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Oscar 2019: Filme estrangeiro é prova do avanço da Academia

Dos cinco concorrentes ao Oscar de melhor filme estrangeiro, vários disputam prêmios em outras categorias e todos convergem na temática humanista; cerimônia do Oscar será neste domingo, 24

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2019 | 03h00

Foi-se o tempo em que os candidatos ao Oscar de filme estrangeiro ficavam limitados ao gueto da sua categoria. Hoje, o favorito nesse quesito, o mexicano Roma, concorre em outras nove categorias, inclusive na principal, a de melhor filme, na qual também é a aposta mais cotada. A cerimônia de entrega do Oscar será neste domingo, 24.

Outro candidato a filme estrangeiro, Guerra Fria, do polonês Pawel Pawlikowski, concorre também na categoria principal, além de direção e fotografia. O alemão Não Deixe de Lembrar compete em filme estrangeiro e em fotografia.

Este quesito, aliás, apresenta uma particularidade no Oscar 2019 – dos cinco indicados para melhor fotografia, três são estrangeiros: Roma, Guerra Fria e Não Deixe de Lembrar.

Tudo isso é mais um sintoma – entre vários – da abertura da premiação mais badalada do cinema internacional. Premida por reivindicações seguidas da comunidade negra, mulheres e LGBTs, a Academia ampliou-se, adotou a diversidade como palavra de ordem e abriu-se a um pluralismo internacionalista.

Dito isso, há que reconhecer também a boa seleção de obras que concorrem na categoria de “língua não inglesa”, como ela se denomina.

O esplêndido Roma é, de fato, o favorito com o memorialismo do diretor Alfonso Cuarón, que elege não a sua própria figura como protagonista, mas a babá da sua infância, Cléo (Alitzia Aparicio, que também concorre a melhor atriz). Cheio de ternura, dirigido por um homem, porém com alma feminina, Roma é tecnicamente impecável, com sua rigorosa fatura em preto e branco filmada em 65 mm.

Em preto e branco também é o polonês Guerra Fria, sobre um casal que vive seu amor difícil tendo por pano de fundo um período histórico cheio de tensões. Já em cores vivas é o belo e triste Cafarnaum, de Nadine Labaki, que representa o Líbano e fala da infância desassistida. Assunto de Família, do japonês Hirokazu Kore-Eda, põe o dedo na ferida da pobreza em seu país e aponta para novas configurações familiares.

São filmes que convergem em seu conteúdo humanista. Num mundo errado e reacionário, o Oscar faz a coisa certa: avança.

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