David James
David James

'Os Últimos Jedi' é o melhor episódio de 'Star Wars' em anos

Filme que estreia na madrugada de quinta-feira, 14, é bem escrito, dirigido e interpretado - e ainda permite rever Carrie Fisher

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2017 | 15h07

É a pergunta que não quer calar - quem é esse Rian Johnson? Roteirista e diretor de Looper - Assassinos do Futuro, realizador de episódios (dois) da série Breaking Bad, nada o creditava especialmente para ser um dos grandes diretores da série Star Wars. Mas ele é - pode parecer exagero, mas, desde Irvin Kershner e Richard Marquand, no começo dos anos 1980, com O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi, não se via nada tão bom na galáxia ‘far far away.’

Agora que você já tem a essência do texto, talvez seja bom parar por aqui e retomar depois de ver a sensacional aventura que estreia à 0h01 desta quinta, 14. Olha o spoiler, gente. Nossos heróis estão divididos - Rey partiu em busca de Luke Skywalker e ele não nem um pouco receptivo a colaborar com os rebeldes. Poe Dameron participou de um ataque impulsivo que resultou em grandes perdas e é rebaixado por Leia. Finn partiu com a novata Rose em busca de Rey. E ela se aproxima perigosamente de Ben Solo/Kylo Ren, com quem consegue se comunicar telepaticamente. Ambos sentem a presença um do outro. Rola um clima.

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De alguma forma, Rian Johnson tira a história dos trilhos para iniciar um novo ciclo. Embora já exista uma nova geração de heróis, a velha guarda da Forças ainda é essencial, mas carrega as marcas do fracasso - Leia, Luke. O reencontro dos irmãos é emocionante - quatro lágrimas, se elas substituíssem as estrelas tradicionais dos quadros de cotações. Ambos fracassaram com Ben, e cada um carrega essa dor. A mãe, o tio.

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Como, por que Ben se rendeu ao lado escuro da Força e matou o próprio pai? Angustiada com a própria origem, Rey tenta decifrar esse mistério e é um dos fatores que a aproximam de Ben. Ele quer a aura dela para se fortalecer e iniciar nova linhagem do mal na galáxia. Como Ben/Kylo diz à garota - à última Jedi -, ela veio da escória. Talvez seja o que a una a Finn. Ele também veio da escória, e é seu orgulho. Diz isso à sinistra Capitã Phasma. Assim como é uma saga de sonhos desfeitos e esperanças renovadas, Os Últimos Jedi é extremamente caloroso nos afetos. Finn e Rey ficarão juntos? Pode estar surgindo um empecilho no filme, um redesenho das duplas, e dos afetos.

A saga Star Wars começou na segunda metade dos anos 1970 inspirada nas teorias do mitólogo Joseph Campbell. A primeira trilogia filmada conta a história da construção do herói, Luke. A segunda filmada - e que virou a primeira, na cronologia da história - era sobre as construção do vilão. Talvez viesse daí certa resistência. Não era tão boa, e é claro que contava o fato de os filmes terem sido realizados por George Lucas, e ele sempre foi melhor produtor que diretor - com a possível exceção de American Graffitti/Loucuras de Verão, de 1973.

Coincidência ou não, o império que se estabeleceu na galáxia distante começou a surgir no imaginário do público num momento de transformação - a consolidação do liberalismo econômico. Combater o império virou a nova revolução. As forças do conservadorismo estão triunfando de novo em todo o mundo. Certo? Errado - acende-se, em Os Últimos Jedi, a fagulha com que Rey e seus amigos - olhem o spoiler - prosseguirão com o legado de Leia. A própria Carrie Fisher, um ano após sua morte, permanece como imagem, graças ao milagre do cinema. A esperança resiste. Que a Força persista com os que não desistem de sonhar.

 

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