Filme japonês está na disputa do Oscar de 2022  

Filme japonês está na disputa do Oscar de 2022  

Oscar 2022: 'Drive My Car' busca repetir sucesso de 'Parasita'

Longa é apontado como sério candidato a ser premiado pelo Oscar; concorre em quatro categorias, inclusive melhor filme

Mariane Morisawa , Especial para o Estadão

Atualizado

Filme japonês está na disputa do Oscar de 2022  

Ryûsuke Hamaguchi estava em um voo entre Tóquio e Berlim, onde participaria do júri do festival de cinema, quando saíram os concorrentes ao Oscar. Além da esperada indicação para melhor produção internacional, seu Drive My Car estava entre os finalistas nas categorias melhor roteiro adaptado, direção e filme – um feito inédito para um longa japonês. Quando ele desembarcou na Alemanha, havia dezenas de mensagens em seu celular. “Foi como se tivesse entrado em um mundo diferente”, disse Hamaguchi ao Estadão, por videoconferência. “Mas este é o mundo em que estou vivendo, então estou tentando aproveitar e me sinto feliz de estar aqui.” Drive My Car estreia nos cinemas do Brasil nesta quinta-feira, 17, e chega à Mubi no dia 1.º.

As indicações para Drive My Car logo despertaram comparações com o sul-coreano Parasita, que em 2020 levou quatro Oscars (filme, direção para Bong Joon Ho, roteiro original e produção internacional). Os dois, afinal, vêm do mesmo continente e começaram sua carreira internacional em Cannes, com Parasita ganhando a Palma de Ouro, e Drive My Car, o prêmio de roteiro.

 

Mas não poderiam ser mais diferentes. Enquanto Parasita mistura drama, comédia e suspense para falar dos efeitos do capitalismo em uma família, tudo embalado no pop, a obra de Hamaguchi medita sobre o luto, a arte e a necessidade de seguir adiante e se desenrola discretamente e a seu tempo – são três horas de duração. Essa combinação faz com que a proeza das quatro indicações para Drive My Car pareça ainda maior. 

No longa, Yûsuke Kafuku (Hidetoshi Nishijima) é um ator e diretor convidado para fazer uma montagem de Tio Vânia, de Anton Chekhov, em Hiroshima. A contragosto, ele aceita que seu precioso carro, um Saab vermelho, seja dirigido pela jovem Misaki Watari (Tôko Miura). Os dois são calados, mas, aos poucos, começam a conversar sobre suas perdas. A mulher de Yûsuke, Oto (Reika Kirishima), morreu há pouco tempo, deixando um mistério e a dor. 

Hamaguchi é modesto, creditando o sucesso do longa aos atores e à equipe, bem como ao material original do astro da literatura japonesa Haruki Murakami. O cineasta de 43 anos tinha lido o conto Drive My Car, que faz parte da coletânea Homens Sem Mulheres, publicado no Brasil pela Alfaguara, com tradução de Eunice Suenaga, na época de sua publicação. Mas foi seu produtor, Teruhisa Yamamoto, grande fã do escritor, quem sugeriu que Hamaguchi adaptasse alguma obra de Murakami. 

 Sabendo da relutância do autor em ceder os direitos, decidiram que o melhor seria fazer uma versão de um dos contos. O diretor sugeriu Drive My Car. “Quando li a história, eu era um cineasta independente. Não havia possibilidade de ter o orçamento necessário”, disse Hamaguchi, sobre o filme feito com US$ 1,3 milhão (cerca de R$ 6,6 milhões). “Mas há algo muito único nesse espaço fechado do carro, em que você conversa sem olhar para o outro, que permite uma abertura maior, uma conversa íntima.” 

Hamaguchi tinha passado por experiências assim, principalmente quando filmou seus documentários na área atingida pelo terremoto, tsunami e desastre nuclear em 2011. Fora isso, o conto trazia uma discussão sobre a performance. Tio Vânia é só uma citação na história de Murakami. O cineasta ampliou a presença da peça por achar que seu protagonista lida com as mesmas questões que os personagens da obra de Chekhov. Sem saber como filmar o ensaio de uma montagem, decidiu incluir o seu método: os atores são convidados a ler o texto, sem emoção, repetidamente, até que as palavras e os diálogos estejam internalizados. 

É por meio das conversas com Misaki, as divergências com o ator Koshi Takatsuki (Masaki Okada), ex-amante de sua mulher, e a montagem da peça que Yûsuke se reencontra consigo mesmo e encontra um caminho adiante. “A arte é necessária”,afirmou Hamaguchi, que incluiu no filme elementos de dois outros contos do mesmo livro, Sherazade e Kino. “É um refúgio para a alma, uma zona de segurança. Mas também há um mistério na arte, algo que não pode ser explicado.” 

No filme, o mistério também existe no outro. “Acredito ser impossível conhecer o outro completamente”, observou o cineasta. “Na verdade, me parece impossível até mesmo que nos conheçamos a nós mesmos verdadeiramente. E isso é algo com que temos de lidar.” A ficção, para ele, serve justamente para oferecer um alento. “É importante mostrarmos nos filmes e em outras obras que não há como superar essa e outras dores ou escapar delas, mas dá para encontrar a esperança que nos permitirá viver.”

