Oscar 2013: Futuros em jogo

Não só as estrelas estarão ansiosas na noite de hoje, em que o Oscar, 85 edições depois, tenta se reinventar e recuperar público

Ubiratan Brasil, enviado especial,

24 Fevereiro 2013 | 15h48

LOS ANGELES - Carreiras em jogo marcam a 85ª entrega do Oscar, hoje à noite, a partir das 22 horas (horário de Brasília), em Hollywood. De um lado, o filme Lincoln, de Steven Spielberg, que, depois de esnobado pelos principais sindicatos da indústria cinematográfica, busca a redenção em 12 categorias. De outro, a reputação da própria festa organizada pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que, ano a ano, perde audiência nos EUA - sob o comando de uma dupla de sucesso, Craig Zadan e Neil Meron, a cerimônia pretende apostar na mistura de jovens talentos e grandes figurões, tudo regado a tecnologia de ponta.

Como uma montanha russa, as chances de Lincoln, retrato de um dos principais presidentes americanos, oscilaram ao longo dos últimos meses. Apontado como favorito em sua estreia, o longa foi perdendo vigor à medida que outros filmes históricos chegavam à tela - a começar por Argo, de Ben Affleck, eletrizante reconstituição do salvamento de oito diplomatas americanos durante a crise com o Irã, em 1979; e, em seguida, com a chegada de A Hora Mais Escura, em que a diretora Kathryn Bigelow narra a prisão do terrorista mais procurado pela América, Osama Bin Laden.

A disputa também dividiu o centro político do país, com a simpatia declarada de ex-presidentes (Jimmy Carter revelou sua simpatia a Argo enquanto Bill Clinton foi ao Globo de Ouro defender Lincoln) e a revolta também anunciada de senadores (como a democrata Dianne Feinstein e o republicano John McCain) que repudiaram publicamente o longa de Bigelow.

As chances de Lincoln, no entanto, apoiam-se na tradição, pois, desde 1989, quando Conduzindo Miss Daisy ganhou o principal Oscar sem que seu diretor, Bruce Beresford, estivesse na competição, o fato não mais se repetiu. E, na noite de hoje, tanto Affleck como Bigelow não estão na disputa de direção. Por outro lado, Spielberg pode ganhar sua terceira estatueta como diretor como consolo, pois, nas casas de apostas, Argo segue na frente.

“Foi uma bênção Affleck não disputar como diretor”, acredita Dave Karger, do site Fandango.com, eficiente termômetro na medição do humor dos cerca de 5 mil votantes da Academia. “Agora, todos (atores, diretores, roteiristas) vão concentrar seus votos na disputa pelo melhor longa.”

Se há uma certeza para Lincoln, parece ser a conquista dos Oscars masculinos - Daniel Day-Lewis, na categoria principal, e Tommy Lee Jones, como coadjuvante, são favoritos. Já Argo e A Hora Mais Escura, enquanto roem as unhas pela expectativa na disputa principal, estão mais confiantes em conquistar a estatueta de roteiro adaptado e original, respectivamente.

Outro fato histórico ameaça a aparente concentração de forças entre os três filmes: o último longa com tema político a conquistar o principal Oscar foi Platoon, de Oliver Stone, em 1987. Isso coloca no páreo (e com boas chances) a comédia dramática O Lado Bom da Vida, que concorre em oito categorias. A história do rapaz com distúrbio bipolar ganhou força nas últimas semanas.

Já a disputa entre os filmes estrangeiros continua um mistério. Apesar da ligeira vantagem do austríaco Amor, outros concorrentes, como o chileno No e o dinamarquês O Amante da Rainha, são lembrados por conta de seu forte conteúdo humano. Os comentários de sexta-feira no tapete vermelho, entretanto, diminuíam a força de Amor, uma vez que os principais votantes da categoria já têm uma certa idade e não teriam ficado confortáveis diante da história.

Segmentos. Também misteriosa é a elaboração da cerimônia de entrega de prêmios. Os produtores Craig Zadan e Neil Meron revelaram apenas algumas pistas, prometendo uma grande festa. O cenário, por exemplo, deverá estar recheado de telas de LED de distintos tamanhos. "Apostamos em tecnologia de ponta”, afirmou Zadan, que pretende chacoalhar o Dolby Theatre (nova denominação do antigo Kodak) com números musicais bastante variados.

Para isso, a dupla convocou Adele, que vai cantar o tema de Operação Skyfall, o novo 007. O renascimento dos musicais (representados nesse ano por Os Miseráveis) será lembrado pelo cast de Chicago, capitaneado por Catherine Zeta-Jones e Renee Zellweger. Outra convidada de luxo será Barbra Streisand, que não apresenta uma música na entrega do Oscar há 36 anos. Já o toque jovem será a presença pela primeira vez no Oscar dos atores Daniel Radcliffe e Joseph Gordon-Levitt.

Zadan e Meron dividiram a cerimônia em 13 segmentos, apontados por ele como pequenos shows. O objetivo é hipnotizar a audiência da TV, em declínio nos últimos anos (foram 39,3 milhões nos EUA, em 2012). O curioso é que tamanha diversidade criou um problema, pois o Dolby não tem camarins suficientes para abrigar tantas estrelas. “Isso será resolvido e só comprova que esse será provavelmente o maior show do Oscar dos últimos tempos”, promete Neil Meron, com os dedos cruzados.

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