Oscar 2001: quem será o brasileiro?

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou hoje o convite para que 75 países enviem uma produção nacional representante para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2001. Os formulários de inscrição devem ser enviados até o dia 1º de novembro e a película até o dia 15 do mesmo mês. O Rio de Janeiro de Bruno Barreto e o sertão de Andrucha Waddington devem polarizar a escolha do indicado brasileiro para o Oscar 2001 de Melhor Filme Estrangeiro.Só participam da categoria filmes que, predominantemente, não sejam falados em inglês e que tenham sido exibidos em salas comerciais de seu país de origem por pelo menos sete dias consecutivos. Além disso, o filme deve ter estreado entre o dia 1º de novembro de 1999 e 31 de outubro de 2000. Apesar de não haver nenhum anúncio oficial, o Brasil deve estar na lista dos países convidados. O secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, José Álvaro Moisés, estava viajando e não pôde ser achado.O procedimento para a escolha do filme brasileiro para concorrer alguma indicação ao Oscar deve ser o mesmo dos outros anos. Após o convite oficial da Academia, o Ministério da Cultura baixa uma portaria para criar uma comissão oficial. Os representantes escolhidos enviam então formulários para que os diretores brasileiros inscrevam seus filmes, que serão peneirados até a seleção final.No ano passado, a comissão foi formada pelos cineastas Luís Carlos Barreto, Walter Salles e Tizuca Yamazaki. Participaram também o crítico de cinema de O Estado de S.Paulo Luiz Zanin Oricchio e o distribuidor da Paramount, Metro e Universal na América Latina Jorge Peregrino. O filme escolhido para representar o Brasil foi Orfeu, de Cacá Diegues, que acabou não sendo indicado pela Academia. Tudo Sobre a Minha Mãe, do diretor espanhol Pedro Almodóvar, foi o vencedor na categoria.O indicado brasileiro deverá ser conhecido no final de outubro, mas as especulações já começaram. Este ano, o cinema brasileiro produziu alguns bons longas-metragens de alto nível técnico que atendem às exigências do mercado internacional. O mais forte concorrente é Eu, Tu, Eles, de Andrucha Waddington, que vem fazendo uma bela campanha em festivais. Em maio, a produção participou da mostra Un Certain Regard, do 53º Festival de Cannes, e recebeu uma menção especial da Fondation Gan Pour le Cinema. Em julho, no 35º Festival de Karovy Vary, da República Theca, mereceu o Globo de Cristal de Melhor Filme, e a protagonista Regina Casé ficou com o prêmio de melhor atriz. Mas na pré-estréia da produção em São Paulo, Andrucha Waddington dizia ainda não pensar no assunto: "Não fiz o filme sonhando com prêmios. Fiz pensando no público brasileiro. Tudo que acontecer com Eu, Tu, Eles será apenas mérito do público."Eu, Tu, Eles é baseado na história real de uma mulher que vivia com três homens sob o mesmo teto no sertão do Ceará. O filme mostra o Brasil que os estrangeiros adoram ver. As paisagens do sertão nordestino lembram as retratadas em Central do Brasil, de Walter Salles. Regina Casé está bem à vontade no papel da mulher que sabe administrar muito bem o amor que sente por seus três maridos. Na pré-estréia em São Paulo, a atriz também afirmou não pensar no Oscar: "Na verdade, nem sei como se escolhe o filme. Não entendo nada disso".Bossa Nova, de Bruno Barreto, é outro forte concorrente. Traz imagens belíssimas do Rio de Janeiro, mais a grife dos Barreto. O fraco roteiro é compensado pela bela fotografia e pelas músicas de Tom Jobim. As chances do filme ser escolhido aumentam também porque traz no elenco a atriz americana Amy Irving, mulher de Barreto e ex-mulher de Steven Spielberg. Ela interpreta uma americana que dá aulas de inglês, o que facilita a empatia com o público americano. Quando o filme estreou nos EUA, o influente New York Times não economizou elogios à produção de Barreto.Estorvo, de Ruy Guerra, também deve ser um dos concorrentes à vaga de representante nacional, apesar de sua carreira internacional ter sido abalada no Festival de Cannes deste ano, onde foi duramente recebido pela crítica. Adaptado do livro homônimo de Chico Buarque de Hollanda, o filme se recuperou um pouco no Festival de Gramado, mas acabou levando apenas os prêmio de melhor música, composta por Egberto Gismonti, e melhor fotografia, realizada por Marcel Durst.Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi, foi selecionado para o Festival de Locarno, na Suíça, e vem agradando também ao público do Brasil. Em São Paulo, a produção está em cartaz há três meses - o que significa muito para uma produção nacional. Mas a forma polêmica como o diretor aborda a realidade brasileira não deve agradar aos membros da Academia Brasileira, e sua escolha é pouco provável.Com poucas chances, aparecem também Através da Janela, de Tata Amaral, Quase Nada, de Sérgio Rezende (vencedor do prêmio de Melhor Filme Brasileiro do Festival de Gramado deste ano) e o O Dia da Caça, de Alberto Graça . De qualquer forma, não se deve esperar por nenhuma grande surpresa. O escolhido deverá se encaixar nos padrões americanos de cinema. Afinal, são os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood que decidem quais são as produções que irão concorrer ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro. E como se sabe, a maioria não abre mão dos padrões hollywoodianos. As indicações para o Oscar de 2001 serão anunciadas no dia 13 de fevereiro do próximo ano. A cerimônia de premiação acontece no dia 25 de março, no Auditório Shrine de Los Angeles.

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