A filmagem durante a pandemia deixou essa convicção ainda mais evidente. Hamaguchi tinha completado dois dos três episódios de Roda do Destino, o outro longa que lançou em 2021, premiado em Berlim, e estava começando Drive My Car quando a pandemia fechou tudo. Busan, na Coreia do Sul, que seria a locação, foi substituída por Hiroshima. “Hesitei, porque a cidade carrega um peso enorme para os japoneses. Temi que houvesse uma ressonância muito grande com os assuntos do filme”, contou. “Mas encontrei uma cidade muito vibrante, que foi redesenhada para a busca pela paz. No fim, Hiroshima ofereceu uma conexão com o tema maior do longa: a recuperação após a destruição no caso de Hiroshima e a reconstrução depois da perda no caso dos personagens.”

Inevitável também é acreditar que Drive My Car chegou na hora certa, quando a perda coletiva provocada pela pandemia trouxe ainda mais força à história de luto e de superação. O filme foi abraçado pelos críticos desde Cannes, onde foi escolhido o melhor filme da competição pela Federação Internacional dos Críticos de Cinema, e depois pelas associações de Nova York e Los Angeles, impulsionando sua candidatura ao Oscar. Nas últimas semanas, o longa levou o Bafta, o Film Independent Spirit Award e o Critics Choice para produções em língua não inglesa. Drive My Car chega à cerimônia do Oscar, no próximo dia 27, como favorito absoluto, pelo menos na categoria filme internacional. 

É um alento, quem sabe um sinal de que a Academia vem mesmo se transformando nos últimos anos, que um drama sem pressa, discreto, de longa duração, seja o provável ganhador da estatueta dourada. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Inspirado em conto do escritor Murakami, 'Drive my Car' desenvolve sofisticado jogo metalinguístico

No filme, a trinca amor-traição-fidelidade põe a amizade e o perdão à prova todo o tempo

Caetano Vilela, Especial para o Estadão

16 de março de 2022 | 05h00

O cineasta japonês Ryûsuke Hamaguchi viu no conto Drive My Car, de Haruki Murakami, uma oportunidade única para celebrar um autor que já estava no seu radar: o dramaturgo russo Anton Chekhov (1860-1904).

Não seria equivocado dizer que o diretor trabalhou no seu roteiro “a partir de”, e não “baseado em”, já que Hamaguchi explicita o que Murakami insinua ao usar a peça Tio Vânia, de Chekhov. Ele cria uma dramaturgia paralela, em parceria com Takamasa Oe, espelhando os personagens do filme com os da peça russa; trata-se de um sofisticado jogo metalinguístico que vai muito além do conto e que precisa de tempo para ser desenvolvido. Sua adaptação dura três horas e nos entrega muito mais do que o conto original, com pouco mais de 30 páginas. 

Um resumo temático sobre o enredo de Drive My Car poderia servir também para Tio Vânia: a trinca amor-traição-fidelidade é somada a uma resiliência em escala social e humana na qual a amizade e o perdão são postos à prova todo o tempo. Hamaguchi já declarou que o mais fascinante em Chekhov é a “onipresença da palavra” – sim, seu teatro prescinde de ações físicas e os conflitos são resolvidos por meio da palavra. Chekhov precisou de apenas oito anos (1896 a 1904) para criar uma tetralogia que resume um período de constantes mudanças, políticas e sociais, cuja atualidade ainda nos assombra: A Gaivota, Tio Vânia, Três Irmãs e O Jardim das Cerejeiras

 O protagonista de Drive My Car é um ator e diretor reconhecido por suas atuações no teatro, no qual não faz escolhas comerciais: acompanhamos suas apresentações bem-sucedidas como o protagonista Vânia, sucesso que o leva a dirigir a peça em Hiroshima, onde precisa ficar por dois meses. Nada disso está no conto de Murakami, mas é como se do texto nascesse a gênese destes personagens em um filme independente. Tão independente que o longa praticamente só começa depois de um prólogo de 40 minutos, que mostra o que está em segundo plano no conto: as relações conjugais entre o ator/diretor e sua mulher e o trágico destino que o afeta. Apenas depois é que a dramaturgia chekhoviana comanda o filme e tudo começa a fazer sentido: a relação monossilábica com a motorista, a paisagem moderna e catártica de Hiroshima, os ensaios exaustivos com os atores e, por fim, o espetáculo pronto. 

Quando vemos uma encenação em que cada um interpreta no seu idioma, nós, espectadores do filme, nos damos conta de que, ao se valer da dramaturgia de Chekhov, Hamaguchi a contextualiza e nos tranquiliza sobre nosso futuro pós-pandemia. A personagem da atriz (Park Yu-rim) que interpreta Sônia, sobrinha de Vânia, é muda; seu monólogo final de consolo e esperança ao tio é feito na linguagem de sinais coreana. 

