Oscar 2010 promete cerimônia com disputa turbulenta

'Avatar' ou 'Guerra do Terror'? Dois igualmente favoritos, mas a bilheteria conta muito para a Academia

Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio, de O Estado de S. Paulo,

05 de março de 2010 | 06h00

Cenas de 'Avatar' (esq.) e 'Guerra ao Terror', os principais indicados da Academia. Fotos: Divulgação

 

SÃO PAULO - 

James Cameron ou Kathryn Bigelow? Avatar ou Guerra ao Terror? Meryl Streep ou Sandra Bullock? George Clooney ou Jeff Bridges? Hollywood vive momentos de ansiedade. A dois dias da entrega dos prêmios da Academia de Hollywood para os melhores do cinema em 2009, astros e estrelas finalizam os preparativos para a festa de domingo. Armanis e Gallianos já foram (a)provados. Um dos indicados para melhor ator, Colin Firth, vai vestir um modelo exclusivo do estilista que também é seu diretor, Tom Ford. Isso é inédito no Oscar.

 

A academia mudou as regras do prêmio para tornar a festa mais atraente. No ano passado, o show, transmitido pela TV, teve a terceira pior audiência da história e a academia teve de arcar com o prejuízo. A festa custou US$ 31 milhões e os anunciantes desertaram, seguindo a mais básica das leis do mercado. Por que anunciar em algo que o público não quer ver? A academia aumentou o número de concorrentes a melhor filme justamente para aumentar o leque do interesse da plateia. O show, mais do que nunca, não pode parar. Recuperar a audiência é palavra de ordem.

 

É mais fácil encontrar o que torcer entre dez indicados. Mas, se a ideia era consagrar êxitos de bilheteria, a disputa vai ser entre o recordista Avatar, que arrecadou mais de US$ 2 bilhões em todo o mundo, e um filme tão miúra, Guerra ao Terror, que só foi descoberto pelo público depois que começou a enxurrada de prêmios dos críticos e das ‘ligas’. Os indies continuam dando as cartas, que o diga Preciosa. Apenas um dos dez indicados para melhor filme ainda não estreou no Brasil, Um Sonho Possível. De resto, o espectador poderá passar o fim de semana (re)vendo os concorrentes. Up - Altas Aventuras e Distrito 9 já estão até em DVD. Avatar faturou 135 vezes mais do que o filme de Kathryn Bigelow, mas vai ser difícil Cameron se reafirmar como rei do mundo. Nenhum filme vencedor do prêmio das ligas dos produtores, diretores e roteiristas deixou de ganhar o Oscar principal. Guerra ao Terror obteve essa unanimidade. Kathryn é favorita. Mas o que fazer com o megassucesso de Avatar? Dividir os prêmios de melhor filme e direção?

Faltando pouco para a abertura dos envelopes, só a animação, Up, e os melhores coadjuvantes - Christopher Waltz, de Bastardos Inglórios, e Mo’Nique, de Preciosa - se antecipam como vencedores indiscutíveis. A Fita Branca, de Michael Haneke, é forte concorrente para melhor filme estrangeiro. É pena que Um Profeta, de Jacques Audiard, ainda não esteja em cartaz. Poderia ser mais uma dúvida. Haneke ou Audiard? Haneke. Veja, faça suas apostas e aperte os cintos. A noite de domingo vai ser turbulenta, promete surpresas. (Luiz Carlos Merten)

 

E o melhor dos indicados ao Oscar talvez não ganhe nada...

A disputa do Oscar 2010 virou uma espécie de Davi X Golias. Avatar, o gigante, já é o filme que mais arrecadou em toda a história (mas ainda não é o de maior público). Guerra ao Terror, o Davi da vez, passa muito longe disso. Apenas para ficar em números brasileiros: até agora Avatar teve 8,5 milhões de ingressos vendidos (cerca de R$ 96 milhões arrecadados) contra um público de 63 mil espectadores (pouco mais de R$ 600 mil) de Guerra ao Terror, segundo dados do Portal Filme B, especializado em mercado cinematográfico.

 

A disparidade é enorme. Mas, talvez, como no relato bíblico, o menor derrote o maior. Os sinais já estão surgindo aqui e ali. O último deles foi a grande vitória que Guerra ao Terror infligiu sobre Avatar no Bafta, o prêmio do cinema inglês.

 

Pode, portanto, se dar neste Oscar o que já aconteceu tantas vezes na história da premiação da Academia, ou seja, que o melhor filme do ano fique sem reconhecimento. Refiro-me ao inteligente, surpreendente e inspirado filme dos irmãos Ethan e Joel Coen, Um Homem Sério, lançado modestamente a semana passada no Brasil. Com apenas duas indicações (filme e roteiro), o que fará esse nanico diante das nove indicações cada um que têm Avatar, de James Cameron, e Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow?

 

Provavelmente nada. No entanto, em termos de cinema, deixa os dois no chinelo. É o mais autobiográfico trabalho dos Coen e põe em cena um homem atormentado da comunidade judaica de Minnesota que consulta três rabinos quando seu mundo desaba. Uma bela comédia dramática, filme para rir - e pensar, atividade que, como se sabe, não dói, dá prazer e não tem contraindicações. Mas cada vez menos o cinema comercial acredita nisso.

 

Boas apostas nas outras categorias são Carey Mulligan (Educação), como atriz, e Jeremy Renner (Guerra ao Terror) como ator. Morgan Freeman, como Mandela (em Invictus) também está no páreo. Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) e Mo’nique (Preciosa) são os prováveis vencedores como coadjuvantes. E A Fita Branca, impressionante trabalho de Michael Haneke sobre as raízes do autoritarismo, parece não ter concorrentes na categoria de filme estrangeiro. (Luiz Zanin Oricchio)

 

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