"Oscar" brasileiro faz a festa no Rio

Denzel Washington ganhou o Oscar em março. No ano passado, Matheus Nachtergaele ganhou o Grande Prêmio Brasil do Cinema Brasileiro. Como enfrentar o poder de síntese dos americanos, que conseguiram fazer da palavra Oscar um verdadeiro "abra-te Sésamo"? Como conseguir prestígio similar ao do prêmio outorgado pela hollywoodiana Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles?O duplo desafio será enfrentado - hoje, em noite de gala, no Theatro Municipal do Rio - pela recém-criada Academia Brasileira de Cinema. A nova instituição substitui o Ministério da Cultura (MinC) na missão de, a cada ano, entregar o prêmio máximo do cinema nacional. O MinC cuidou da tarefa nos anos 2000 e 2001. Fez duas festas no Hotel Quitandinha, em Petrópolis. A primeira consagrou Orfeu, de Cacá Diegues. A segunda, Eu Tu Ele, de Andrucha Waddington.Com a saída do MinC do processo, a BR Distribuidora - empresa que mais apoio vem dando ao cinema nacional nos últimos sete anos - resolveu patrocinar a festa. Por isso, o prêmio trocou a palavra Brasil pela logomarca BR. Chama-se, agora, Grande Prêmio BR de Cinema Brasileiro.Com o passar do tempo, o prêmio verde-amarelo, de nome quilométrico, tentará nivelar-se a seus similares europeus e latino-americanos. O Cesar francês, o Donnatello italiano, o Goya espanhol e o Ariel mexicano são os mais conhecidos.A primeira festa do Grande Prêmio Brasil (a que premiou Orfeu) rendeu muita polêmica. Parte da imprensa só enxergou defeitos. Caetano Veloso, autor da trilha sonora de Orfeu, veio a público defender a cerimônia e lamentar a falta de auto-estima dos brasileiros.Ano passado, Bia Lessa comandou bela festa e o saldo na imprensa foi dos mais positivos. Só que em fevereiro (data das festas anteriores), a Academia Brasileira de Cinema ainda não estava formada. Só agora, em setembro, quando o País discute e prestigia Cidade de Deus (e as produtoras se inscrevem para disputar um sonhado Oscar de melhor filme estrangeiro), chega a hora de premiar os melhores do Brasil em 2001. Os filmes que têm mais indicações são Lavoura Arcaica, de Luiz Fernando Carvalho (visto por 150 mil brasileiros), e Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzki (visto por 400 mil). Também têm indicações significativas os filmes Domésticas, Xangô de Baker Street, Memórias Póstumas, A Partilha e Bufo & Spallanzani.O ritual - A cerimônia de premiação será comandada por Daniela Thomas e Felipe Hirsch, dois craques dos palcos. Ela é também diretora de cinema e grande cenógrafa. Por isso, assinará também o cenário cinematográfico do Theatro Municipal. O jornalista Marcelo Tas, aquele que perguntou ao cartola Nabi Abi Chedid qual seria sua próxima "jogada" (na Copa de 94), será o mestre-de-cerimônia.O maestro Sílvio Barbato, premiado ano passado pela trilha sonora de Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão, vai comandar a Orquestra Sinfônica do Municipal. Fernanda Montenegro e Marieta Severo, divas dos nossos palcos e telas; Lázaro Ramos, maior revelação black do novo cinema brasileiro; Julia Lemmertz, atriz-símbolo da retomada; Ana Beatriz Nogueira, Urso de Prata em Berlim/97; a dupla de repentistas Castanha e Caju, que enfrentou o Titanic em filme de Daniela Thomas e Walter Salles; o veterano José Lewgoy; Paulo José, o Macunaíma que virou Policarpo Quaresma, e José Dumont, operário de celulóide e dono de talento ímpar, se somarão na entrega dos prêmios aos vencedores.Lewgoy avisa que vai de smoking e espera que nenhum dos convidados - que vá entregar ou receber prêmio - apele para trajes inadequados. "Ah", diz com seu famoso mau humor, "neste país ninguém respeita a recomendação do traje black-tie".Para homenagear o cinema brasileiro, Daniela Thomas e equipe encomendaram imagens editadas especialmente para a cerimônia. O levantamento foi feito pelos pesquisadores Hernani Hefner, Carlos Alberto Mattos, Laís Rodrigues e Dudu Lachtermacher. O evento será transmitido ao vivo pelo Canal Brasil (Net/Sky), e reprisado no sábado, às 23 horas, pela TV Educativa-Rede Brasil. Depois da cerimônia, haverá festa para todos os convidados na Marina da Glória (com animação do DJ Jorge Luiz e da Orquestra Imperial).

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