Uma cena indelével – a realidade que vem depois é apenas para que não nos esqueçamos de que “viver é preciso (...), suportaremos com paciência os golpes do destino”.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Filmado em Hiroshima, 'Drive my Car' aposta na ideia de reconstrução

Filme tem longas cenas dentro de carros, assim como em outra obra do diretor, ‘Roda do Destino

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

16 de março de 2022 | 05h00

Selecionado em terceiro lugar entre os dez melhores filmes do ano passado pelos críticos da revista Sight and Sound – o segundo foi Pequena Mamãe, de Céline Sciamma, e o primeiro, The Souvenir – Part II, de Joanna Hogg –, Drive My Car vem somar-se a outro grande filme de Ryûsuke Hamaguchi em cartaz no Brasil:Roda do Destino, 10.º na lista da revista. Ambos têm longas cenas de diálogos dentro de carros.

À revista, Hamaguchi contou que pretendia filmar Drive My Car fora do Japão. Em Busan, talvez, na Coreia do Sul. Vários fatores, inclusive a covid-19, o impediram de levar adiante o plano. Ele teve de fazer o filme no Japão, mas não em Tóquio. Seria impossível filmar as cenas de carros na capital japonesa. Escolheu Hiroshima, não só pelo tráfego menos pesado, mas porque a cidade foi reconstruída após a destruição pela bomba, e Drive My Car é sobre reconstrução.

O ator e diretor que é o protagonista da história perdeu a mulher. Antes disso, o casal amargou a dor da morte de uma filha. Ele viaja a Hiroshima para ministrar uma oficina de teatro. Seleciona atores. A peça dentro do filme é Tio Vânia, de Chekhov

 A organização do evento o obriga a usar um motorista. É uma motorista. O carro é vermelho. Destaca-se nas tomadas do alto. Baseado em Haruki Murakami, Drive My Car, como todo Hamaguchi, é sobre encontros e desencontros, sobre a roda do destino. As referências a Chekhov e personagens sofridos intensificam o pathos. 

Drive My Car concorre aos quatro prêmios da Academia que Bong Joon-ho venceu há dois anos por Parasita – melhor filme, direção, roteiro e filme estrangeiro. Hamaguchi, como o repórter, prefere outro sul-coreano, Em Chamas, de Lee Chang-dong, adaptado de Murakami. Como ele diz, Em Chamas é mais Chang-dong do que Murakami, mas o que os conecta, como autores de cinema, é o desejo de se apropriar do escritor. A reconstrução – do afeto, das relações – está no centro de Drive My Car. O carro é personagem. O filme é maravilhoso.

COTAÇÃO: ÓTIMO 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Oscar de ‘Parasita’ chama atenção para o cinema asiático

Pela primeira vez, um filme estrangeiro e falado em seu idioma venceu o Oscar

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2020 | 21h02

Por esta ninguém esperava mesmo. Mesmo badalado pela crítica e cheio de prêmios (inclusive a Palma de Ouro em Cannes) quem adivinharia que o coreano Parasita levaria o Oscar principal, de melhor filme, e ainda os de direção (Bong Joon-ho), roteiro e melhor filme internacional? É uma novidade total – a primeira vez que um filme estrangeiro, falado em seu idioma, vence o Oscar (houve o precedente do francês O Artista, mas que é um filme mudo, e que celebra Hollywood). 

Parasita, não. É um filme de completo DNA coreano, ambientado no país, produzido e falado em sua língua, trazendo para a tela a realidade social coreana. Tem trunfos muito fortes, como a originalidade no tratamento do tema e o rigor na direção. Ao mostrar a família pobre que se infiltra na residência da família rica, problematiza a noção de parasita (quem suga a seiva de quem?). Constrói personagens críveis, em ambientes que equivalem a verdadeiros espaços de dramaturgias (o porão onde mora uma família, a residência modernista onde habita a outra). E dialoga com o cinema de gênero (como já havia feito com O Hospedeiro), levando o terço final do filme para um ambiente fantástico e imprevisível. 

Cabe dizer que a vitória de Parasita se beneficia da mudança estrutural da Academia de Hollywood que, incorporando profissionais do exterior, ganha em universalidade. E, mais importante, leva a prestar atenção ao cinema coreano, fortemente amparado pelo governo e dispondo de leis de proteção, até mesmo no quesito exibição. Lá, não ocorre o que aqui acontece com frequência, como blockbusters norte-americanos praticamente monopolizando o circuito exibidor. 

Parasita foi o grande vencedor, quais foram os maiores derrotados?

Sem dúvida, 1917, o épico de guerra que entrou como favorito e saiu apenas com prêmios técnicos, fotografia, mixagem de som e efeitos visuais. Ou seja, foi considerado apenas uma proeza técnica, com sua simulação de um plano sequência único. 

Outro foi Martin Scorsese e seu O Irlandês. Dez indicações sem emplacar nenhum prêmio! Qual o recado da Academia? O mestre estaria fazendo um cinema superado? Ou a questão é com a Netflix, a poderosa plataforma de streaming, produtora do filme?

Também foi ignorado Pedro Almodóvar, cujo maravilhoso Dor e Glória saiu de mãos abanando. Faço uma aposta: é um filme que ficará e será visto com emoção por muitos e muitos anos. Às vezes, as premiações podem ser cruéis.

Foi assim também com outro filme maravilhoso, Honeyland, da Macedônia do Norte, que competia nas categorias filme internacional e documentário. Perdeu em ambas. Mas também ficará. 

