorito é O Filho de Saul (Hungria), de fato uma visão muito forte e original do Holocausto, tema que sempre comove os acadêmicos de Hollywood. No entanto, O Abraço da Serpente, da Colômbia, poderia muito bem se impor com sua imersão profunda na relação entre colonizadores e povos indígenas da América. O Lobo do Deserto, da Jordânia, também é muito bom e, em patamar inferior, As Cinco Graças, da França, não faz feio.

No mais, é ir apostando nas outras categorias. Todas têm seus favoritos e possíveis azarões. Se Leo DiCaprio reina sozinho como virtual vencedor da estatueta de ator, a disputa por melhor atriz parece mais equilibrada. Fala-se muito em Brie Larson, de fato maravilhosa como a mãe encarcerada de O Quarto de Jack. Mas uma disputa envolvendo duas queridas da Academia, como Cate Blanchett(Carol) e Jenniffer Lawrence (Joy), nunca está decidida. Saorise Ronan (de Brooklin) corre por fora e Charlotte Rampling aparece maravilhosa e sutil em 45 Anos. Mas seu nada sutil comentário sobre os negros pode tirá-la do páreo.

Entre os coadjuvantes, há quem tenha como certo o nome de Tom Hardy, o vilão de O Regresso. Mas pode pintar um prêmio sentimental para o veterano Sylvester Stallone por seu treinador decadente e doente em Creed: Nascido para Lutar). O melhor seria o estupendo Mark Rylance, como informante soviético em Ponte dos Espiões, um Spielberg adulto e surpreendentemente bom. Entre as coadjuvantes, muito se fala em Jennifer Jason Leigh no papel de uma bandida aprisionada em Os Oito Odiados, de Tarantino.

Por fim, há se que voltar à categoria principal. Sim, O Regresso é o favorito. Mas há outros no páreo. Mad Max: Estrada da Fúria, a distopia de George Miller, seduz muita gente. E dois filmes “menores”, voltados para problemas reais da atualidade, também têm lá suas chances. A Grande Aposta visita as entranhas da especulação financeira, que jogou o mundo na crise econômica desde 2008. E Spotlight, drama do jornalismo old school, mostra o empenho de um repórter e um jornal em desvendar uma rede de pedófilos incrustados na Igreja Católica. Pode parecer demais para o gosto um tanto conservador da Academia. Mas, quem sabe?

Veja abaixo a lista completa:

Melhor filme

A grande aposta

Ponte dos espiões

Brooklyn

Mad Max: Estrada da fúria

Perdido em Marte

O regresso

O quarto de Jack

Spotlight - Segredo Revelados

Melhor atriz

Brie Larsen/O Quarto de Jack

Cate Blanchet/Carol

Charlotte Rampling/45 Anos

Saoirse Ronan/Brooklyn

Jennifer Lawrence/Joy: O Nome do Sucesso

Melhor ator

Brian Cranston/Trumbo

Eddie Redmayne/A Garota Dinamarquesa

Leonardo DiCaprio/O Regresso

Matt Damon/Perdido em Marte 

Michael Fassbender/Steve Jobs

Melhor atriz coadjuvante

Alicia Vikander/A Garota Dinamarquesa

Jennifer Jason Leigh/Os Oito Odiados

Kate Winslet/Steve Jobs

Rachel McAdams/Spotlight - Verdades Reveladas

Rooney Mara/Carol

Melhor ator coadjuvante

Cristian Bale/A Grande Aposta

Mark Ruffalo/Spotligh - Segredos Revelados

Mark Rylance/Ponte dos Espiões

Sylvester Stallone/Creed

Tom Hardy/O Regresso

Melhor animação

Anomalisa

O Menino e o Mundo (brasileiro)

Divertida Mente

Shaun, o Carneiro

When Marnie Was There

Fotografia

Carol

Os Oito Odiados

Mad Max: Estrada da Fúria

Sicário

O Regresso

Melhor filme estrangeiro

Cinco Graças

O Esgrimista

O Filho de Saul

Novíssimo Testamento

Theeb

Melhor direção

Adam Mckay (A grande aposta)

George Miller (Mad Max)

Alejandro G. Inarritu (O regresso)

Lenny Abrahamson (O quarto de Jack)

Tom McCarthy (Spolith: segredos revelados)

Efeitos Visuais

Instintio artificial

Mad Mex

Marte

O Regresso

Star Wars

Montagem

Mad Mex

O Regresso

Spotlight

Star Wars

Figurino

Carol - Sandy Powell

Cinderella - Sandy Powell

Garota Dinamarquesa - Paco Delgado

Mad Max: Estrada da Fúria - Jenny Beavan

O Regresso - Jacqueline West

Melhor documentário

Amy

Cartel Land

The look of silence

What happened, Miss Simone?

Winter on fire: Ukraine's Fight for Freedom

Melhor documentário de curta-metragem

Body team 12

Chau, beyond the lines

Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah

A Girl in the River: The Price of forgiveness

Last day of freedom

Melhor canção original

Earned it (Cinquenta tons de cinza)

Manta Ray (Racing extinction)

Simple song #3 (Youth)

Writing's on the wall (007 contra Spectre)

Til it happens to you (The hunting ground)

Melhor edição de som

Mad Max

Perdido em Marte

O regresso

Sicario

Star Wars

Melhor mixagem de som

Ponte dos espiões

Mad Max

Perdido em Marte

O regresso

Star Wars

Melhor curta de animação

Bear Story

Prologue

Sanjay's Super Team

We can't live without Cosmos

World of tomorrow

Melhor curta de live action

Ave Maria

Day one

Everything will be okay (Alles Wird Gut)

Shok

Stutterer

Melhor cabelo e maquiagem

Mad Max

The 100-year-old man who climbed out the window and disappeared

O Regresso

Melhor roteiro adaptado

A grande aposta

Brooklyn

Carol

Perdido em Marte

O quarto de Jack

Melhor roteiro original

Ponte dos espiões

Ex Machina

Divertida mente

Spotlight

Straight Outta Compton

Melhor design de produção

Ponte dos espiões

A garota dinamarquesa

Mad Max

Perdido em Marte

O regresso

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