Diamond Films
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Oscar 2021: 'Nomadland' é mais original e tocante, mas 'Minari' corre por fora

Cerimônia virtual está marcada para o dia 25 de abril, com transmissões ao vivo de vários locais

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2021 | 10h50

Aberto o envelope e divulgados os concorrentes a melhor filme no Oscar 2021: Meu Pai, Judas e o Messias Negro, Mank, Minari - Em Busca da Felicidade, Nomadland, Bela Vingança, Som do Silêncio e Os Sete de Chicago. Quais os destaques, entre esses escolhidos?

Bem, Mank parece sair na ponta, com dez indicações. Mas, em premiações anteriores, o longa, que conta os bastidores da criação de Cidadão Kane e reabilita a figura do roteirista Herman Mankiewicz, tem sido muito indicado mas não tem levado tantos prêmios. Como se as partes fossem todas boas, mas o conjunto, não. 

Nomadland com seis indicações, tem levado prêmios por onde tem passado. Seu aproveitamento é melhor. Pode ser considerado o favorito em diversas categorias, como melhor filme, direção (Chloé Zhao) e atriz (Frances McDormand). Coloca em foco os filhos perdidos da recessão nos Estados Unidos, que se deslocam, de forma incessante, em seus trailers, sem pousada fixa nem destino. É um registro factual e metáfora sobre o pesadelo em que se pode transformar o famoso “sonho americano”. Muito original, situa-se numa fronteira bem contemporânea, entre o documentário e a ficção. 

Judas e o Messias Negro é um filme forte sobre um caso de infiltrado entre os Panteras Negras que redundou no assassinato do líder Fred Hampton, interpretado por Daniel Kaluuya, que concorre a melhor ator coadjuvante. Pelo mesmo filme, e na mesma categoria, concorre Lakeity Stanfield. 

Os Sete de Chicago é outro filme com temática política, sobre uma manifestação contra a Guerra do Vietnã, em que sete ativistas são levados ao tribunal num julgamento de cartas marcadas. É forte, intenso e bem interpretado. 

Bela Vingança é um caso de mulher assediada que se dedica a punir a masculinidade tóxica. Com bela atuação de Carey Mulligan, tem agradado muito ao público, sobretudo a plateias jovens pois em sintonia com o espírito do tempo. Sua diretora, Emerald Fennell, está indicada em sua categoria. 

O Som do Silêncio, história de um baterista que se torna surdo, também tem sido bem cotado. Talvez não tenha força para vencer nas principais categorias, mas deixa impressa sua marca. 

Tudo somado, entendo que Nomadland é o filme a ser destacado. Mais completo, original e tocante, sem deixar de ser reflexivo, tem tudo para vencer. 

Mas há também Minari - Em Busca da Felicidade, que corre por fora. É uma história bonita, a saga de imigrantes da Coreia e suas dificuldades de adaptação. Falado em coreano a maior parte do tempo, é produção norte-americana e passa-se inteiramente nos Estados Unidos. Pode surpreender. 

Por fim, uma palavra sobre a categoria melhor documentário, que apresenta uma bela seleção de concorrentes. Entre eles, o criativo chileno The Mole Agent (Agente Duplo), uma maneira super original (e bem-humorada) de registrar a vida numa clínica de idosos. Collective é um filme-denúncia sobre um caso rumoroso de corrupção na saúde pública que causou a morte de várias pessoas na Romênia. Crip Camp - Revolução pela Inclusão revisita um acampamento dos anos 1960 que reabilitava pessoas deficientes dando-lhes melhores condições de vida. Time é a história de uma mulher que luta para tirar seu marido da prisão, condenado a 60 anos de encarceramento por roubo a banco. E Professor Polvo é um encantador filme de natureza que mostra um mergulhador tentando se aproximar de um polvo ao longo de um ano de paciente convivência. A competição equilibrada, mas a torcida fica para Agente Duplo, diferente entre todos, humano e divertido. 

 

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