Clique aqui para ver a lista completa de indicados e vencedores do Oscar 2020.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Oscar 2022: veja onde assistir aos principais filmes indicados

Confira o trailer das obras que disputam nas categorias mais importantes, incluindo Melhor Filme

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2022 | 10h00

Os indicados ao Oscar de Melhor Filme de 2022 foram conhecidos na manhã desta terça-feira, 8. Entre as produções, há algumas disponíveis para assistir em serviços de streaming como Netflix, Amazon Prime Video e HBO Max, além de outros em cartaz no cinema ou com previsão de estreia nos próximos tempos. A edição do Oscar será transmitida na televisão pelos canais pagos TNT e TNT Series. A Globo não vai transmitir pelo seu canal de TV aberta, mas pelo Globoplay, com acesso liberado para não assinantes.

Confira mais detalhes, assista aos trailers e saiba onde ver os filmes indicados ao Oscar 2022.

 

Belfast

Considerado um dos melhores filmes de 2021, Belfast aborda a turbulenta década de 1960 na Irlanda do Norte pela ótica de um garotinho de nove anos, Buddy (Jude Hill), com fotografia em preto e branco e citação ao separatismo presente na ilha. Com direção de Kenneth Branagh, o elenco do filme conta ainda com Caitriona Balfe, Judi Dench, Jamie Dornan, Ciaran Hinds e Jude Hill. Concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original, Melhor Som e Melhor Canção Original .

Belfast estreia nos cinemas do Brasil em 10 de março de 2022. Assista ao trailer abaixo:

 

 

 

Duna

O remake da ficção científica com orçamento de US$ 165 milhões aborda a jornada heroica de um jovem lidando com religião, política, destino, herança, meio ambiente, colonialismo e minhocas espaciais gigantes era uma obsessão do diretor Dennis Villeneuve desde a sua juventude. Com orçamento de US$ 165 milhões. No elenco constam nomes como, Timothée Chalamet, ZendayaRebecca Ferguson, Oscar Isaac, Jason Momoa, Josh Brolin, Javier Bardem e Charlotte Ramping. Concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Original, Melhor Figurino, Melhor Fotografia e Melhor Montagem.

Duna está disponível para assistir no streaming pelo HBO Max, Apple TV+ e YouTube.

Assista ao trailer de Duna:

 

 

 

Licorice Pizza

Licorice Pizza mostra as idas e vindas e a complexidade do amor entre amigos de juventude, Alana Kane e Gary Vallentine, nos anos 1970. Escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, o filme traz Alana Haim e Cooper Hoffman como o casal de protagonistas, e um elenco de peso com Sean Penn, Bradley Cooper, Tom Waits e Benny Safdie. Concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Original.

O longa tem estreia prevista para 17 de fevereiro de 2022 nos cinemas brasileiros. Assista ao trailer abaixo:

 

 

 

Ataque dos Cães

Fugindo dos clichês de filmes de faroeste, o filme da diretora Jane Campion traz dois irmãos administradores de uma fazenda em Montana, nos Estados Unidos, que possuem temperamentos opostos, George (Jesse Plemons) e Phil (Benedict Cumberbatch). O equilíbrio entre a dupla chega ao fim quando George se casa com a viúva Rose (Kirsten Dunst), mãe de um adolescente, Peter (Kodi Smit-McPhee). A partir daí, Phil tenta sabotar o casamento do irmão. Concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Trilha Original, Melhor Fotografia e Melhor Montagem.

Ataque dos Cães está disponível para assistir na Netflix. Confira o trailer abaixo:

 

 

 

Amor, Sublime Amor

Com um início capenga em termos de bilheteria, o remake de West Side Story, musical de 1957 que rendeu 10 Oscars em sua primeira adaptação ao cinema, em 1961, transporta o drama shakesperiano de Romeu e Julieta para a cidade de Nova York, nos Estados Unidos, nos anos 1950. Tony (Ansel Elgort) é um ex-membro da gangue Jets, composta por descendentes de europeus, e se apaixona por Maria (Rachel Zegler), irmã do líder da gangue Sharks, de porto-riquenhos. Com direção de Steven Spielberg, conta com músicas feitas por Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, morto em 2021. Concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Figurino e Melhor Fotografia.

Amor, Sublime Amor está em cartaz nos cinemas do Brasil desde dezembro de 2021.

 

 

 

No Ritmo do Coração

O longa mostra a história de Ruby, adolescente que é a única que ouve em uma família surda. Tímida, se inscreve no coral da escola e acaba descobrindo um grande talento musical ao lado de seu professor, enquanto se vê diante do dilema do quanto se afastar da própria família. Dirigido por Siân Heder, conta com Emilia Jones, Marlee Matlin, Eugenio Derbez, Troy Kotsur e Daniel Durant no elenco. Concorre nas categorias de Melhor Filme e Melhor Roteiro Adaptado.

No Ritmo do Coração está disponível para assistir no Amazon Prime Video e YouTube.

