Bruno Machado
Bruno Machado

'Os Sonâmbulos' lidera Festival de Havana; 'A Vida Invisível' e 'Bacurau' levam prêmios

No total, 112 filmes concorreram em 31 categorias

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2019 | 04h22

O longa-metragem Os Sonâmbulos, da diretora argentina Paula Hernández, foi o grande vencedor do Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana nesta sexta-feira, 14. Filmes brasileiros, como A Vida Invisível de Eurídice Gusmão e Bacurau, também levaram estatuetas para casa.

No total, 112 filmes concorreram a 8 categorias e 16 prêmios colaterais. Os Sonâmbulos, coprodução argentino-uruguaia, também levou os prêmios de melhor roteiro e de melhor atriz por uma de suas protagonistas, Erika Rivas.

Durante a cerimônia, a diretora de Os Sonâmbulos recebeu o Grande Prêmio de Ficção como uma "felicidade inesperada", que ela quis compartilhar com a equipe de filmagem porque considera o cinema "um ato coletivo". 

Hernandez chegou com seu sexto filme no evento de Havana – onde apresentou sua primeira produção há 20 anos – depois de receber uma boa recepção nos festivais de Toronto e San Sebastian. O filme mostra a história de uma família ritualística, matriarcal e pura, contada pelos olhos de uma mãe e sua filha de 14 anos sonâmbulas. 

A cineasta descreveu a essência de Os Sonâmbulos como um sinal de que os segredos mais sombrios estão escondidos nas famílias e que o acúmulo de pequenas situações cotidianas, carregadas de microviolência, causa um "surto final".

O prêmio Coral de ficção, concedido pelo júri, foi para o filme guatemalteco La Llorona, de Jayro Bustamante, que também venceu a categoria de melhor som e foi agraciado com o prêmio  Glauber Rocha, concedido pela imprensa estrangeira por oferecer um "retrato impressionante" de uma guerra que marcou a história do país da América Central.

Outra história familiar, recriada no filme chileno Algumas Feras, de Jorge Riquelme, rendeu o prêmio de melhor diretor. 

A cinematografia argentina, uma das mais premiadas, levou para casa o prêmio do público deste festival, concedido à A História Das Doninhas, uma comédia de humor negro de Juan José Campanella que tem como eixo central uma atriz da era de ouro do cinema no país sul-americano. A história das doninhas também rendeu um prêmio de melhor ator para Luis Brandoni, homenageado também por seu papel no sucesso de público A Odisséia dos Tontos, apresentado na abertura do Festival com a presença dos atores Ricardo e Chino Darín.

Brasileiros

Karim Aïnouz ganhou o prêmio de direção artística com o drama A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, que traz Fernanda Montenegro no elenco e foi pré-indicado pelo País ao Oscar. O filme levou, ainda, o Coral de melhor fotografia, para Héléne Louvart, e o prêmio colateral FIPRESCI de melhor longa metragem.

Bacurau, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, levou o prêmio Coral de melhor trilha sonora, para Tomas Alvez. Nos prêmios colaterais, rebeceu o prêmio Dom Quixote e menção honrosa no prêmio Dom Quixote. 

O documentário Diz a Ela Que Me Viu Chorar, de Maíra Santi Bühler, foi agraciado com o Coral de documentário do júri. Cidade dos Piratas, de Otto Guerra, levou o prêmio na categoria de longa-metragem de animação. O prêmio de animação do júri ficou com Sangro, de  Tiago Minamisawa, Bruno H. Castro e Guto BR. Divino Amor, de Gabriel Mascaro, levou os prêmios colaterais da Federação Internacional de Cine Clubes e Mostra Jovem ICAIC. /EFE

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