 

 

 

King Richard: Criando Campeãs

Will Smith estreia a trama baseada na entrada de Venus e Serena WIlliams no mundo do tênis durante a juventude sob a ótica de seu pai e técnico, Richard Williams. Dirigido por Reinaldo Marcus Green, o filme ainda traz Aunjanue Ellis, Saniyaa Sidney e Demi Singleton no elenco. Concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Montagem, Melhor Canção Original e Melhor Roteiro Original.

Além de ter sido lançado nos cinemas, King Richard: Criando Campeãs está disponível para assistir no HBO Max, Apple TV+ e YouTube.

Veja o trailer:

 

 

 

Não Olhe Para Cima

Pensado inicialmente como uma crítica ao negacionismo do aquecimento global, o filme proporcionou ao público diversas reflexões em relação à pandemia de covid-19. A história mostra dois cientistas que, ao descobrirem um cometa em rota de colisão com a Terra, vão à imprensa e ao governo clamar por ajuda - mas acabam recebendo reações diferentes das esperadas. Com Leonardo DiCaprio, Jennifer Lawrence, Meryl Streep, Rob Morgan, Cate Blanchett e Jonah Hill e direção de Adam McKay. Concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Trilha Original, Melhor Montagem e Melhor Roteiro Original.

Não Olhe Para Cima está disponível para assistir na Netflix.

Confira o trailer:

 

 

 

Casa Gucci

Dirigido por Ridley Scott e com Lady Gaga e Adam Driver como protagonistas, o longa aborda as relações da família Gucci tendo como foco o assassinato real de Maurizio Gucci por parte de sua ex-mulher, Patrizia Reggiani. O elenco ainda conta com Al Pacino, Jared Leto, Jeremy Irons, Salma Hayek e Camille Cottin. Concorre nas categorias de Melhor Cabelo e Maquiagem.

Casa Gucci está em cartaz nos cinemas brasileiros.

 

 

 

Tick, Tick... Boom!

Ambientado nos anos 1990, o filme dirigido por Lin-Manuel Miranda é uma adaptação do musical autobiográfico de Jonathan Larson, autor da peça Rent, e traz Andrew Garfield como o protagonista, um garçom de Nova York em meio à epidemia de AIDS que, às vésperas de criar um grande musical, se depara com questões envolvendo a namorada, Susan, e um amigo, Michael.

O elenco de Tick, Tick... Boom! ainda conta com Alexandra Shipp, Robin de Jesús, Joshua Henry, Vanessa Hudgens, Judith Light, MJ Rodriguez e Bradley Whitford.

O filme pode ser visto na Netflix. Concorre nas categorias de Melhor Montagem.

 

 

 

Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

O fechamento da trilogia estrelada por Tom Holland revisita alguns vilões icônicos do super-herói da Marvel. Com direção de Jon Watts, o filme foi um sucesso nas vendas, se tornando a 6ª maior bilheteria da história do cinema mundial até hoje. Concorre nas categorias de Melhores Efeitos Especiais.

Disponível nos cinemas, Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa deve ficar disponível no streaming HBO Max, ainda sem previsão de estreia.

Assista ao trailer abaixo:

 

 

 

007: Sem Tempo Para Morrer

Último filme do espião britânico protagonizado por Daniel Craig, a sequência de ação mostra James Bond aproveitando a aposentadoria da vida de agente secreto na Jamaica quando Felix Leiter, um velho amigo da CIA, lhe pede ajuda em missão de resgate a um cientista sequestrado. Concorre nas categorias de Melhor Canção Original, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Som.

Com direção de Cary Joji Fukunaga, tem também Ana de Armas, Dali Benssalah, David Dencik, Ralph Fiennes e Léa Seydoux no elenco.

007: Sem Tempo Para Morrer está disponível para assistir no YouTube, AppleTV+ e Amazon Prime Video.

Assista ao trailer:

 

 

 

O Beco do Pesadelo

Quando o carismático, mas sem sorte, Stanton Carlisle se torna querido para a vidente Zeena e o seu marido mentalista Pete numa feira itinerante, ele ganha um bilhete dourado para o sucesso, usando o conhecimento adquirido com eles para ludibriar a elite rica da sociedade de Nova Iorque dos anos 1940. Com a virtuosa Molly lealmente ao seu lado, Stanton planeja enganar um magnata perigoso com a ajuda de uma psiquiatra misteriosa que pode vir a ser sua melhor adversária. Concorre nas categorias de Melhor Filme, Melhor Figurino e Melhor Fotografia.

Com direção de Guillermo Del Toro, o filme conta com Bradley Cooper, Cate Blanchett, Rooney Mara e Toni Colette.

O Beco do Pesadelo segue disponível nos cinemas.

 

 

Being The Ricardos 

 

Os atores Nicole Kidman e Javier Bardemestão no elenco de Being the Ricardos, que trata do ícone de Hollywood Lucille Ball e de Desi Arnaz, que estrearam a clássica série cômica norte-americana I Love Lucy e também eram um casal fora da tela. Tony Hale, que interpreta o produtor-executivo do seriado, Jess Oppenheimer, disse que as plateias não precisam conhecer I Love Lucy para assistir ao filme, que foi escrito e dirigido por Aaron Sorkin. Disponível no Amazon Prime Video

Encanto 

 “Dois metros de altura, ratos nas costas”, um adolescente de cabelos encaracolados envolto numa capa canta para a câmera. “Ele me faz lembrar o som da areia caindo”, uma mãe ocupada balança a cabeça fazendo que sim e sai dançando na cozinha, com o aspirador de pó nas mãos. “Desculpe, mi vida, vá em frente!”, duas irmãs dizem com um gritinho, perigosamente desafinadas. Encanto avisou que não era para falar sobre Bruno, mas muita gente está obcecada com uma música que fala sobre ele desde que o filme animado da Disney estreou nos cinemas em novembro e chegou ao Disney+

Drive my car 

Ryûsuke Hamaguchi estava em um voo entre Tóquio e Berlim, onde participaria do júri do festival de cinema, quando saíram os concorrentes ao Oscar. Além da esperada indicação para melhor produção internacional, seu Drive My Car estava entre os finalistas nas categorias melhor roteiro adaptado, direção e filme – um feito inédito para um longa japonês. Quando ele desembarcou na Alemanha, havia dezenas de mensagens em seu celular. “Foi como se tivesse entrado em um mundo diferente”, disse Hamaguchi ao Estadão, por videoconferência. “Mas este é o mundo em que estou vivendo, então estou tentando aproveitar e me sinto feliz de estar aqui.” Drive My Car estreou nos cinemas do Brasil no dia  17.

A mão de Deus

O novo filme de Paolo Sorrentino, disponível na Netflix,  não é uma cinebiografia de Diego Armando Maradona. Interpretado por um ator (Daniele Vicorito), Maradona tem aparição fugaz neste que é, de fato, um filme memorialístico do napolitano Paolo Sorrentino. Através de Maradona, Sorrentino fala de si mesmo e de sua cidade.

A tragédia de Macbeth

A Tragédia de Macbeth, é uma versão sombria e fantasmagórica da peça de Shakespeare, apresentado em preto e branco. O filme, lançado nos cinemas em dezembro e na Apple TV+ , é estrelado por Denzel Washington como o nobre assassino do título e Frances McDormand como sua esposa ardilosa, Lady Macbeth. Já recebeu inúmeros aplausos na pós-temporada e faturou três indicações ao Oscar: nas categorias de melhor ator (com Denzel Washington), fotografia e design de produção.

Luca 

Segundo a Nielsen, a animação da Pixar Luca, Disney+, foi o filme mais assistido de 2021, com mais de 10,5 bilhões de minutos transmitidos. Sucesso certeiro do estúdio que apostou na história de amizade entre dois garotos que sonham em pilotar uma vespa. Luca é o nome de um, a criatura fantástica do mar. Soma-se à dupla uma garotinha que vai os ajudar a ganhar um concurso de um valentão e ensinar sobre afeto e superar os desafios. 

 

Mães Paralelas 

Pedro Almodóvar causou frenesi no público quando o Instagram censurou o poster do filme Mães Paralelas, que conta a história de duas mulheres solteiras, Janis (Penélope Cruz), em seus 40 anos, e Ana (Milena Smit), uma adolescente, que se conhecem na maternidade, quando estão para dar à luz seus primeiros filhos. Nenhum dos bebês foi planejado. A partir dali, forma-se uma relação cheia de complexidades entre as duas mulheres. Almodóvar  já havia tido a ideia de contrapor as mães paralelas com a história mais ampla da Espanha, abordando as valas comuns de combatentes da Guerra Civil (1936-1939). O filme está disponível na Netflix

A Filha Perdida 

Rola nas redes uma certa polêmica em torno de A Filha Perdida, filme adaptado do romance de Elena Ferrante por Maggie Gyllenhaal. Espectadores iniciaram um debate sobre maternalismo, envolvendo a protagonista, que divide opiniões por não ser um exemplo de mão. A personagem de Gyllenhaal também ganhou os que a consideram uma anti-heroína. O filme está disponível na Netflix

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Com 'Drive My Car', Ryusuke Hamaguchi trilha caminho de sucesso de 'Parasita', de Bon Joon-ho

O filme do diretor japonês trata de luto e arte e se tornou o mais provável sucesso do Oscar da temporada

Kyle Buchanan, The New York Times

05 de março de 2022 | 10h00

Em janeiro de 2020, apenas algumas semanas antes de seu filme Parasita fazer história no Oscar, o diretor Bong Joon-ho estava em Tóquio fazendo uma entrevista para uma revista. Naquele momento, que acabou se tornando uma longa coletiva de imprensa, Bong obedientemente se sentou para dezenas de perfis, mas pelo menos um deles era intrigante: o entrevistador de Bong era Ryusuke Hamaguchi, um diretor em ascensão.

Para Bong, fã dos filmes de Hamaguchi Asako I & II e Happy Hour, esta foi uma boa chance de misturar as coisas. “Eu tinha muitas perguntas que queria fazer a ele”, lembrou Bong, “especialmente porque eu estava há muitos meses no processo de divulgação e estava muito cansado de falar sobre meu próprio filme”.

Mas Hamaguchi não seria dissuadido. Ele era um homem com uma missão - “agradavelmente teimoso e persistente”, como Bong se lembrava dele - e toda vez que um Bong brincalhão tentava virar a mesa e fazer algumas perguntas ao diretor mais jovem sobre sua carreira, Hamaguchi ficava cada vez mais sério e insistia que eles falassem apenas sobre Parasita.

“Eu realmente queria saber como ele fez um filme tão incrível, mesmo sabendo o quanto ele estava cansado de falar sobre Parasita”, disse Hamaguchi. “Eu senti pena dele, mas ainda queria lhe fazer perguntas!”

Agora, dois anos depois, Bong finalmente conseguiu o que queria: Hamaguchi, de 43 anos, é o homem do momento, e Bong está muito feliz em pegar o telefone e falar sobre ele. O filme de Hamaguchi, Drive My Car, um drama japonês de três horas sobre luto e arte, tornou-se o mais improvável sucesso do Oscar da temporada, recebendo indicações para melhor filme e filme estrangeiro, além de indicações para roteiro e direção.

Essas são as mesmas coisas pelas quais Parasita foi homenageado há dois anos, quando aquele thriller de luta de classes sul-coreano ganhou quatro Oscars e se tornou o primeiro filme em língua não inglesa a ganhar o prêmio de melhor filme.

Parasita abriu aquela porta muito pesada que permanecia fechada”, disse Hamaguchi por meio de um intérprete esta semana. “Sem ‘Parasita e suas vitórias, não acho que nosso filme teria sido tão bem recebido.”

Chamado de “obra-prima silenciosa” pela crítica do New York Times Manohla Dargis, Drive My Car segue Yusuke (Hidetoshi Nishijima), um diretor de teatro que lida com a morte de sua esposa enquanto monta uma produção de Tio Vânia em Hiroshima, Japão. A companhia de teatro atribui a ele um motorista, Misaki (Toko Miura), que o transporta para o trabalho em um Saab vermelho, enquanto guarda vastas reservas emocionais próprias. Embora Yusuke não goste a princípio da presença de Misaki, uma conexão - e depois uma confissão - é finalmente feita.

“Há muitos diretores que são ótimos em retratar personagens, mas há algo peculiar e único em Hamaguchi”, disse Bong por meio de um intérprete por telefone de Seul, Coréia do Sul. “Ele é muito intenso em sua abordagem dos personagens, muito focado e nunca apressa as coisas.”

Embora essa abordagem sem pressa possa resultar em um longo tempo de execução, Bong sentiu que as três horas de duração de Drive My Car apenas enriqueceram seu eventual impacto emocional.

“Eu compararia isso com o som de um sino que ressoa por muito tempo”, ele disse.

Talvez seja apropriado que a jornada da temporada de premiações do filme também esteja sendo construída lentamente. Ao contrário de “Parasita”, que chamou rapidamente a atenção após ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, o íntimo Drive My Car (adaptado de um conto de Haruki Murakami) emergiu de Cannes no verão passado com um troféu de roteiro e pequenos burburinhos sobre o Oscar. Mas depois que grupos de críticos em Nova York e Los Angeles deram seu prêmio de melhor filme a Hamaguchi, o perfil do filme começou uma ascensão constante.

Ainda assim, o caminho para o Oscar está repleto de favoritos da crítica que não foram tão longe. Quando perguntei a Hamaguchi por que “Drive My Car” provou ser sua revelação, o diretor ficou perplexo.

“Sinceramente, não sei”, disse Hamaguchi. “Eu quero te perguntar. Por que você acha que isso aconteceu?"

Sugeri que, durante a pandemia, ficamos ainda mais afetados assistindo a personagens que desejam se conectar, mas não conseguem. Mesmo quando os personagens de Drive My Car dividem a mesma cama, o mesmo quarto ou o mesmo Saab, há um abismo entre eles que nem sempre pode ser fechado.

Hamaguchi concordou. “Estamos fisicamente separados e ainda assim podemos nos conectar online”, ele disse. “É aquela coisa de estar conectado e, ao mesmo tempo, não estar.” /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Vitória inédita do filme sul-coreano 'Parasita' no Oscar coloca Hollywood no caminho do globalismo

Bong Joon-ho fez história ao faturar quatro estatuetas na premiação

Ubiratan Brasil, ENVIADO ESPECIAL

10 de fevereiro de 2020 | 21h03

LOS ANGELES - Foram inúmeros os convites para festas, mas Bong Joon-ho – o cineasta sul-coreano que fez história no Oscar, domingo, 9, ao faturar quatro estatuetas, entre elas a de melhor filme do ano com Parasita, fato inédito por ser um longa não falado em inglês – sabia para onde iria, já na madrugada de segunda-feira: na celebração promovida por Tom Quinn, o chefão da Neon, a distribuidora de Parasita nos Estados Unidos. “Essa noite foi inacreditável”, disse o diretor a uma seleta plateia, que o aplaudiu de pé.

O gesto, aliás, já se repetira ao longo da noite, seja no palco do Dolby Theatre, onde Joon-ho subiu por quatro vezes, até na sala de imprensa, onde foi ovacionado. Era, de fato, um momento histórico nas 92 edições do Oscar e todos naquela festa estavam cientes disso. “Esta noite, colocamos a indústria em xeque”, disse Quinn aos convidados, segundo relato divulgado pelo jornal Washington Post.

De fato, o mundo cinematográfico americano vive um momento particular – em 2019, as bilheterias no exterior atingiram a estonteante cifra de US$ 31 bilhões, um recorde, quase duas vezes e meia a quantia arrecadada em território americano. Por outro lado, ainda segundo o Post, as produções estrangeiras fizeram pouco barulho no mercado americano. Nos últimos anos, o filme que mais chamou atenção foi Amor (2012), de Michael Haneke, que arrecadou US$ 7 milhões nos Estados Unidos. Enquanto isso, Parasita já faturou US$ 36 milhões em território americano, o que deverá aumentar consideravelmente depois das conquistas no Oscar.

Há um consenso agora que a indústria americana não apenas dá as cartas no jogo mundial do cinema, mas também está aberta a ouvir o que vem de fora. Claro que não em uma proporção ameaçadora à sua hegemonia, mas algo muito mais eclético do que se via há alguns anos.

E o movimento começou internamente, como comprova o esquema de promoção para o Oscar, adotado pelos produtores coreanos e distribuidores internacionais. Ao contrário de seguir a cartilha tradicional (promover sessões especiais para os votantes da Academia, nos Estados Unidos e em algumas cidades da Europa), eles iniciaram a estratégia em maio do ano passado, quando Parasita foi selecionado para o Festival de Cannes. Iniciou-se ali a “estratégia Twitter”, ou seja, um esquema promocional via redes sociais que buscava atingir a chamada base: os espectadores comuns.

A conquista da Palma de Ouro deu novo ânimo à campanha, que continuou nos meses seguintes, à medida que o filme estreava em diversos países, principalmente nos Estados Unidos. O plano de ação, então, se diversificou, com as redes sociais bombando os eleitores mais jovens da Academia (assim como da mídia digital) enquanto o esquema antigo, o de exibições especiais sistemáticas, era utilizado para atrair o eleitor da Academia menos afeito à internet.

“Você precisa do filme certo, no momento certo”, disse ao Post o executivo de uma empresa rival que falou sob condição de anonimato, lembrando que Parasita é um filme disruptivo, com uma trama aceitável em qualquer sociedade. “Alguém agora duvida que esses campeões online desempenharam um grande papel nesta vitória?” 

O certo é que, com a vitória de Parasita, abriu-se uma nova forma de conquistar público de forma massiva e, ainda que os grandes estúdios relutem em adotar tal método, outras empresas (médias ou menores) se sentirão mais motivadas.

Centro das atenções, Bong Joon-ho sabe, ao menos, qual o melhor caminho para conquistar uma audiência planetária, como o fez com Parasita: “Quanto mais eu me aprofundar em assuntos que estão ao meu redor, quanto mais ampla for a história, estou certo que a trama vai se tornar mais atraente para um público internacional”, disse, na entrevista coletiva depois da cerimônia do Oscar.

Também ali, o cineasta coreano demonstrou que já raciocina segundo a nova ordem mundial. “Durante o Globo de Ouro, mencionei a barreira das legendas, mas sinto que isso já não é mais um empecilho: as pessoas já superaram esse tipo de barreira”, comentou Joon-ho. “Existem serviços de streaming, YouTube, mídias sociais e o ambiente em que vivemos atualmente que nos permitem estarmos conectados. Assim, acredito que logo chegará o dia em que naturalmente assistiremos a um filme que não seja falado em nossa língua. O idioma não será mais uma barreira.”

Bong Joon-ho garantiu ainda que a avalanche de premiações recebidas não alterou seus planos. “Tenho trabalhado nos últimos 20 anos e, independentemente do que aconteceu em Cannes e no Oscar, eu já vinha arquitetando dois projetos e não vou mudar nada por causa desses prêmios. Só posso adiantar que um é em coreano e o outro, em inglês.”

Clique aqui para conferir a lista completa de indicados e vencedores do Oscar 2020.

Show de Eminem foi grande surpresa da cerimônia

Outra grande surpresa do Oscar foi a apresentação surpresa do rapper Eminem. Tudo começou quando o cantor e compositor Lin-Manuel Miranda apresentou, aparentemente sem motivo, um clipe com trechos de música pop antiga e, quando as luzes se acenderam, um Eminem barbudo já estava no palco do Dolby Theatre para interpretar Lose Yourself, a canção do filme 8 Mile: Rua das Ilusões, que lhe valeu um Oscar em 2003 – como não foi à cerimônia, perdeu a chance de receber a estatueta das mãos de Barbra Streisand.

Enquanto ele se apresentava, a plateia acompanhava atônita. Billie Eilish ficou boquiaberta, enquanto outras artistas acompanhavam o ritmo com a cabeça, caso das atrizes Zazie Beetz e Kelly Marie Tran, além da cantora Janelle Monae. Mas nem todos ficaram emocionados – ao final da apresentação do cantor, com as luzes novamente acesas, o diretor Martin Scorsese parecia estar saindo de um cochilo, acordado pela gritaria do público que aplaudia Eminem de pé.

“Olha, se eu tiver outra oportunidade... Desculpe por ter demorado 18 anos para chegar aqui”, tuitou o rapper, errando na conta (são 17 anos).

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.